Anthony Lima Dias, estudante de 10 anos do Educandário Santa Therezinha, em Jequié, criou uma forma alternativa de multiplicação durante avaliação em 27 de agosto de 2025. O raciocínio foi analisado por professores, formalizado em artigo técnico e reconhecido pela Câmara Municipal por criatividade e dedicação aos estudos do jovem.
Um caso de multiplicação dentro de uma prova escolar chamou atenção em Jequié, na Bahia, depois que Anthony Lima Dias, então com 10 anos, encontrou um caminho diferente para resolver contas em base 10. O raciocínio surgiu durante uma avaliação de Matemática realizada em 27 de agosto de 2025.
A história ganhou reconhecimento público em 29 de abril de 2026, quando a Câmara Municipal de Jequié informou que o vereador Duda Simões homenageou Anthony por meio de uma Moção de Aplausos. O estudante, natural de Jequié, é aluno do Educandário Santa Therezinha e teve o método associado a uma demonstração formal em artigo técnico.
Descoberta começou dentro de uma avaliação de Matemática
Segundo a Câmara Municipal de Jequié, Anthony criou espontaneamente um raciocínio diferente durante uma avaliação escolar. Em vez de seguir apenas o procedimento tradicional de multiplicação, ele reorganizou o cálculo de um jeito próprio, buscando uma forma mais simples de chegar ao resultado.
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O episódio não ficou restrito à sala de aula. Ao chegar em casa, Anthony contou à mãe, Mábia Lima Chaves dos Santos, e ao irmão, Albert Lucas Lima Dias, que havia usado um método diferente. A partir daí, a família pediu que ele demonstrasse o procedimento no papel.
Família percebeu que havia algo fora do padrão
No relato apresentado no artigo técnico, Anthony refez uma das contas usadas na avaliação, a multiplicação 162 × 162. A família estranhou a organização do cálculo, porque não reconhecia ali o modelo tradicional ensinado na escola.
Depois disso, o procedimento foi testado com outros números. Os resultados continuaram batendo com os produtos esperados, o que levou a família a registrar a demonstração em vídeo. Esse passo foi decisivo para que a curiosidade doméstica virasse uma investigação matemática mais estruturada.
Vídeo chegou a professora da escola

A mãe de Anthony gravou vídeos do filho resolvendo multiplicações e encaminhou o material para Ib Couto, professora ligada ao Educandário Santa Therezinha. O objetivo era verificar se aquele raciocínio correspondia a algum procedimento já ensinado ou conhecido pela escola.
Conforme o relato técnico, a professora considerou necessário validar o método com alguém que pudesse dar sequência à análise. A partir desse encaminhamento, o caso chegou ao professor doutor Marcus Vinícius da Conceição Morro, do Instituto Federal de Rondônia, que participou da formalização matemática.
Método reorganiza somas parciais em base 10
O artigo técnico apresenta o procedimento como um algoritmo alternativo da multiplicação em base 10. Em termos simples, o método reorganiza as interações entre os algarismos em uma sequência estruturada de somas parciais.
A diferença em relação ao algoritmo tradicional está na forma de conduzir os produtos parciais e os valores transportados. Em vez de armazenar várias linhas para somar tudo ao final, o método constrói o resultado de forma incremental, confirmando dígitos ao longo do processo.
Artigo técnico trouxe demonstração formal
O trabalho técnico, intitulado “Demonstração Formal de um Algoritmo Alternativo da Multiplicação em Base 10”, apresenta o método, define notações e demonstra sua correção matemática. Entre os autores aparecem Anthony Lima Dias, Albert Lucas Lima Dias, Ib Couto, Mábia Lima Chaves dos Santos e Marcus Vinícius da Conceição Morro.
A demonstração mostra que o procedimento produz o mesmo resultado da multiplicação convencional para números naturais em base 10. Esse ponto é importante porque separa a curiosidade do reconhecimento técnico: não bastava parecer funcionar, era preciso provar matematicamente por que funcionava.
Comparação com o algoritmo tradicional explica a diferença
No método tradicional, o estudante costuma calcular produtos parciais, deslocá-los conforme a posição decimal e somá-los ao final. Esse processo é eficiente, mas pode exigir mais organização visual e memória de trabalho, especialmente para crianças em fase de aprendizagem.
No algoritmo alternativo descrito no artigo, o cálculo mantém apenas o valor transportado e os dígitos já confirmados do resultado. A própria pesquisa afirma que isso pode reduzir carga cognitiva e permitir cálculo mental ou semi-escrito mais confiável em determinados casos.
Criatividade infantil virou pauta pública em Jequié
A Câmara Municipal de Jequié destacou a criatividade, a dedicação aos estudos e a contribuição de Anthony para o conhecimento matemático. O vereador Duda Simões afirmou que a iniciativa evidencia o potencial das novas gerações e serve de inspiração para estudantes, professores e comunidade.
Anthony é filho de Mábia Lima Chaves dos Santos e Antônio Dias dos Santos, irmão de Albert Lucas Lima Dias e aluno do Educandário Santa Therezinha. A homenagem pública colocou uma descoberta escolar em um espaço institucional, aproximando educação básica, família, professores e reconhecimento local.
Cuidado é não transformar o caso em exagero
O caso de Anthony é relevante porque mostra criatividade matemática e formalização de um algoritmo alternativo. Ainda assim, a leitura correta é cuidadosa: o artigo não afirma que o método substitui todo o ensino tradicional nem que elimina a importância dos algoritmos já usados em sala.
O valor da história está em mostrar que uma criança pode reorganizar uma ideia conhecida de maneira original. Em educação, isso importa porque revela caminhos cognitivos diferentes para aprender aritmética, especialmente quando professores e familiares observam a solução em vez de descartá-la por fugir do padrão.
Educação matemática ganha quando escuta o raciocínio do aluno
A história também levanta uma discussão maior sobre como escolas lidam com respostas inesperadas. Em muitas provas, o foco costuma estar apenas no resultado final; nesse caso, o caminho usado por Anthony chamou atenção justamente por não seguir a rotina esperada.
Quando um professor observa o processo, e não só a resposta, pode identificar estratégias criativas. A multiplicação feita por Anthony mostra que o raciocínio infantil pode carregar pistas importantes sobre aprendizagem, memória, lógica e organização matemática.
Quando uma conta comum deixa de ser apenas tarefa escolar
A trajetória do método de Anthony Lima Dias começou em uma avaliação comum, passou pela família, chegou a professores e foi formalizada em artigo técnico. O que parecia apenas uma forma diferente de resolver uma conta virou exemplo de criatividade matemática nascida dentro da escola.
A pergunta que fica é direta: quantas ideias de alunos deixam de ser percebidas porque parecem estranhas no primeiro momento?
Você acha que escolas deveriam valorizar mais métodos próprios quando o estudante chega ao resultado correto por um caminho diferente? Deixe sua opinião nos comentários.

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