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A sonda Tianwen 2 vai pousar num asteroide quase-satélite da Terra para coletar amostras inéditas em 2026 — primeira missão da China em rocha espacial

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 07/05/2026 às 11:30 Atualizado em 07/05/2026 às 11:33
Sonda chinesa Tianwen 2 se aproximando do asteroide 2016 HO3 no espaço
A Tianwen 2 entrou em órbita de transferência rumo ao asteroide 2016 HO3 em 2025, com aproximação e coleta previstas para 2026. É a primeira missão chinesa de retorno de amostras de asteroide.
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A sonda Tianwen 2, lançada em 2025, está em órbita de transferência para o asteroide 2016 HO3 — uma rocha de cerca de 50 metros que orbita o Sol como uma quase-lua da Terra. A aproximação e a coleta de amostras estão previstas para 2026, na primeira missão chinesa de retorno de material de um asteroide.

De acordo com a Xinhua, agência estatal chinesa, a sonda Tianwen 2 segue rumo ao alvo desde 2025.

Conforme a Brasília Infoco, citando declaração oficial da CNSA (Administração Espacial Nacional da China), a aproximação ao asteroide está marcada para 2026.

Segundo a CNSA, esta é a primeira missão chinesa de exploração de asteroide com retorno de amostras.

Por isso, o feito coloca a China numa lista curta de países que já tentaram trazer pedaço de asteroide até a Terra — antes, só Japão e Estados Unidos haviam conseguido.

De acordo com Liu Yunfeng, vice-diretor do departamento de engenharia de sistemas da CNSA, a sonda vai estudar a composição da rocha de perto antes de coletar.

Para efeito de comparação, a China saiu de 68 lançamentos espaciais em 2024 para 92 em 2025, alta de 35%.

Sonda chinesa Tianwen 2 se aproximando do asteroide 2016 HO3 no espaço
A sonda entrou em órbita de transferência rumo ao asteroide 2016 HO3 em 2025, com aproximação e coleta previstas para 2026. É a primeira missão chinesa de retorno de amostras de asteroide.

O 2016 HO3: a quase-lua que ninguém estava vendo

O alvo da missão é um asteroide chamado 2016 HO3.

Conforme a designação astronômica, ele foi descoberto em 2016 — daí o nome.

Por outro lado, o que faz dele especial não é o tamanho: tem cerca de 40 a 100 metros de diâmetro, segundo registros oficiais.

Em seguida, vem a parte curiosa: 2016 HO3 é um quase-satélite da Terra.

Como resultado, ele orbita o Sol — não a Terra —, mas faz isso num caminho que o mantém sempre próximo ao nosso planeta.

Nesse contexto, é como se ele acompanhasse a Terra de longe, descrevendo um padrão em forma de espiral ao longo de cada ano.

De fato, 2016 HO3 é apontado por astrônomos como o quase-satélite mais estável conhecido — característica que faz dele alvo perfeito para missão de retorno de amostras.

Como a Tianwen 2 vai tocar a rocha sem destruí-la

A coleta em micro-gravidade é o desafio técnico maior.

Por isso, a sonda carrega braços robóticos e mecanismos de atrito específicos para trabalhar em corpo de baixíssima massa.

Conforme a CNSA, o plano de missão prevê duas formas de coleta.

A primeira é ancoragem direta na superfície. A segunda é toque-e-saída (“touch-and-go”), método já usado pela JAXA japonesa na Hayabusa2.

Como mostrou a Xinhua, a sonda também leva instrumentos de espectrometria para mapear minerais antes da coleta.

Da mesma forma, câmeras ópticas e de infravermelho devem registrar o asteroide em alta resolução.

Em seguida, depois de coletar, a sonda deve fazer manobra de retorno e enviar a cápsula de amostras de volta à Terra.

Foguete chinês Longa Marcha decolando do Centro Espacial de Wenchang
A China saltou de 68 lançamentos em 2024 para 92 em 2025 — alta de 35%. A frota de foguetes Longa Marcha sai do Centro Espacial de Wenchang.

A China que faz 92 lançamentos por ano e está dobrando a estação espacial

O contexto da missão é parte de uma agenda espacial chinesa em ritmo industrial.

Conforme a Xinhua, foram 92 missões de lançamento em 2025, recorde nacional.

Para efeito de comparação, isso supera o programa Apollo americano em frequência mensal.

Por outro lado, a maior parte é satélite de comunicação ou observação — mas a fração científica também cresceu.

Em 2025, a China fez ainda 4 missões tripuladas e 2 retornos, incluindo o primeiro lançamento de emergência da história do programa.

Da mesma forma, a estação espacial Tiangong está em planejamento para dobrar de tamanho até 2030.

Como consequência, a comparação com os Estados Unidos é constante: enquanto a NASA discute a desativação da ISS até 2031, a China prepara sua próxima geração orbital.

Antes da missão chinesa atual veio a antecessora — e 3,5 terabytes de dados de Marte

A missão atual segue o sucesso da antecessora.

De acordo com a CNSA, a sonda Tianwen 1 já tinha pousado em Marte em 2021 com o rover Zhurong.

Como resultado, a missão liberou 3,5 terabytes de dados científicos sobre Marte, abertos publicamente para pesquisadores do mundo todo.

Por isso, a missão chega num quadro técnico sólido — com herança de instrumentos e protocolos.

Da mesma forma, a Tianwen 3 já está em desenvolvimento, com foco em retorno de amostras de Marte.

Em consequência, a numeração indica uma série planejada de missões interplanetárias chinesas.

Vista do asteroide 2016 HO3 quase-satélite da Terra no espaço profundo
2016 HO3 é o quase-satélite mais estável conhecido da Terra. Mede entre 40 e 100 metros e orbita o Sol numa trajetória que o mantém sempre próximo ao nosso planeta.

Quem mais já trouxe asteroide para casa

Antes dela, apenas duas agências haviam concluído retorno de amostras de asteroide.

Em 2010, a JAXA do Japão trouxe poeira do asteroide Itokawa via missão Hayabusa.

Em seguida, a Hayabusa2 voltou em 2020 com material do asteroide Ryugu.

De acordo com a NASA, a missão americana OSIRIS-REx trouxe amostras do asteroide Bennu em 2023.

Por outro lado, todas essas envolveram corpos diferentes do 2016 HO3 em um aspecto-chave: nenhum era quase-satélite.

Portanto, esta é a primeira tentativa registrada de coleta em quase-lua terrestre.

Como mostra também a Gizmodo Brasil, a CAS Space prevê foguetes reutilizáveis até 2028, mudando o ritmo de envio.

O que a coleta pode revelar

A análise de amostras da rocha tem três frentes científicas:

  • Composição mineralógica de quase-satélites — corpos pouco estudados in loco
  • Cronologia do sistema solar inicial via datação isotópica das amostras
  • Avaliação de recursos para futura mineração espacial em rochas próximas
  • Apoio a defesa planetária — entender objetos próximos da Terra

Conforme a CNSA, o material deve chegar à Terra em cápsula selada, depois de coleta no asteroide.

Por isso, instituições internacionais já entraram em conversas para acessar parte das amostras.

Como destaque também na cobertura recente do portal, a China combina velocidade de execução em projetos espaciais com investimentos pesados em outras frentes — como reatores nucleares de 4ª geração para a Turquia.

Da mesma forma, em cobertura sobre regulamentação eólica no Nordeste, o portal documentou a velocidade de obras chinesas comparada a projetos brasileiros parados.

Centro de controle de missão chinês com tela mostrando trajetória da Tianwen 2
A coleta de amostras prevê dois métodos: ancoragem direta na superfície ou toque-e-saída, técnica já usada pela Hayabusa2 japonesa em Ryugu.

O que pode dar errado na missão Tianwen 2

Por outro lado, a missão tem riscos técnicos consideráveis.

Coletar amostra em micro-gravidade é etapa de altíssima precisão — pequenos erros de manobra podem fazer a sonda ricochetear ou ficar à deriva.

Além disso, a janela de comunicação com a Terra tem latência de minutos quando a sonda está distante.

Conforme registros do setor, missões anteriores (Hayabusa1) tiveram falhas mecânicas e quase perderam o material coletado.

Ainda assim, depois do êxito da Tianwen 1 em Marte e do salto de 92 lançamentos em 2025, a CNSA chega à missão chinesa atual com mais experiência operacional.

É mais experiência do que qualquer missão chinesa anterior teve antes de partir.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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