Sonda da NASA acelera a 19.848 km/h ao redor de Marte para alcançar um asteroide metálico no cinturão entre Marte e Júpiter. O voo começou em 2023 e chega ao alvo em agosto de 2029.
A sonda Psyche da NASA realiza nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, uma manobra de estilingue gravitacional ao passar a 4.500 km de altitude sobre a superfície de Marte.
Conforme publicado em 8 de maio pela NASA Science.
De acordo com o time da missão no JPL (Jet Propulsion Laboratory), a sonda atinge nesse momento velocidade de 19.848 km/h. A passagem altera a trajetória rumo ao asteroide 16 Psyche, no cinturão principal.
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Conforme Lindy Elkins-Tanton, líder científica da missão, a manobra é gratuita em termos energéticos. A gravidade de Marte substitui combustível e empurra a sonda para fora do plano de partida.
A 4.500 km da superfície marciana
Em primeiro lugar, a distância de aproximação é de cerca de 4.500 km, ou 2.800 milhas em medidas anglo-saxônicas.
Por exemplo, é mais ou menos a distância de Rio de Janeiro a Buenos Aires em linha reta.

Conforme o JPL, a passagem dura apenas algumas horas no ponto mais próximo.
De fato, a sonda atravessa o sistema marciano antes da próxima janela orbital. A equipe planeja capturar milhares de imagens do planeta durante a aproximação.
Em outras palavras, Marte vira “teste de campo” para a câmera multispectral que será usada no alvo final.
Trajeto da sonda Psyche: 3,6 bilhões de km até o cinturão de asteroides
Conforme o JPL, a sonda foi lançada em 13 de outubro de 2023 de Cabo Canaveral. Desde então, percorreu fração inicial do trajeto total de 3,6 bilhões de km.

De acordo com o documento técnico da NASA, o sistema de propulsão usa íons de xenônio em propulsores Hall. Em paralelo, painéis solares enormes geram a eletricidade necessária para acelerar continuamente.
Por consequência, a aceleração é lenta mas constante. O método solar-elétrico permite manobras prolongadas com baixo consumo.
De fato, em comparação com foguetes químicos, a nave gasta 10 vezes menos massa de combustível para o mesmo delta-v.
O asteroide 16 Psyche: núcleo planetário exposto
Por outro lado, o asteroide alvo, 16 Psyche, fica no cinturão principal entre Marte e Júpiter. Conforme a Smithsonian Magazine, o corpo tem entre 30% e 60% de ferro e níquel metálicos.

Em outras palavras, é o tipo de composição esperada em um núcleo planetário, não em uma rocha do cinturão.
De fato, a teoria principal é que 16 Psyche seja o núcleo exposto de um planeta que nunca se completou.
Para entender a escala, o asteroide mede cerca de 220 km no eixo maior. O formato é irregular, com aspecto de batata estendida.
Além disso, outras sondas já apontaram para asteroides recentemente. A missão chinesa Tianwen-2 estuda um asteroide quase-satélite da Terra com objetivo parecido de coletar amostras.
Por que dizem que 16 Psyche vale US$ 10 quintilhões
De acordo com cálculos repercutidos por revistas científicas, o valor teórico de mercado dos metais em 16 Psyche é de US$ 10 quintilhões. Essa cifra equivale a US$ 10 seguidos de 18 zeros.
De fato, o número assume que todo o metal pudesse ser trazido à Terra e comercializado nos preços atuais. Por outro lado, a logística para isso é hoje inexistente.
Por sua vez, a NASA deixa claro que a missão Psyche é científica. A intenção declarada é entender como núcleos planetários se formaram durante a formação do Sistema Solar.
Em paralelo, derrubar o preço global do ferro extraindo um asteroide inteiro seria efeito colateral indesejado.
Conforme a NASA, esse cenário é hipotético e não está no escopo da missão atual.
Sonda Psyche chega em agosto de 2029, depois de 6 anos de voo
Conforme a NASA, a sonda Psyche chega ao asteroide 16 Psyche em agosto de 2029. A jornada total dura cerca de 6 anos de propulsão iônica contínua.

De acordo com o cronograma, a sonda orbita o asteroide por pelo menos 26 meses. Esse intervalo permite mapear toda a superfície em vários espectros.
Em outras palavras, a sonda fica em órbita ao redor do alvo até 2031 no mínimo. Por consequência, dados começam a chegar à Terra em 2029 com latência de minutos.
Por consequência, o contraste com missões anteriores aparece direto. A missão Artemis II da NASA, que leva astronautas para órbita da Lua, voa em janelas bem mais curtas.
Por que estudar um núcleo planetário exposto
De fato, o interior dos planetas continua inacessível por exploração direta. Núcleos como o da Terra ficam a milhares de quilômetros abaixo da crosta, sob pressão extrema.
De acordo com a equipe científica, 16 Psyche pode ser a primeira oportunidade de estudar fisicamente um núcleo. Em comparação, todos os modelos atuais dependem de sismologia indireta.
Por outro lado, ainda existe disputa científica. Conforme a Phys.org, parte dos pesquisadores defende que 16 Psyche seja outro tipo de objeto metálico nunca antes catalogado.
Por consequência, a missão pode mudar a base do que sabemos sobre formação planetária.
Comparação: o flyby da sonda em números
- 4.500 km de altitude no ponto mais próximo de Marte
- 19.848 km/h de velocidade durante a passagem
- 3,6 bilhões de km de trajeto total até 2029
- 30 a 60% de ferro e níquel metálicos em 16 Psyche
- US$ 10 quintilhões em valor teórico dos metais
- 26 meses de órbita prevista ao redor do asteroide
Por sua vez, em comparação, a missão DART, que desviou um pequeno asteroide em 2022, durou menos de 12 meses. A escala de Psyche é outra.
De fato, é a primeira sonda da NASA a usar Marte como estilingue para chegar ao cinturão principal.
Ressalva: o flyby da sonda tem janela curta
Conforme o JPL, a janela de aproximação dura apenas algumas horas. A captura de imagens é planejada para o intervalo central.
Por outro lado, parte do plano depende de tudo dar certo. Se o sistema de orientação falhar, a manobra de estilingue pode introduzir erro de trajetória.
Será que o Brasil terá um dia uma sonda interplanetária com instrumentos próprios? A missão Psyche mostra o que é necessário: orçamento de longa duração, tecnologia de propulsão iônica e câmera multispectral científica.
Ainda assim, o cronograma da NASA segue cumprido até agora. O retorno científico começa a chegar a partir de agosto de 2029.

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