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Sonda da NASA chamada Psyche vai passar a 4.500 quilômetros de Marte nesta sexta-feira em manobra de estilingue para alcançar um asteroide metálico avaliado em US$ 10 quintilhões

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 12/05/2026 às 11:00
Atualizado em 12/05/2026 às 11:03
Sonda Psyche da NASA passa próximo a Marte
A sonda Psyche em manobra de estilingue gravitacional sobre Marte.
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Sonda da NASA acelera a 19.848 km/h ao redor de Marte para alcançar um asteroide metálico no cinturão entre Marte e Júpiter. O voo começou em 2023 e chega ao alvo em agosto de 2029.

A sonda Psyche da NASA realiza nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, uma manobra de estilingue gravitacional ao passar a 4.500 km de altitude sobre a superfície de Marte.

Conforme publicado em 8 de maio pela NASA Science.

De acordo com o time da missão no JPL (Jet Propulsion Laboratory), a sonda atinge nesse momento velocidade de 19.848 km/h. A passagem altera a trajetória rumo ao asteroide 16 Psyche, no cinturão principal.

Conforme Lindy Elkins-Tanton, líder científica da missão, a manobra é gratuita em termos energéticos. A gravidade de Marte substitui combustível e empurra a sonda para fora do plano de partida.

A 4.500 km da superfície marciana

Em primeiro lugar, a distância de aproximação é de cerca de 4.500 km, ou 2.800 milhas em medidas anglo-saxônicas.

Por exemplo, é mais ou menos a distância de Rio de Janeiro a Buenos Aires em linha reta.

Planeta Marte visto do espaço com a espaçonave em rota de aproximação
Marte fotografado pela aproximação da espaçonave. Imagem editorial.

Conforme o JPL, a passagem dura apenas algumas horas no ponto mais próximo.

De fato, a sonda atravessa o sistema marciano antes da próxima janela orbital. A equipe planeja capturar milhares de imagens do planeta durante a aproximação.

Em outras palavras, Marte vira “teste de campo” para a câmera multispectral que será usada no alvo final.

Trajeto da sonda Psyche: 3,6 bilhões de km até o cinturão de asteroides

Conforme o JPL, a sonda foi lançada em 13 de outubro de 2023 de Cabo Canaveral. Desde então, percorreu fração inicial do trajeto total de 3,6 bilhões de km.

Propulsor iônico Hall da espaçonave em operação no espaço
Propulsor iônico Hall em operação contínua. Imagem editorial.

De acordo com o documento técnico da NASA, o sistema de propulsão usa íons de xenônio em propulsores Hall. Em paralelo, painéis solares enormes geram a eletricidade necessária para acelerar continuamente.

Por consequência, a aceleração é lenta mas constante. O método solar-elétrico permite manobras prolongadas com baixo consumo.

De fato, em comparação com foguetes químicos, a nave gasta 10 vezes menos massa de combustível para o mesmo delta-v.

O asteroide 16 Psyche: núcleo planetário exposto

Por outro lado, o asteroide alvo, 16 Psyche, fica no cinturão principal entre Marte e Júpiter. Conforme a Smithsonian Magazine, o corpo tem entre 30% e 60% de ferro e níquel metálicos.

Asteroide 16 Psyche metálico no cinturão entre Marte e Júpiter
Asteroide 16 Psyche, alvo final da sonda Psyche. Imagem editorial.

Em outras palavras, é o tipo de composição esperada em um núcleo planetário, não em uma rocha do cinturão.

De fato, a teoria principal é que 16 Psyche seja o núcleo exposto de um planeta que nunca se completou.

Para entender a escala, o asteroide mede cerca de 220 km no eixo maior. O formato é irregular, com aspecto de batata estendida.

Além disso, outras sondas já apontaram para asteroides recentemente. A missão chinesa Tianwen-2 estuda um asteroide quase-satélite da Terra com objetivo parecido de coletar amostras.

Por que dizem que 16 Psyche vale US$ 10 quintilhões

De acordo com cálculos repercutidos por revistas científicas, o valor teórico de mercado dos metais em 16 Psyche é de US$ 10 quintilhões. Essa cifra equivale a US$ 10 seguidos de 18 zeros.

De fato, o número assume que todo o metal pudesse ser trazido à Terra e comercializado nos preços atuais. Por outro lado, a logística para isso é hoje inexistente.

Por sua vez, a NASA deixa claro que a missão Psyche é científica. A intenção declarada é entender como núcleos planetários se formaram durante a formação do Sistema Solar.

Em paralelo, derrubar o preço global do ferro extraindo um asteroide inteiro seria efeito colateral indesejado.

Conforme a NASA, esse cenário é hipotético e não está no escopo da missão atual.

Sonda Psyche chega em agosto de 2029, depois de 6 anos de voo

Conforme a NASA, a sonda Psyche chega ao asteroide 16 Psyche em agosto de 2029. A jornada total dura cerca de 6 anos de propulsão iônica contínua.

Sala de controle da NASA monitorando a sonda Psyche
Equipe da NASA monitora a trajetória da espaçonave. Imagem editorial.

De acordo com o cronograma, a sonda orbita o asteroide por pelo menos 26 meses. Esse intervalo permite mapear toda a superfície em vários espectros.

Em outras palavras, a sonda fica em órbita ao redor do alvo até 2031 no mínimo. Por consequência, dados começam a chegar à Terra em 2029 com latência de minutos.

Por consequência, o contraste com missões anteriores aparece direto. A missão Artemis II da NASA, que leva astronautas para órbita da Lua, voa em janelas bem mais curtas.

Por que estudar um núcleo planetário exposto

De fato, o interior dos planetas continua inacessível por exploração direta. Núcleos como o da Terra ficam a milhares de quilômetros abaixo da crosta, sob pressão extrema.

De acordo com a equipe científica, 16 Psyche pode ser a primeira oportunidade de estudar fisicamente um núcleo. Em comparação, todos os modelos atuais dependem de sismologia indireta.

Por outro lado, ainda existe disputa científica. Conforme a Phys.org, parte dos pesquisadores defende que 16 Psyche seja outro tipo de objeto metálico nunca antes catalogado.

Por consequência, a missão pode mudar a base do que sabemos sobre formação planetária.

Comparação: o flyby da sonda em números

  • 4.500 km de altitude no ponto mais próximo de Marte
  • 19.848 km/h de velocidade durante a passagem
  • 3,6 bilhões de km de trajeto total até 2029
  • 30 a 60% de ferro e níquel metálicos em 16 Psyche
  • US$ 10 quintilhões em valor teórico dos metais
  • 26 meses de órbita prevista ao redor do asteroide

Por sua vez, em comparação, a missão DART, que desviou um pequeno asteroide em 2022, durou menos de 12 meses. A escala de Psyche é outra.

De fato, é a primeira sonda da NASA a usar Marte como estilingue para chegar ao cinturão principal.

Ressalva: o flyby da sonda tem janela curta

Conforme o JPL, a janela de aproximação dura apenas algumas horas. A captura de imagens é planejada para o intervalo central.

Por outro lado, parte do plano depende de tudo dar certo. Se o sistema de orientação falhar, a manobra de estilingue pode introduzir erro de trajetória.

Será que o Brasil terá um dia uma sonda interplanetária com instrumentos próprios? A missão Psyche mostra o que é necessário: orçamento de longa duração, tecnologia de propulsão iônica e câmera multispectral científica.

Ainda assim, o cronograma da NASA segue cumprido até agora. O retorno científico começa a chegar a partir de agosto de 2029.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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