Registro do Hubble mostra uma galáxia anã de baixo brilho em meio a estrelas próximas e galáxias distantes, enquanto dados da observação ajudam astrônomos a medir distâncias cósmicas e compreender movimentos causados pela gravidade em grandes estruturas do universo.
Divulgada pela NASA em 27 de maio de 2026, a imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra a galáxia anã irregular ESO 490-017, um sistema estelar de baixo brilho localizado a cerca de 23 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Cão Maior.
Com aproximadamente 12 mil anos-luz de diâmetro, a galáxia aparece de forma discreta no campo observado, como um agrupamento fraco de estrelas visto atrás de astros mais brilhantes, que pertencem ao primeiro plano da cena captada pelo Hubble.
Galáxia anã ESO 490-017 aparece como brilho difuso
Ligada ao baixo brilho superficial da ESO 490-017, a aparência apagada dificulta sua identificação imediata em meio às estrelas mais luminosas que surgem à frente dela, na mesma direção observada pelo telescópio espacial.
-
Tecnologia espacial usada para procurar água em Marte agora caça vazamentos invisíveis sob as ruas de São Paulo, usando satélites, IA e sinais de cloro para ajudar a Sabesp a recuperar até 6,7 bilhões de litros de água
-
Japão envia navio para sugar lama rica em terras raras a quase 6.000 metros de profundidade no Pacífico, tenta levantar 350 toneladas por dia do fundo do mar e transforma sedimentos próximos à ilha de Minamitori em arma estratégica para reduzir dependência da China
-
A Venus Aerospace promete um motor hipersônico de detonação rotativa que leva o Stargazer a Mach 9 e cruza oceanos em 1 hora, mas o voo que fez história mal passou da velocidade do som
-
Estudante brasileira cria fórmula barata que faz planta crescer até 90% mais rápido e ganha prêmio em competição científica mundial
Na composição registrada pelo Hubble, as estrelas próximas se destacam pelos picos de difração, marcas em forma de cruz produzidas pelo sistema óptico do telescópio, enquanto a galáxia anã surge como uma concentração tênue no fundo escuro.
Espalhados ao redor da ESO 490-017, pontos avermelhados, alaranjados e bege indicam galáxias muito mais distantes, algumas com estruturas espirais perceptíveis mesmo em escala reduzida no enquadramento divulgado pela missão espacial.

Esse contraste visual revela a profundidade da observação, já que a mesma imagem reúne estrelas da Via Láctea, uma galáxia relativamente próxima em termos astronômicos e objetos ainda mais remotos no plano de fundo.
Observação do Hubble ajuda a medir distâncias no universo
Mais do que um registro visual, os dados usados na imagem integraram um programa do Hubble voltado ao estudo do movimento de galáxias e aglomerados de galáxias pelo espaço, segundo informou a NASA.
Em grandes escalas, esse deslocamento ocorre porque a matéria no universo não se distribui de maneira uniforme, o que faz a gravidade influenciar a trajetória de galáxias, grupos galácticos e aglomerados ao longo do tempo cósmico.
Para descrever esse movimento coletivo, a NASA usa a expressão “fluxo cósmico”, aplicada às grandes estruturas que se deslocam sob o efeito gravitacional da matéria espalhada pelo universo, inclusive daquela que não aparece diretamente na imagem.
Medir distâncias com precisão torna-se essencial nesse tipo de estudo, pois a posição real de uma galáxia no espaço ajuda a reconstruir a influência gravitacional exercida por estruturas próximas e distantes.
Gigantes vermelhas funcionam como velas padrão
Nesse trabalho de medição, o Hubble tem papel importante por conseguir observar estrelas individuais em galáxias próximas, incluindo gigantes vermelhas de baixa massa, usadas como referência para estimar distâncias astronômicas.
Conhecidas como “velas padrão”, essas estrelas servem como objetos de brilho conhecido, permitindo calcular a distância até elas quando esse valor é comparado ao brilho observado da Terra ou de telescópios em órbita.

No caso da ESO 490-017, a análise das luminosidades dessas gigantes vermelhas ajuda a estabelecer a distância da galáxia com maior confiabilidade, dado essencial para estudos sobre a dinâmica das estruturas cósmicas.
A partir de medições desse tipo em galáxias próximas, pesquisadores conseguem montar um quadro mais preciso da vizinhança cósmica, etapa necessária para compreender como a gravidade molda o deslocamento de sistemas inteiros.
Arquivo do Hubble preserva dados sobre estrelas locais
Além de contribuir para o estudo do fluxo cósmico, o programa de observação gerou um arquivo de referência sobre tipos de estrelas presentes em galáxias locais, conforme informou a equipe da missão Hubble.
Esse acervo permite novas análises a partir dos mesmos dados e amplia o valor científico da observação para além do objetivo inicial de medir distâncias e movimentos em larga escala.
Na imagem da ESO 490-017, dois aspectos centrais da astronomia observacional aparecem reunidos: a capacidade de revelar objetos fracos e distantes e o uso desses registros para investigar forças gravitacionais que organizam o universo.
Embora a galáxia anã surja quase escondida atrás de estrelas mais brilhantes, sua observação oferece informações relevantes sobre a distribuição da matéria e sobre os caminhos percorridos por galáxias no espaço profundo.
Também chama atenção o papel científico de objetos discretos, especialmente quando ajudam a calibrar distâncias e a compreender movimentos que envolvem estruturas muito maiores que a própria galáxia observada.
Com instrumentos capazes de separar estrelas individuais em galáxias próximas, o telescópio segue contribuindo para medições que sustentam mapas mais detalhados do universo local e de sua dinâmica gravitacional.
Assim, a ESO 490-017 deixa de ser apenas uma mancha fraca no fundo do céu e passa a integrar um esforço maior para entender como matéria, gravidade e movimento se combinam na arquitetura cósmica.

-
-
-
-
-
19 pessoas reagiram a isso.