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Tarifaço e gripe aviária não fazem nem cócegas no nosso agro, e 2025 termina com recorde histórico nas exportações

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 19/02/2026 às 17:41 Atualizado em 19/02/2026 às 17:43
Exportações, Agronegócio brasileiro
Imagem: Ilustração artística
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Mesmo com tarifaço de 50% dos Estados Unidos e influenza aviária, o agronegócio brasileiro acumula US$ 155,3 bilhões até novembro de 2025 e caminha para recorde histórico anual

Mesmo sob pressão externa, o agronegócio brasileiro deve fechar 2025 com o maior desempenho da história em vendas internacionais. Entre janeiro e novembro, o setor acumulou US$ 155,3 bilhões em exportações, superando resultados anteriores mesmo diante do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos e da ocorrência de influenza aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul.

O montante representa alta de 1,7% frente aos US$ 152,6 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2024 e avanço de 1,4% sobre o antigo recorde, alcançado em 2023, quando as exportações somaram US$ 137,8 bilhões.

Em dez anos, o salto é ainda mais expressivo: em igual período de 2015, o agro brasileiro havia exportado US$ 81,3 bilhões, o que indica crescimento de 90,9%.

Os números foram divulgados pelos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Complexo soja mantém liderança nas exportações do agronegócio brasileiro

Principal motor das exportações do agronegócio brasileiro, o complexo soja apresentou avanço de 6,8% em volume, alcançando 127,4 milhões de toneladas até novembro, na comparação com o mesmo período de 2024.

Apesar disso, o valor exportado caiu 2,9%, totalizando US$ 50,6 bilhões, reflexo da redução dos preços internacionais.

Mesmo com a queda no faturamento acumulado, dezembro sinaliza recuperação. Nas duas primeiras semanas do mês, a média diária de embarques do grão registrou aumento de 83,11% em relação ao mesmo mês do ano passado, conforme dados do MDIC.

Carnes impulsionam resultado recorde do agronegócio brasileiro

O segmento de carnes também contribuiu de forma decisiva para o desempenho do agronegócio brasileiro.

Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações do setor atingiram US$ 28,6 bilhões, cifra 19,7% superior aos US$ 23,9 bilhões obtidos no mesmo período de 2024, estabelecendo recorde para o intervalo.

A carne bovina lidera esse avanço. Com US$ 14,9 bilhões exportados, o aumento em valor chegou a 39,8%, mesmo diante do acréscimo de 50 pontos porcentuais nas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos entre 6 de agosto e 13 de novembro. O país é o segundo principal destino da proteína brasileira.

Além do crescimento das compras pela China, maior mercado da carne bovina do Brasil, houve redirecionamento das exportações para outros países durante a vigência do tarifaço, inclusive com abertura de mercados inéditos.

Em dezembro, a média diária de exportações de carne bovina na primeira quinzena está 68,5% acima da média diária de dezembro de 2024.

No setor avícola, o impacto da influenza aviária foi mais evidente. Com 4,5 milhões de toneladas exportadas e receita de US$ 8 bilhões em 11 meses, houve retração de 1% no volume e de 3,8% no valor em relação ao ano anterior.

Ainda assim, os embarques mostram reação em dezembro, com média diária 8,9% superior à do mesmo mês do ano passado.

Em maio, foi registrada a primeira ocorrência de influenza aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial, em Montenegro, no Rio Grande do Sul.

O episódio levou 42 países a suspenderem importações de carne de frango do Brasil, do estado ou do município afetado.

Após o país recuperar, em 18 de junho, a declaração de livre da enfermidade, os embargos começaram a ser revogados.

A China retirou a suspensão apenas no início de novembro. Como consequência, as compras chinesas de carne de frango brasileira acumularam queda de 55,3% em volume e de 53,8% em valor nos 11 primeiros meses de 2025 frente ao mesmo período de 2024.

Café amplia receitas no agro brasileiro mesmo com menor volume

O café também enfrentou os efeitos do tarifaço norte-americano, já que os Estados Unidos são o maior comprador do grão brasileiro.

O volume exportado caiu 19,2% até novembro. Ainda assim, a alta dos preços internacionais elevou a receita para US$ 14,4 bilhões, avanço de 28,7% em relação ao ano anterior.

Nas duas primeiras semanas de dezembro, a média diária de vendas externas de café não torrado está 41,9% acima da observada no mesmo mês de 2024, reforçando o movimento de recuperação no fim do ano.

China lidera destinos do agro

A China permanece como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com US$ 52 bilhões em compras até novembro, o equivalente a 33,5% de participação no total exportado pelo setor.

O valor supera mais que o dobro das aquisições de toda a União Europeia, formada por 27 países, que somaram US$ 22,9 bilhões, representando 14,7% do total.

Os Estados Unidos ocupam a terceira posição, com US$ 10,5 bilhões até novembro, mesmo após aplicarem tarifas de 50% sobre grande parte dos produtos agropecuários brasileiros entre agosto e novembro.

Na sequência aparecem Vietnã, com US$ 3,2 bilhões, Índia, com US$ 3,024 bilhões, Indonésia, com US$ 3,016 bilhões, México, com US$ 2,98 bilhões, Japão, com US$ 2,93 bilhões, Turquia, com US$ 2,92 bilhões, e Egito, com US$ 2,8 bilhões.

Esses mercados complementam a diversificação que sustenta o resultado recorde e reforça a capacidade de adaptação do setor diante de crises sanitárias e barreiras comerciais.

Com informações de Gazeta do Povo.

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Romário Pereira de Carvalho

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