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Brasileiros ficam surpresos: miudeza bovina bem inusitada que o Brasil rejeita vira milhões com exportações em massa para os asiáticos

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 19/02/2026 às 17:21 Atualizado em 19/02/2026 às 17:25
Carne bovina, Miudezas bovinas
Imagem: Ilustração
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Exportação de miudezas bovinas rende US$ 604,9 milhões em 2025, alcança 267,3 mil toneladas e fortalece presença do Brasil em 128 países com crescimento de 20,6% no faturamento

O Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, registrou em 2025 um faturamento de US$ 604,9 milhões com a exportação de miudezas bovinas, totalizando 267,3 mil toneladas embarcadas e expansão de 20,6% na receita frente a 2024.

Exportação de miudezas bovinas ganha espaço e diversifica receita do setor

Conhecido internacionalmente pelos cortes nobres como picanha, alcatra e contrafilé, o país também consolida uma frente relevante de negócios com subprodutos menos consumidos internamente.

A exportação de miudezas bovinas inclui vísceras, tripas e órgãos variados que encontram demanda consistente principalmente em mercados da Ásia, África e América Latina.

De acordo com o Instituto Mato-grossense da Carne, muitos desses itens fazem parte de pratos tradicionais ou são utilizados pela indústria alimentícia em diferentes culturas.

Integram esse grupo coração, rins, estômago e intestinos, além de partes da cabeça como bochecha, língua e miolo. Também entram na lista rabo, diafragma, tendões, pâncreas e testículos.

Entre os produtos com maior valor agregado está o vergalho bovino, exportado in natura sob protocolos sanitários rigorosos. Hong Kong é um dos principais destinos desse item, onde a tonelada pode alcançar até US$ 6 mil.

Em algumas tradições asiáticas, como na medicina tradicional chinesa, o órgão é considerado afrodisíaco e utilizado em preparações cozidas e ensopadas, valorizado pela textura e pela capacidade de absorver temperos.

Mercado consolidado sustenta embarques mensais regulares

Segundo Alan Gutierrez, gerente de marketing da SulBeef, a comercialização do vergalho ocorre de forma contínua, com volume médio mensal entre quatro e cinco toneladas.

Para ele, a regularidade comprova que existe um mercado estruturado para esse tipo de subproduto.

A exportação de miudezas bovinas também evidencia a força da pecuária mato-grossense. O estado responde por 23,1% dos embarques nacionais de carne bovina em 2025, mantendo posição de destaque no cenário exportador.

Para Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne, a capacidade de atender diferentes perfis de consumo demonstra organização da cadeia produtiva e potencial de agregação de valor em todas as etapas.

Ele afirma que ampliar o portfólio reduz riscos e fortalece a competitividade da carne produzida no estado no mercado global.

Hong Kong lidera compras e concentra 23,4% do volume exportado

Em 2025, as 267,3 mil toneladas de miúdos bovinos renderam US$ 604,9 milhões ao Brasil. O resultado representou aumento de 20,6% no faturamento em relação ao mesmo período de 2024.

Hong Kong foi o principal destino, absorvendo 23,4% do total exportado e gerando US$ 168,9 milhões em receita.

Apenas para esse mercado, foram enviadas 62,6 mil toneladas de cortes menos nobres, incluindo 8,2 mil toneladas de tripas, 6,7 mil toneladas de língua e mais de meia tonelada de rabo.

Outros importadores relevantes foram a Rússia, com 26,2 mil toneladas de itens como língua, fígado e tripas; o Egito, com 31 mil toneladas; e a Costa do Marfim, que adquiriu 22,3 mil toneladas.

Ao todo, 128 países compraram miudezas do rebanho brasileiro em 2025. No ano anterior, sete novos mercados passaram a importar esses produtos: Filipinas, Indonésia, Marrocos, Tanzânia, Sarawak, São Vicente e Granadinas e Quênia.

A abertura desses destinos reforça a estratégia de diversificação comercial e amplia as oportunidades para o setor, que segue explorando nichos específicos de consumo.

Esse movimento contribui para sustentar a receita do agronegócio e consolidar a presença brasileira em diferentes regiões do mundo, mantendo fluxo constante de embarques e ampliando a base de compradores internacionais.

Com informações de Gazeta do Povo.

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Romário Pereira de Carvalho

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