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Selic menor não basta: juros altos mantêm crédito caro e renda fixa forte

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 18/12/2025 às 10:00
Economistas projetam Selic menor, mas juros altos devem manter crédito caro e sustentar ganhos na renda fixa.
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Economistas projetam Selic menor, mas juros altos devem manter crédito caro e sustentar ganhos na renda fixa.

A inflação no Brasil deve desacelerar ao longo dos próximos meses e abrir espaço para o Banco Central reduzir a taxa básica de juros, a Selic, até o fim de 2026.

A projeção, feita por consultorias econômicas e grandes gestoras de fundos, indica cortes de até três pontos percentuais.

Ainda assim, os juros altos devem continuar impactando o crédito caro e mantendo a renda fixa como uma das aplicações mais atrativas da economia. 

As estimativas consideram o cenário macroeconômico nacional, o compromisso com o ajuste fiscal e fatores externos.

Apesar da expectativa de alívio gradual, especialistas alertam que a queda da Selic não será suficiente para baratear de forma significativa financiamentos de imóveis e veículos. 

Quanto a Selic pode cair, segundo o mercado 

Atualmente em 15% ao ano, a Selic deve encerrar 2026 em torno de 12%, segundo o Boletim Focus do Banco Central, divulgado na última segunda-feira (15).

O relatório reúne a média das projeções de cerca de cem economistas do mercado financeiro. 

Consultorias como Anbima, XP e Bradesco Asset estão entre as mais otimistas. Todas projetam uma redução de até três pontos percentuais ao longo do próximo ano, levando a Selic ao patamar de 12% ao ano. 

Mesmo assim, o Banco Central não sinalizou quando os cortes devem começar.

O mercado se divide entre janeiro, março ou até abril como ponto inicial do ciclo de redução. 

Cronograma de cortes da Selic ainda divide analistas 

A Anbima projeta um início cauteloso, com corte de 0,25 ponto percentual em janeiro, seguido por reduções mais intensas ao longo do primeiro semestre. 

“Apos isso haverá outro corte de 0,25 ponto percentual, depois um de 0,50 e, em seguida, mais dois cortes de 0,25 que levarao a Selic a 12% no final do próximo ano”, afirma a entidade. 

Já o Itaú Asset avalia que cortes mais relevantes devem ocorrer apenas a partir de março. 

“O cenário será um corte de 0,25 ponto percentual, em janeiro ou não. Isso, eu acho, o Banco [Central] pode escolher”, disse Bruno Serra, chefe da família de fundos Janeiro do Itaú Asset. 

Inflação em queda, mas ainda acima da meta 

O Focus também projeta uma inflação mais baixa em 2026, com taxa média de 4,1%.

O número, no entanto, ainda permanece distante do centro da meta oficial, fixado em 3% ao ano. 

Segundo a economista Thais Zara, da 4intelligence, o comportamento dos preços seguirá pressionado. 

“Em 2025 os preços da alimentação em domicílio caíram bastante, o que nao deve se repetir em 2026”, afirma.

“Teremos um ano mais proximo do histórico, o que manterá a inflação pressionada.” 

Crescimento do PIB e câmbio também entram na conta 

Além da inflação, as projeções indicam um crescimento econômico mais modesto.

O PIB deve avançar 1,8% em 2026, abaixo dos 2,25% estimados para este ano. 

O câmbio também preocupa.

A expectativa é de dólar a R$ 5,50 no próximo ano, o que pode pressionar preços e limitar cortes mais agressivos da Selic. 

Ano eleitoral pode influenciar juros e inflação? 

As projeções consideram que o ajuste fiscal continuará ao longo de 2026 e 2027. 

“Nossa premissa de trabalho e que havera ajuste fiscal [em 2026]”, diz Fernando Honorato, da Anbima.

“Enxergamos continuidade na agenda macroeconomica com ajuste fiscal avançando em 2027.” 

Segundo ele, o ambiente internacional representa o principal risco. 

“Tem a decisao da Suprema Corte americana sobre as tarifas impostas pelos EUA ao mundo, a substituicao do presidente do Fed, eleicao de meio de mandato por la e bolha de inteligência artificial”, enumera. 

Ainda assim, Honorato pondera que o impacto eleitoral tende a ser limitado. 

“Os últimos seis ciclos eleitorais não afetaram os preços até uns três meses antes das eleições.” 

Juros altos mantêm crédito caro para casa e carro 

Mesmo com a Selic em queda, os juros altos continuam encarecendo o crédito caro no Brasil. Financiamentos imobiliários, de veículos e empréstimos pessoais seguem com taxas elevadas. 

Para quem deseja comprar um imóvel, especialistas recomendam reforçar a entrada. 

“Em um cenario de Selic alta, as parcelas iniciais tendem a ser mais elevadas, comprometendo a renda familiar por um período considerável”, explica Natalie Verndl, do Corecon-SP. 

No caso dos veículos, a orientação é esperar ou pagar à vista. 

“A depreciação do veículo, combinada com financiamento longo, pode levar o consumidor a pagar por anos um bem que ja perdeu valor”, alerta. 

Renda fixa segue como principal beneficiada 

Por outro lado, o cenário de Selic elevada favorece fortemente a renda fixa.

Títulos atrelados à taxa básica, como o Tesouro Selic, continuam oferecendo retornos atrativos, enquanto a poupança perde competitividade. 

Assim, mesmo com a inflação em desaceleração, o investidor conservador ainda encontra nos juros altos uma oportunidade de rentabilidade com menor risco. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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