Combustível renovável da Petrobras corta emissões e fortalece a transição energética sem adaptações nos veículos.
A Petrobras anunciou o avanço do Diesel-R, um combustível formulado com óleos vegetais e diesel mineral, que promete reduzir drasticamente as emissões de gases poluentes sem exigir mudanças nos veículos.
O produto já é utilizado por grandes consumidores no Brasil, como a Volvo, e faz parte da estratégia da estatal para ampliar a descarbonização e liderar a transição energética por meio de combustíveis renováveis.
Diesel-R reforça estratégia da Petrobras na transição energética
O Diesel-R surge como uma resposta prática da Petrobras às metas ambientais globais e às demandas do mercado por soluções de menor impacto ambiental.
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Embora visualmente e quimicamente muito semelhante ao diesel fóssil, o combustível incorpora óleos vegetais em sua composição.
Atualmente, a mistura conta com 10% de insumos renováveis.
No entanto, a estatal já trabalha para dobrar esse percentual, alinhando o produto à sua agenda de transição energética.
Segundo a CEO da companhia, o Diesel-R representa uma alternativa eficiente por manter a performance do diesel convencional.
Além disso, ele dispensa qualquer tipo de adaptação em motores ou sistemas de abastecimento.
Impacto ambiental e compromisso com a descarbonização
Ao CNN Money, Magda Chambriard destacou os ganhos ambientais do Diesel-R. A executiva enfatizou o papel do combustível na redução das emissões associadas ao transporte e à indústria.
“Nessa parte de óleo vegetal, conseguimos uma redução de emissões de 87%, isso significa uma redução de emissões importante no Brasil e o compromisso da Petrobras com a descarbonização”.
Esse desempenho coloca o Diesel-R como um dos combustíveis renováveis mais promissores no curto prazo, especialmente para empresas que buscam cumprir metas ambientais voluntárias.
Como o Diesel-R é produzido nas refinarias
O processo produtivo do Diesel-R utiliza óleo de soja, semelhante ao óleo de cozinha tradicional. Esse insumo chega às refinarias e passa por um processo de coprocessamento com o diesel mineral.
Durante essa etapa, o combustível passa por hidrotratamento, uma técnica que utiliza hidrogênio para remover impurezas.
Assim, o produto final se torna quimicamente estável e compatível com o diesel S-10 já disponível no mercado.
O resultado é um combustível praticamente indistinguível do diesel fóssil, inclusive em testes laboratoriais.
Clientes estratégicos e uso industrial do Diesel-R
O foco inicial da Petrobras está em grandes consumidores comprometidos com a redução da pegada de carbono.
A Volvo é um dos exemplos mais relevantes dessa adoção.
Na unidade da montadora em Curitiba, a empresa já utiliza o Diesel-R em diferentes etapas do processo produtivo.
“Utilizamos o combustível no primeiro abastecimento de todos os caminhões que saem da fábrica e também em todos os testes realizados dentro da planta”, explica Alan Holzmann, diretor de estratégia e planejamento de produto caminhões da Volvo.
Evolução do Diesel-R e produção sob demanda
O Diesel-R representa uma evolução do Diesel-R10, lançado durante a COP30, quando abasteceu os ônibus que transportaram participantes da cúpula do clima em Belém.
Atualmente, a Petrobras não produz a linha Diesel-R de forma contínua.
A empresa comercializa o produto sob demanda e direciona as vendas exclusivamente a grandes consumidores que buscam reduzir, de forma voluntária, as emissões de carbono.
Na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), a capacidade instalada chega a 60 milhões de litros. Ainda assim, a produção depende diretamente do interesse dos parceiros comerciais.
Desafios técnicos e financeiros do aumento da mistura renovável
Expandir o teor renovável para 20% exige investimentos e ajustes técnicos.
O hidrotratamento do diesel coprocessado demanda mais hidrogênio do que o diesel convencional, tornando o processo mais complexo.
“Por passar por esse processo de remoção de impurezas, ele tem uma condição de estabilidade e dificuldade maior de formação de gomas e outros componentes que podem ser prejudiciais ao motor”, detalha Edson Bruel, gerente de empreendimentos da RPBC.
Além disso, a viabilidade econômica ainda é um desafio.
O biodiesel apresenta preços muito próximos aos do diesel fóssil, o que limita margens e pressiona a competitividade.
Investimentos e foco em combustíveis líquidos
Mesmo diante dos desafios, a Petrobras já planeja novos investimentos. Segundo Magda Chambriard, a companhia avança na implantação da primeira biorrefinaria 100% dedicada a esse tipo de produção no Rio Grande do Sul.
“Ele é tão escalável que nós já estamos investindo, o projeto já está na rua, para a primeira biorrefinaria 100% no Brasil, no Rio grande do Sul”.
A estratégia da estatal para a próxima década seguirá centrada em soluções baseadas em “moléculas”, ou seja, combustíveis líquidos.
Dessa forma, o Diesel-R se consolida como um dos pilares da descarbonização e da transição energética no país.
