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Petrobras desenvolve Diesel-R para acelerar a transição energética

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 18/12/2025 às 09:10
Combustível renovável da Petrobras corta emissões e fortalece a transição energética sem adaptações nos veículos.
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Combustível renovável da Petrobras corta emissões e fortalece a transição energética sem adaptações nos veículos.

Petrobras anunciou o avanço do Diesel-R, um combustível formulado com óleos vegetais e diesel mineral, que promete reduzir drasticamente as emissões de gases poluentes sem exigir mudanças nos veículos.

O produto já é utilizado por grandes consumidores no Brasil, como a Volvo, e faz parte da estratégia da estatal para ampliar a descarbonização e liderar a transição energética por meio de combustíveis renováveis

Diesel-R reforça estratégia da Petrobras na transição energética 

O Diesel-R surge como uma resposta prática da Petrobras às metas ambientais globais e às demandas do mercado por soluções de menor impacto ambiental.

Embora visualmente e quimicamente muito semelhante ao diesel fóssil, o combustível incorpora óleos vegetais em sua composição. 

Atualmente, a mistura conta com 10% de insumos renováveis.

No entanto, a estatal já trabalha para dobrar esse percentual, alinhando o produto à sua agenda de transição energética

Segundo a CEO da companhia, o Diesel-R representa uma alternativa eficiente por manter a performance do diesel convencional.

Além disso, ele dispensa qualquer tipo de adaptação em motores ou sistemas de abastecimento. 

Impacto ambiental e compromisso com a descarbonização 

Ao CNN Money, Magda Chambriard destacou os ganhos ambientais do Diesel-R. A executiva enfatizou o papel do combustível na redução das emissões associadas ao transporte e à indústria. 

“Nessa parte de óleo vegetal, conseguimos uma redução de emissões de 87%, isso significa uma redução de emissões importante no Brasil e o compromisso da Petrobras com a descarbonização”. 

Esse desempenho coloca o Diesel-R como um dos combustíveis renováveis mais promissores no curto prazo, especialmente para empresas que buscam cumprir metas ambientais voluntárias. 

Como o Diesel-R é produzido nas refinarias 

O processo produtivo do Diesel-R utiliza óleo de soja, semelhante ao óleo de cozinha tradicional. Esse insumo chega às refinarias e passa por um processo de coprocessamento com o diesel mineral. 

Durante essa etapa, o combustível passa por hidrotratamento, uma técnica que utiliza hidrogênio para remover impurezas.

Assim, o produto final se torna quimicamente estável e compatível com o diesel S-10 já disponível no mercado. 

O resultado é um combustível praticamente indistinguível do diesel fóssil, inclusive em testes laboratoriais. 

Clientes estratégicos e uso industrial do Diesel-R 

O foco inicial da Petrobras está em grandes consumidores comprometidos com a redução da pegada de carbono.

A Volvo é um dos exemplos mais relevantes dessa adoção. 

Na unidade da montadora em Curitiba, a empresa já utiliza o Diesel-R em diferentes etapas do processo produtivo.

“Utilizamos o combustível no primeiro abastecimento de todos os caminhões que saem da fábrica e também em todos os testes realizados dentro da planta”, explica Alan Holzmann, diretor de estratégia e planejamento de produto caminhões da Volvo.

Evolução do Diesel-R e produção sob demanda 

O Diesel-R representa uma evolução do Diesel-R10, lançado durante a COP30, quando abasteceu os ônibus que transportaram participantes da cúpula do clima em Belém. 

Atualmente, a Petrobras não produz a linha Diesel-R de forma contínua.

A empresa comercializa o produto sob demanda e direciona as vendas exclusivamente a grandes consumidores que buscam reduzir, de forma voluntária, as emissões de carbono.

Na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), a capacidade instalada chega a 60 milhões de litros. Ainda assim, a produção depende diretamente do interesse dos parceiros comerciais. 

Desafios técnicos e financeiros do aumento da mistura renovável 

Expandir o teor renovável para 20% exige investimentos e ajustes técnicos.

O hidrotratamento do diesel coprocessado demanda mais hidrogênio do que o diesel convencional, tornando o processo mais complexo. 

“Por passar por esse processo de remoção de impurezas, ele tem uma condição de estabilidade e dificuldade maior de formação de gomas e outros componentes que podem ser prejudiciais ao motor”, detalha Edson Bruel, gerente de empreendimentos da RPBC. 

Além disso, a viabilidade econômica ainda é um desafio.

O biodiesel apresenta preços muito próximos aos do diesel fóssil, o que limita margens e pressiona a competitividade. 

Investimentos e foco em combustíveis líquidos 

Mesmo diante dos desafios, a Petrobras já planeja novos investimentos. Segundo Magda Chambriard, a companhia avança na implantação da primeira biorrefinaria 100% dedicada a esse tipo de produção no Rio Grande do Sul. 

“Ele é tão escalável que nós já estamos investindo, o projeto já está na rua, para a primeira biorrefinaria 100% no Brasil, no Rio grande do Sul”. 

A estratégia da estatal para a próxima década seguirá centrada em soluções baseadas em “moléculas”, ou seja, combustíveis líquidos.

Dessa forma, o Diesel-R se consolida como um dos pilares da descarbonização e da transição energética no país. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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