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Secas e cheias extremas dobraram no planeta desde 1901, aponta estudo com 1.300 bacias hidrográficas que revela pressão crescente sobre agricultura, rios, solos, ecossistemas e abastecimento de água

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 15/06/2026 às 23:24
Atualizado em 15/06/2026 às 23:26
Secas e cheias extremas dobraram desde 1901, aponta estudo com 1.300 bacias hidrográficas sobre o ciclo da água.
Secas e cheias extremas dobraram desde 1901, aponta estudo com 1.300 bacias hidrográficas sobre o ciclo da água.
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Estudo internacional aponta que eventos extremos ligados à água ficaram duas vezes mais frequentes desde a era pré-industrial, com secas, cheias, perda de umidade do solo e pressão crescente sobre agricultura, ecossistemas e abastecimento em diferentes regiões do planeta hoje

Secas e cheias extremas ficaram aproximadamente duas vezes mais frequentes no mundo desde a era pré-industrial, aponta um estudo internacional que analisou cerca de 1.300 bacias hidrográficas entre 1901 e 2019, revelando instabilidade crescente no ciclo global da água.

Secas e cheias avançam juntas no ciclo da água

A pesquisa foi realizada no âmbito do projeto europeu AQUAGUARD e avaliou fluxos dos rios e umidade do solo por mais de um século. O levantamento indica transformação no comportamento da água doce, impulsionada principalmente pelas mudanças climáticas.

O resultado central mostra que o planeta não enfrenta apenas falta de água. Em muitas regiões, os extremos se alternam: períodos de seca severa convivem com episódios de chuva excepcional, sinal de que o sistema hídrico está perdendo estabilidade.

Esse movimento preocupa porque afeta rios, lagos, solos, agricultura, ecossistemas e abastecimento. A aceleração recente reforça que a adaptação hídrica deixou de ser tema distante.

Água invisível no solo amplia o risco para a agricultura

O estudo chama atenção para dois tipos de recurso hídrico. A água azul inclui rios, reservatórios e aquíferos, mais visíveis no debate público. A água verde corresponde à umidade retida no solo, essencial para plantas, florestas e lavouras de sequeiro.

Essa reserva invisível sustenta parte importante da produção de alimentos. Quase 60% da agricultura mundial depende diretamente da chuva e da umidade do solo. Quando essa retenção diminui, as plantações ficam mais expostas, mesmo com reservatórios aceitáveis.

Por isso, olhar apenas para rios e represas pode esconder o tamanho real do problema. A perda de umidade do solo pode reduzir produtividade agrícola, afetar a biodiversidade e degradar ecossistemas antes que a escassez apareça no abastecimento urbano.

Regiões secam enquanto áreas boreais ficam mais úmidas

A análise identificou diferenças marcantes entre regiões. Zonas tropicais e subtropicais apresentam tendência crescente a condições mais secas, justamente em áreas que já convivem com estresse hídrico. Nessas regiões, secas mais fortes pressionam agricultura e ecossistemas.

Em sentido oposto, áreas do norte da Europa, Canadá e Rússia registram umidade anormalmente frequente. O aumento da água nessas zonas não significa necessariamente alívio ambiental, porque pode acelerar processos perigosos nas regiões boreais.

A umidade favorece o degelo do permafrost, camada de solo permanentemente congelada que armazena grandes volumes de carbono. Quando descongela, esse solo libera dióxido de carbono e metano, gases que intensificam o aquecimento global.

Ação humana agrava extremos em várias bacias

Embora as mudanças climáticas sejam apontadas como fator, atividades humanas ampliam o desequilíbrio em determinadas regiões. Extração intensiva para irrigação, expansão urbana e transformação de ecossistemas naturais podem reduzir ou anular ganhos sazonais de água.

Em partes da Ásia Central e da Índia, alterações climáticas poderiam elevar ligeiramente a disponibilidade de água em certos períodos. Porém, irrigação intensiva, cidades em crescimento e mudanças no uso da terra superam esse possível benefício.

A exploração de aquíferos acima da capacidade natural de reposição também reduz reservas estratégicas. Cidades impermeabilizadas, áreas desmatadas e zonas úmidas degradadas perdem capacidade de absorver, armazenar e liberar água de maneira equilibrada.

Inundações também revelam falhas na segurança hídrica

Chuvas intensas nem sempre indicam abundância de água. Em muitos casos, as inundações mostram que o território perdeu capacidade de regular o excesso hídrico. Solos degradados absorvem menos, áreas pavimentadas aceleram escoamento e rios modificados reduzem contenção natural.

Assim, muita água cai em pouco tempo, escoa rapidamente e pode chegar ao mar sem recarregar aquíferos ou ficar disponível para períodos secos. A mesma região pode enfrentar enchentes em uma estação e restrições depois.

Esse padrão já aparece em áreas do Mediterrâneo, da América do Norte e em partes da Ásia. Para reduzir riscos, países têm adotado restauração de zonas úmidas, recuperação de matas ciliares, irrigação mais eficiente, reutilização de água e monitoramento.

A gestão da água precisa considerar clima, agricultura, biodiversidade, energia e uso do solo como partes conectadas. A segurança hídrica depende de entender essa rede antes que extremos se tornem mais difíceis de prever.

Você percebe impactos de secas, enchentes ou mudanças no regime de chuvas na sua região, no campo, na cidade ou no abastecimento de água? Conte nos comentários como essa realidade aparece no seu dia a dia e quais medidas locais parecem mais urgentes para reduzir riscos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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