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Brasil entrega barragem gigante de R$ 365,7 milhões no Rio Grande do Sul, capaz de formar lago artificial com 138 milhões de m³ de água, o equivalente a 55,3 mil piscinas olímpicas e área maior que 2,5 mil campos de futebol

Escrito por Ana Alice
Publicado em 13/06/2026 às 16:54
Atualizado em 13/06/2026 às 16:57
Barragem Jaguari, no RS, recebe R$ 365,7 milhões para ampliar irrigação, reforçar segurança hídrica e enfrentar perdas climáticas. (Imagem: Ilustrativa)
Barragem Jaguari, no RS, recebe R$ 365,7 milhões para ampliar irrigação, reforçar segurança hídrica e enfrentar perdas climáticas. (Imagem: Ilustrativa)
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Estrutura hídrica em São Gabriel reúne investimento milionário, reservatório de grandes proporções e etapas técnicas que ainda definem quando a água chegará às áreas agrícolas previstas no projeto.

O governo do Rio Grande do Sul entregou, em 01 de abril de 2026, a estrutura principal da Barragem Jaguari, em São Gabriel, na Fronteira Oeste.

A obra recebeu R$ 365,7 milhões em investimentos estaduais e federais e foi planejada para ampliar a oferta de água para irrigação, reduzir perdas provocadas por estiagens e ajudar no controle de cheias na região.

A barragem fica no distrito de Suspiro, na divisa com Lavras do Sul, e foi construída sobre o arroio Jaguari.

A conclusão da estrutura principal foi anunciada pelo governador Eduardo Leite, pelo vice-governador Gabriel Souza e pela secretária estadual de Obras Públicas, Izabel Matte, conforme informações divulgadas pelo governo estadual.

Dos R$ 365,7 milhões aplicados na obra, R$ 249 milhões foram aportados pelo governo do Rio Grande do Sul.

Desse montante, R$ 122 milhões saíram do Tesouro Estadual e R$ 127 milhões vieram do Fundo de Investimento em Recursos Hídricos.

A União repassou outros R$ 116,7 milhões para a construção.

Barragem Jaguari deve atender municípios da Campanha e da Fronteira Oeste

A Barragem Jaguari deve beneficiar mais de 100 mil habitantes de São Gabriel, Lavras do Sul e Rosário do Sul, segundo o governo estadual.

Integrada à Barragem Taquarembó, em construção em Dom Pedrito, a estrutura também deve compor um sistema voltado ao atendimento de Cacequi e Sant’Ana do Livramento, onde vivem mais 95,6 mil pessoas.

Com 25 metros de altura e mais de um quilômetro de extensão, a barragem poderá formar um reservatório com mais de 138 milhões de metros cúbicos de água.

Barragem tem 25 metros de altura, se estende por mais de um quilômetro e formará lago artificial de 138 milhões de m³ de água - Foto: Divulgação Sultepa
Barragem tem 25 metros de altura, se estende por mais de um quilômetro e formará lago artificial de 138 milhões de m³ de água – Foto: Divulgação Sultepa

O volume foi comparado pelo Estado a cerca de 55,3 mil piscinas olímpicas.

A área alagada prevista é de 1.798 hectares, dimensão equivalente a mais de 2,5 mil campos de futebol.

A estrutura foi construída principalmente com argila compactada, material usado em barragens por sua baixa permeabilidade.

O projeto também prevê filtros, sistemas de drenagem, revestimento com pedras no lado do reservatório e cobertura vegetal na face oposta, recursos voltados à proteção contra erosão e à manutenção da estabilidade do barramento.

Em declaração divulgada pelo governo estadual, a secretária Izabel Matte afirmou que a entrega representa “um grande instrumento de incentivo da economia e de proteção contra as crises climáticas”.

A fala foi feita no contexto da conclusão de uma obra que passou por paralisações, adequações ambientais e revisões contratuais desde o início da construção.

Irrigação ganha peso no debate sobre perdas no campo gaúcho

A entrega da estrutura ocorre em um período de perdas frequentes na agropecuária gaúcha causadas por eventos climáticos.

Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul aponta que, entre 2020 e 2024, produtores rurais deixaram de faturar R$ 106,6 bilhões em razão de quebras associadas ao clima.

No mesmo intervalo, conforme dados atribuídos à Farsul, o Rio Grande do Sul perdeu 40,6 milhões de toneladas de grãos, considerando arroz, milho, soja e trigo.

A entidade também estimou que a economia estadual deixou de gerar R$ 319,2 bilhões em Produto Interno Bruto, valor equivalente a 49% do PIB gaúcho de 2023.

Nesse cenário, o governo estadual apresenta a Barragem Jaguari como uma obra para ampliar a previsibilidade no uso da água.

Quando estiver em operação, o reservatório deverá permitir que áreas hoje sem acesso à irrigação recebam água de forma controlada, especialmente em períodos de estiagem.

Além da função voltada ao campo, a barragem também foi planejada para atuar como reguladora do volume de água nos cursos d’água da região.

Segundo o governo do Estado, esse controle pode reduzir oscilações ao longo do ano e contribuir para o manejo hídrico em momentos de seca ou chuva intensa.

São Gabriel tem ampliado sua área agrícola nos últimos anos.

De acordo com dados divulgados pelo governo estadual, o município conta com 137 mil hectares plantados de soja, aumento de quase 50% em dez anos.

Ao lado do arroz, a cultura representa mais de 90% da área colhida no município.

A irrigação é citada pelo Estado como um dos fatores de aumento de produtividade no campo.

Conforme a publicação oficial sobre a obra, esse recurso pode elevar em 3,5 vezes a produção de arroz e dobrar a de soja nas áreas atendidas, embora atualmente esteja presente em apenas 3,5% da área agrícola gaúcha.

Construção da Barragem Jaguari começou em 2009 e teve paralisação

A Barragem Jaguari foi anunciada em 2008, depois de reuniões com produtores rurais, prefeituras, comitês de bacias e entidades ligadas ao setor agropecuário.

As obras começaram em 2009, mas foram interrompidas em 2012.

A retomada ocorreu apenas em 2018, seis anos depois da paralisação.

Entre os entraves apontados pelo governo estadual estavam adequações a novas legislações, exigências ambientais e limitações do contrato original, que não contemplava todos os serviços identificados durante a execução.

Ao longo do período, o gerenciamento do projeto passou por diferentes secretarias até retornar à Secretaria de Obras Públicas.

Nos dez primeiros anos, 44% da obra foram executados, segundo o governo estadual.

De 2019 a 2022, o avanço foi de 21 pontos percentuais.

A etapa final, correspondente aos 35% restantes, ocorreu entre 2023 e 2026, quando a estrutura principal foi concluída.

A Procuradoria-Geral do Estado também atuou no processo, com pareceres e participação em etapas administrativas, judiciais e de controle.

Em manifestação divulgada pelo governo estadual, o procurador-geral Eduardo Cunha da Costa disse que a conclusão da obra resultou de uma atuação jurídica “contínua, firme e técnica” da PGE-RS ao longo de mais de uma década.

Segundo o procurador-geral, o processo envolveu entraves contratuais, paralisações, exigências ambientais supervenientes e reestruturações administrativas.

Ele afirmou ainda que coube à PGE-RS assegurar a legalidade dos atos e a defesa do interesse público durante a retomada e a conclusão do empreendimento.

Operação da barragem ainda depende de testes, licenças e canais

A entrega realizada em abril de 2026 corresponde à estrutura principal da barragem.

A operação plena ainda depende de testes, implantação de sistemas complementares, licenciamento e construção dos canais de irrigação, que serão responsáveis por levar a água do reservatório até as áreas agrícolas.

A primeira etapa após a conclusão inclui testes iniciais de enchimento.

De acordo com o governo estadual, esse procedimento será feito de forma lenta, gradual e controlada, até a profundidade de cinco metros, com duração prevista de até 18 meses.

O objetivo é avaliar riscos e identificar eventuais anomalias na estrutura.

Outra fase prevê a implantação do sistema hidráulico de saída controlada da água.

Esse conjunto de equipamentos será responsável por permitir o enchimento completo do reservatório com segurança e por conectar a barragem às futuras estruturas de distribuição.

Com a aprovação dos testes e a conclusão das melhorias necessárias, o próximo passo será a obtenção da Licença de Operação e de outras autorizações legais.

Somente depois dessas etapas a Jaguari estará formalmente apta a fornecer água para irrigação.

A expectativa informada pelo governo estadual é que as atividades comecem em 2027 e que os primeiros impactos sejam percebidos na safra de 2028.

Essa previsão depende do avanço das etapas técnicas e legais ainda pendentes.

@governodors

Uma nova gigante na Campanha gaúcha! 🤩 Com mais de 25 metros de altura e cerca de um quilômetro de extensão, está de pé a Barragem Jaguari, estrutura tão aguardada que vai beneficiar mais de 100 mil habitantes de Rosário do Sul, São Gabriel e Lavras do Sul. 👉 Reservatório de água em tempos de seca e também de controle em tempos de cheia, a nova barragem vai trazer mais segurança climática e capacidade de irrigação na produção agropecuária da região. ⏳ Com a estrutura pronta, agora se inicia a fase de testes antes do pleno funcionamento.

♬ som original – Governo RS

Canais de irrigação serão necessários para levar água às lavouras

A implantação dos canais de irrigação será uma das fases essenciais para que a barragem cumpra sua finalidade agrícola.

O governo estadual informou que já estão em andamento a seleção da empresa responsável pelo anteprojeto dos canais e os levantamentos para elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental.

Esses estudos têm a função de avaliar riscos ambientais e indicar medidas de prevenção ou mitigação.

Sem os canais, a barragem poderá armazenar água, mas não conseguirá distribuir o volume de forma ampla às áreas agrícolas previstas no projeto.

O reservatório terá liberação regulada por tomada d’água, válvulas e comportas operadas a partir da casa de comando.

A água poderá seguir por um canal de desvio, usado para enchimento ou esvaziamento seguro do lago, ou ser encaminhada ao sistema de irrigação quando essa estrutura estiver concluída.

Caso o reservatório alcance a capacidade máxima, o excedente deverá escoar pelo vertedor, equipamento usado para controlar a vazão.

Depois, a água passará por um canal de descarga e por uma bacia de dissipação de energia antes de retornar ao leito natural, procedimento previsto para reduzir a força do fluxo.

O funcionamento completo da Barragem Jaguari dependerá, portanto, da conclusão de etapas que vão além da estrutura já entregue.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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