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EUA vão enterrar até cinco poços inclinados sob o fundo do Pacífico para criar tomada subterrânea de dessalinização que vai puxar água salgada e produzir 19 milhões de litros de água potável por dia

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 15/06/2026 às 23:40
Atualizado em 15/06/2026 às 23:47
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Projeto de dessalinização no sul da Califórnia aposta em captação subterrânea sob o Pacífico para transformar água salgada em abastecimento local, com poços inclinados enterrados, descarte controlado de salmoura e operação prevista para reforçar a segurança hídrica da região.

Os Estados Unidos avançam com um projeto de dessalinização no sul da Califórnia que prevê captar água salgada por até cinco poços inclinados instalados sob Doheny State Beach e o fundo do Oceano Pacífico, em Dana Point, no Condado de Orange.

Planejada para produzir até 5 milhões de galões de água potável por dia, a planta Doheny Ocean Desalination Project é conduzida pelo South Coast Water District e terá capacidade equivalente a aproximadamente 18,9 milhões de litros diários.

Em vez de recorrer a uma tomada oceânica aberta, comum em parte dos sistemas de dessalinização, a proposta adota uma captação de subsuperfície, na qual a água entra por poços enterrados antes de chegar ao tratamento.

Nesse modelo, o mar alimenta os poços inclinados por baixo do leito oceânico, enquanto a água atravessa solo e sedimentos antes de seguir para a unidade terrestre responsável pela remoção de sais.

Segundo o distrito responsável, a solução é considerada ambientalmente preferida porque diminui a sucção direta sobre organismos marinhos e reduz a necessidade de estruturas aparentes de captação dentro do oceano.

Previsto para Dana Point, perto de Doheny State Beach e de San Juan Creek, o projeto ficará em uma área já conectada à infraestrutura hídrica regional, fator importante para distribuir a água tratada.

A California State Lands Commission descreve a iniciativa como uma instalação de dessalinização oceânica composta por captação subterrânea, tubulações de condução, planta de tratamento, descarte de salmoura e outras estruturas associadas.

Como a tomada subterrânea vai captar água do Pacífico

A partir de dois ou três pontos de acesso em Doheny State Beach, os poços inclinados devem avançar em direção ao mar e formar a tomada subterrânea usada para captar a água salgada.

De acordo com relatório da California State Lands Commission, essas estruturas devem se estender de 600 a 900 pés a partir das cabeças dos poços e terminar entre 75 e 130 pés abaixo do fundo oceânico.

Com essa configuração, a entrada de água salgada ficará escondida sob a praia e sob o fundo marinho, sem uma torre de captação visível no oceano ou uma estrutura aberta sujeita à sucção direta.

Depois da captação, a água seguirá para a planta de dessalinização, onde passará por etapas de tratamento destinadas a remover sais e outros componentes antes de ser integrada ao abastecimento como água potável.

Na fase inicial, a capacidade prevista é de 5 milhões de galões por dia, volume que posiciona o projeto como uma fonte local relevante para uma região pressionada por seca, importação de água e riscos sísmicos.

O mesmo relatório informa que a operação exigirá cerca de 10 milhões de galões diários de água de alimentação, com recuperação aproximada de 50%; o restante será salmoura e fluxos de processo destinados a descarte controlado.

Dessalinização na Califórnia busca reduzir dependência de água importada

Para o South Coast Water District, a principal justificativa do projeto é ampliar a segurança hídrica em uma região vulnerável a secas, interrupções no fornecimento importado e impactos de terremotos sobre sistemas de distribuição.

A agência afirma que a planta deve criar uma fonte local, sustentável e mais resistente a períodos de escassez, além de funcionar como reforço em emergências que afetem o abastecimento vindo de outras regiões.

Também no relatório da California State Lands Commission, o papel estratégico do empreendimento aparece associado à dependência de água importada e à previsão de aumento da demanda no território atendido pelo distrito.

O documento registra que o distrito importa a maior parte de sua água e projeta alta de 11% na demanda, além de crescimento populacional de 7% ao longo de 25 anos.

Ainda assim, a dessalinização não foi apresentada como substituta de medidas de eficiência, conservação ou reaproveitamento, mas como uma peça adicional dentro de uma estratégia mais ampla de abastecimento.

O relatório informa que o projeto foi proposto junto de conservação, uso de água reciclada para irrigação, detecção automatizada de vazamentos e uma unidade de recuperação de água subterrânea salobra.

Salmoura terá descarte misturado antes de voltar ao mar

Entre os pontos mais sensíveis em projetos de dessalinização está o destino da salmoura, resíduo mais concentrado que sobra depois da retirada do sal e exige controle ambiental antes de retornar ao oceano.

No caso de Doheny, o South Coast Water District informa que esse fluxo será misturado a efluente tratado no emissário San Juan Outfall e lançado a cerca de duas milhas da costa.

Ao combinar salmoura e efluente tratado, os órgãos envolvidos defendem um descarte com maior diluição antes do retorno ao mar, dentro das exigências aplicáveis a instalações de dessalinização oceânica na Califórnia.

A California State Lands Commission afirma que o descarte combinado é compatível com a emenda do Ocean Plan da Califórnia para instalações de dessalinização de água do mar.

Como parte da regulação estadual, o San Diego Regional Water Quality Control Board aprovou em 2022 uma permissão que exige compensação por possível impacto da descarga de salmoura no ambiente costeiro.

Essa compensação inclui a criação de 7,45 acres de mitigação em área úmida no projeto South Los Cerritos Wetlands Restoration, medida vinculada aos impactos potenciais do descarte combinado no oceano.

Além da mitigação, a autorização prevê monitoramento da qualidade da água perto do emissário, acompanhamento da pluma de descarga e tecnologia para identificar marcadores fecais relacionados a possíveis riscos sanitários em áreas recreativas.

Planta de dessalinização de Doheny tem operação prevista para 2029

No cronograma oficial do South Coast Water District, as etapas de design, construção e testes de desempenho aparecem entre 2023 e 2028, enquanto a entrada em operação da planta está prevista para 2029.

Permissões e servidões aparecem no calendário de 2022, e o desenvolvimento do modelo de projeto, construção, operação e manutenção foi registrado entre 2023 e 2024, conforme a programação do distrito.

O empreendimento recebeu US$ 40,1 milhões em subsídios, segundo o South Coast Water District, em uma combinação de recursos federais e estaduais destinados a apoiar a implantação da estrutura.

Entre os valores informados, há uma parcela adicional de US$ 7,749 milhões obtida em junho de 2024 por meio do programa WaterSMART Grants for Desalination Construction Projects, ligado ao Bureau of Reclamation.

A planta de Doheny é descrita pelo distrito como a primeira instalação de dessalinização oceânica totalmente compatível com a emenda do California Ocean Plan a usar captação por subsuperfície e descarga de salmoura misturada.

Esse plano estadual estabelece medidas de localização, tecnologia, projeto e mitigação para reduzir impactos sobre a vida marinha, além de impor critérios para o controle de descargas oceânicas associadas à dessalinização.

Em uma etapa futura, o projeto tem potencial regional de expansão para até 15 milhões de galões por dia, embora qualquer ampliação dependa de novas fases técnicas, ambientais e regulatórias.

A autorização analisada pela California State Lands Commission trata da fase inicial de 5 milhões de galões por dia, e qualquer crescimento além disso exigirá avaliação adicional sob a legislação ambiental da Califórnia.

Fora da vista do público, a parte mais incomum do projeto ficará sob a praia e sob o oceano, onde poços inclinados enterrados sob o fundo do Pacífico formarão a entrada subterrânea da água salgada.

Essa solução conecta uma obra quase invisível na superfície a uma planta terrestre de tratamento, com o objetivo de reforçar o abastecimento de água potável no sul da Califórnia sem depender apenas de fontes importadas.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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