Drone criado por pesquisadores na Holanda consegue retornar ao ponto de origem sem GPS usando um método inspirado nas abelhas.
Um novo sistema de navegação criado por pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, permitiu que um drone retornasse sozinho ao local de origem sem depender de GPS, mapas digitais ou computadores de alta capacidade. A solução, chamada Bee-Nav, foi desenvolvida a partir da observação do comportamento das abelhas e já demonstrou resultados promissores em testes realizados em ambientes internos e externos.
A proposta busca resolver um desafio comum na navegação autônoma: manter a orientação mesmo em locais onde sinais de posicionamento não estão disponíveis ou apresentam falhas. Para isso, os cientistas reproduziram uma estratégia semelhante à utilizada por esses insetos durante seus deslocamentos.
O que motivou o desenvolvimento da tecnologia
A origem da pesquisa está na capacidade de orientação das abelhas. Apesar do tamanho reduzido de seus cérebros, esses insetos conseguem se afastar consideravelmente de seus ninhos em busca de alimento e depois retornar ao ponto de origem com precisão.
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Segundo informações divulgadas pelo portal New Atlas, uma abelha pode percorrer até 3 quilômetros durante essa busca. Ainda assim, consegue localizar o caminho de volta sem recorrer a qualquer ferramenta semelhante às utilizadas pelos seres humanos.
Essa habilidade despertou o interesse dos cientistas, que decidiram investigar como esse processo poderia ser adaptado para sistemas robóticos.
Como o drone aprende a se localizar
Em vez de depender de infraestrutura externa, o equipamento utiliza informações coletadas pelo próprio ambiente ao seu redor.
Antes de iniciar uma missão mais longa, a aeronave realiza um reconhecimento inicial da área próxima ao local de partida. Durante essa etapa, registra referências visuais que serão utilizadas posteriormente.
Esses registros são processados por uma rede neural compacta, responsável por auxiliar o sistema a identificar sua posição relativa em relação ao ponto de origem.

Além disso, o equipamento acompanha continuamente o deslocamento realizado durante o voo. A combinação desses dois conjuntos de informações permite estimar a rota necessária para retornar.
Baixo consumo de memória é um dos diferenciais do drone
Um dos aspectos mais destacados pelos pesquisadores foi a eficiência computacional alcançada pelo sistema.
Enquanto diversas tecnologias de navegação dependem de grande capacidade de armazenamento e processamento, o Bee-Nav operou com volumes extremamente reduzidos de memória.
Os testes registraram números como:
- 3,4 KB de memória em algumas demonstrações;
- Até 42 KB nos experimentos mais avançados;
- Funcionamento sem computadores complexos embarcados;
- Uso de redes neurais compactas.
Esse resultado pode abrir espaço para a aplicação da tecnologia em equipamentos menores e mais leves.
Resultados dos testes realizados
Para avaliar o desempenho da solução, a equipe submeteu o sistema a diferentes cenários de operação. Os voos incluíram ambientes fechados e áreas externas, com percursos superiores a 600 metros.
Nos espaços internos, especialmente em estruturas amplas como hangares, o desempenho foi considerado totalmente satisfatório. Já nos testes ao ar livre surgiram fatores que influenciaram diretamente o resultado.
As condições de vento alteraram o comportamento da aeronave durante o deslocamento, afetando a forma como as referências visuais eram percebidas. Mesmo diante desse desafio, o índice de sucesso permaneceu próximo de 70%.

Os pesquisadores destacam que os resultados demonstram potencial para futuras aplicações práticas.
Onde o “drone abelha” pode ser utilizado?
A navegação autônoma desenvolvida pelos cientistas pode ser útil em operações realizadas em locais onde o GPS apresenta limitações ou indisponibilidade.
Entre as aplicações mencionadas pela equipe estão:
- Monitoramento de cultivos em ambientes fechados;
- Inspeção de instalações industriais;
- Operações logísticas em centros de armazenamento;
- Acompanhamento de áreas ambientais;
- Coordenação de grupos de aeronaves autônomas.
Como o sistema demanda poucos recursos computacionais, existe a expectativa de que ele possa equipar plataformas menores e operar com maior segurança em locais próximos a pessoas.
Além dos avanços voltados à robótica, o estudo oferece uma oportunidade para compreender melhor como os insetos realizam tarefas complexas de orientação.
Ao reproduzir artificialmente estratégias encontradas na natureza, os cientistas conseguem analisar mecanismos que ainda despertam interesse da comunidade acadêmica.
A pesquisa sugere que soluções eficientes nem sempre dependem de grandes estruturas computacionais. Em alguns casos, observar como organismos pequenos resolvem desafios cotidianos pode indicar caminhos para o desenvolvimento de novas tecnologias.
Com informações do Olhar Digital
