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Rússia acelera internet fechada: após 37 mil horas de apagões em 2025 e prejuízo de quase US$ 12 bilhões, Putin bloqueia WhatsApp e Telegram, caça VPNs e empurra o app estatal Max, monitorado pelo FSB, detonando economia e derrubando apoio político antes das eleições

Escrito por Carla Teles
Publicado em 24/04/2026 às 19:17
Atualizado em 24/04/2026 às 19:21
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Censura na internet e apagão de internet: bloqueio do Telegram, caça a VPN e app Max mudam a comunicação na Rússia e pressionam economia e política.
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Com censura na internet e apagão de internet chegando a Moscou e São Petersburgo, o Kremlin amplia bloqueio do Telegram, reforça caça a VPN e tenta puxar a população para o app Max pré-instalado, enquanto defende “segurança” na TV estatal e enfrenta reação até dentro da própria base.

A Rússia está desligando a própria internet, com apagões que, segundo relatos de moradores, passaram a interromper por horas, dias e até semanas a conexão e até serviços básicos como ligações e envio de SMS em grandes cidades como Moscou e São Petersburgo. Em 23 de abril, Vladimir Putin foi à televisão estatal para defender a continuidade dos cortes, dizendo que a medida busca “proteger a sociedade russa” e priorizar a segurança dos cidadãos.

O movimento vai além de falhas pontuais: o WhatsApp foi bloqueado em fevereiro, o Telegram caiu a partir de 1º de abril, e as VPNs estão sendo caçadas uma a uma, enquanto o governo incentiva a migração para o Max, um aplicativo estatal de mensagens que vem pré-instalado em aparelhos vendidos no país e é descrito como integrado a serviços governamentais. O pano de fundo é uma escalada de controle informacional em um país em guerra, com custo econômico alto e sinais de desgaste político a poucos meses das eleições legislativas.

Internet em apagões: como os cortes saíram da fronteira e chegaram ao coração das metrópoles

Até o início de 2026, os cortes de internet eram mais comuns em regiões próximas à fronteira com a Ucrânia, como Belgorod, Briansk, Kirsky e áreas perto de bases militares estratégicas. A justificativa operacional citada é que drones ucranianos de longo alcance usam redes de telefonia móvel para navegação sobre alvos dentro da Rússia, e que derrubar o sinal nas regiões de risco atrapalharia esse guiamento.

A partir de março, porém, o padrão mudou: apagões passaram a atingir o centro de Moscou e o centro de São Petersburgo, cidades a centenas de quilômetros da fronteira ucraniana mais próxima. Nessa fase, o impacto deixou de ser apenas militar e virou cotidiano, com relatos de moradores que não conseguiam nem fazer chamadas nem enviar SMS por dias seguidos.

WhatsApp bloqueado e Telegram derrubado: por que o golpe foi maior do que parece

No dia 12 de fevereiro, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, anunciou o bloqueio completo do WhatsApp em território russo. A justificativa oficial foi que a Meta, dona do aplicativo, não cumpriu exigências da legislação russa. Junto do anúncio, o governo sugeriu que os cidadãos migrassem para o Max, o mensageiro estatal.

Em 1º de abril, veio o bloqueio do Telegram, descrito como o golpe mais pesado para os russos. Criado pelo russo Pavel Durov, o Telegram era apontado como o aplicativo de mensagens mais usado no país e tinha funções práticas e estratégicas: era canal de comunicação entre soldados no front e suas famílias, servia para prefeituras próximas à zona de conflito emitirem alertas de ataque aéreo e sustentava a “blogosfera militar” russa, tanto pró-Kremlin quanto crítica.

O Max pré-instalado: o que é o app estatal e por que ele virou peça central do plano

O Max é descrito como um aplicativo de mensagens desenvolvido pela Roscon Nadzor, a agência estatal russa de telecomunicações. Ele vem pré-instalado em todos os dispositivos vendidos na Rússia e é integrado a serviços governamentais, escolares e bancários, ampliando o incentivo prático para que a população o use no dia a dia.

Especialistas de segurança citados no material apontam o Max como monitorado pelo FSB, o serviço de segurança herdeiro da KGB. Pavel Durov afirmou que a Rússia estaria restringindo o Telegram para forçar os cidadãos a migrarem para um aplicativo controlado pelo Estado, projetado especificamente para vigilância e censura política. Há relatos de que até altos funcionários russos mantêm aparelhos e chips separados para usar o Max, justamente por não confiarem na segurança do próprio aplicativo promovido pelo governo.

Caça às VPNs e pressão sobre lojas de apps: como o Kremlin fecha as rotas de fuga

Somado aos bloqueios de mensageiros, o Ministério do Desenvolvimento Digital russo confirmou em março que executa uma campanha sistêmica para reduzir o uso de VPNs. O material afirma que mais de 400 serviços de VPN já foram bloqueados até meados de janeiro, indicando um esforço contínuo para cortar as ferramentas que permitiam contornar a censura.

Outro ponto citado é a participação de plataformas de distribuição: a Apple, atendendo a uma ordem judicial russa, retirou da App Store as VPNs que ajudavam a driblar as restrições. Para analistas mencionados, a estratégia não é apenas impedir acesso a sites e apps, mas tentar “reeducar” os russos sobre como usar a internet, limitando tanto as plataformas quanto os meios de evasão.

O argumento dos drones e a controvérsia técnica que enfraquece a justificativa

Ao defender os cortes em 23 de abril, Putin disse apoiar as medidas quando ligadas a operações para prevenir ataques terroristas. O argumento apresentado é que drones ucranianos de médio e longo alcance, principalmente os que atingem refinarias e depósitos de combustível, usam em parte redes móveis 4G para guiamento, e que derrubar o sinal na área alvo degradaria essa capacidade.

O material, porém, aponta um problema técnico nessa explicação: a maior parte dos drones ucranianos de ataque profundo não dependeria de internet móvel, usando navegação inercial combinada com GPS e, em alguns casos, imagem óptica a bordo para correções finais. Essa divergência alimenta a crítica de que os apagões e bloqueios não se sustentam apenas como medida militar e ampliam um controle que atinge a população em massa.

Os números que explicam a conta: 37 mil horas de apagões e prejuízo bilionário

Em 2025, a Rússia foi descrita como disparado o país que mais cortou internet no mundo. Segundo levantamento do grupo Top 10 VPN citado no material, foram mais de 37.000 horas de apagões ao longo do ano, com prejuízo estimado em quase US$ 12 bilhões para a economia russa.

No recorte local, o impacto aparece também em moedas e rotinas: só em Moscou, as perdas estimadas rondariam 5 bilhões de rublos em poucos dias de apagão. Além do prejuízo direto para negócios e serviços, o relato de pessoas sem conexão, sem chamadas e sem SMS por dias seguidos dá a dimensão do choque prático quando a internet passa a falhar como infraestrutura básica.

Reação por dentro do sistema: quando a internet vira desgaste político antes das eleições

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A escalada é descrita como profundamente impopular, inclusive entre a base de apoio de Putin. Viaeslav Gladkov, governador de Belgorod, região sob ataques constantes de drones ucranianos, foi à TV perguntar ao vivo quem responderia por mortes de pessoas que não conseguiram receber alertas de ataque porque a internet móvel estava cortada.

A reação também veio da esfera pró-guerra: o canal Two Majors, citado como um dos mais influentes, afirmou que para grupos responsáveis pelo combate a drones no front o Telegram era o único canal de comunicação operacional disponível e divulgou vídeos de soldados russos mascarados pedindo que o Kremlin recuasse. A Duma, descrita como historicamente submissa, chegou a colocar em votação uma exigência para que o governo justificasse formalmente o bloqueio do Telegram.

Segundo o material, sondagens indicam a maior queda de aprovação de Putin desde o início da guerra em 2022. E o partido do Kremlin, o Rússia Unida, aparece com menos de 30% das intenções de voto a cinco meses das eleições legislativas, colocando a agenda de controle da internet no centro do risco político interno.

O que isso significa: a construção acelerada de um espaço digital fechado

No conjunto, o que está acontecendo é descrito não como medidas técnicas isoladas para combater drones, mas como a construção acelerada de uma arquitetura de controle de informação que lembra o modelo chinês, só que improvisada sob pressão de uma guerra que não termina.

O material resume a estratégia em três frentes simultâneas: desconectar os russos de plataformas globais onde circula informação independente sobre a guerra na Ucrânia; empurrar a população para um aplicativo doméstico no qual a comunicação seria monitorada pelo FSB; e degradar o acesso a ferramentas de evasão como as VPNs, que até pouco tempo seriam o escape de mais de um terço da população.

Diante do custo econômico e do desgaste político, a resistência dentro da própria elite e de aliados do regime sugere que o Kremlin vê um risco interno que considera mais urgente do que manter o espaço informacional aberto.

E para você: até onde um país consegue “desligar” a internet do próprio povo antes de o custo econômico e político ficar grande demais?

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Carla Teles

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