A NASA vê os trajes lunares da Axiom para a Artemis sob escrutínio do inspetor geral e do histórico do xEMU, enquanto a empresa afirma avanço técnico e entrega de demonstração em 2027.
A NASA entrou novamente no centro de uma disputa sensível do programa Artemis: os trajes lunares. Um relatório do escritório do inspetor geral, que faz auditorias e expõe problemas que normalmente ficam longe do público, analisou o contrato ligado aos trajes que a Axiom Space está desenvolvendo para levar astronautas de volta à superfície da Lua.
O alerta se apoia no histórico recente da própria NASA, que desde 2007 tenta avançar com novos trajes e acumulou fracassos. O caso mais emblemático citado é o xEMU, desenvolvido entre 2016 e 2022, que consumiu mais de US$ 1 bilhão e não chegou a uma solução pronta para voo. Agora, mesmo com a mudança para a iniciativa privada, o documento levanta o risco de atrasos, enquanto a Axiom responde que já tem 950 horas de testes de pressurização com tripulação e mira uma entrega de demonstração em 2027.
O que o relatório do inspetor geral da NASA viu e por que isso virou um sinal de risco
A auditoria do inspetor geral olha principalmente para a execução do contrato e para o risco de calendário. A leitura do relatório, segundo o que foi apresentado, é que, com base em experiências anteriores e no histórico de atrasos, o projeto poderia ficar pronto apenas em 2031, enquanto o objetivo do programa é apoiar um retorno à Lua em 2028.
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O ponto central é que o documento não afirma necessariamente que a Axiom já está atrasada nesse nível, mas usa a régua dos projetos anteriores da NASA para sugerir que o prazo pode escorregar. Além disso, o relatório critica aspectos do modelo de contratação, discutindo limites do contrato a preço fixo e lembrando como contratos do tipo cost plus, usados no passado, podem desincentivar redução de custos e eficiência.
Por que a NASA abandonou o xEMU depois de gastar mais de US$ 1 bilhão

O histórico recente pesa muito na discussão. A NASA tentou desenvolver vários trajes desde 2007 e, conforme relatado, não conseguiu concluir nenhum. O xEMU, que foi a aposta mais recente, enfrentou problemas técnicos, como dificuldades de costura e falhas em diferentes pontos do sistema, acumulando atrasos até ser abandonado.
O próprio inspetor geral já havia criticado esse projeto anteriormente. A consequência prática foi a mudança de estratégia: em vez de insistir em um desenvolvimento interno, a NASA passou a buscar uma solução no setor privado para acelerar e destravar a capacidade de caminhadas lunares no programa Artemis.
A aposta no setor privado: Axiom entra, Collins sai e a pressão aumenta
Depois do xEMU, a NASA avançou com uma iniciativa privada envolvendo a Axiom Space e a Collins Aerospace. Mas, segundo o relato, a Collins não seguiu adiante no contrato e deixou o projeto, o que aumentou o peso sobre a Axiom como principal caminho para entregar um novo traje.
Isso ajuda a explicar por que qualquer alerta do inspetor geral vira assunto grande: sem trajes novos, a NASA não consegue pousar na Lua e também enfrenta restrições para ampliar caminhadas espaciais, já que muitos trajes atuais vêm sendo reutilizados desde a era dos ônibus espaciais, exigindo manutenção constante para continuar operando.
A resposta da Axiom à NASA: 950 horas de testes e 1.300 componentes revisados
A Axiom respondeu publicamente, citando um volume de validações já realizadas. A empresa afirmou ter 950 horas de testes de pressurização com tripulação, ou seja, com pessoas usando o traje em testes para checar vazamentos, conforto térmico, controle de umidade e outros pontos críticos do sistema.
Além disso, a Axiom declarou que mais de 1.300 componentes já passaram pela revisão crítica de design da NASA, etapa em que peças e soluções são avaliadas e aprovadas para continuar avançando no desenvolvimento. A empresa também disse estar comprometida em entregar um traje para demonstração em 2027, com a meta de garantir equipamento disponível para 2028.
O que está em jogo na prática: Artemis 2028 depende de traje, e não há substituto imediato
O impacto prático é direto: sem traje novo, não há pouso lunar. E o problema não para na Lua. Sem um substituto imediato, a NASA segue dependendo de reformas e adaptações em trajes antigos, com peças que falham e exigem correções para manter tudo funcionando.
O relato também cita uma limitação relevante: não haveria dois trajes em tamanho feminino no lado americano, algo apontado como problema por diferenças de constituição física entre astronautas. Isso reforça a pressão por uma nova geração de trajes mais moderna e com melhor cobertura de tamanhos e ajustes.
As próximas etapas: demonstração em 2027 e entrega para 2028 com redundância
A Axiom indica como próximo marco a entrega do traje de demonstração em 2027. A expectativa descrita é que a NASA tenha equipamento em 2028, com a possibilidade de um conjunto maior por redundância, indo além de quatro unidades, se necessário.
Para a Axiom, o contrato também tem peso estratégico: se conseguir entregar um traje funcional e aprovado pela NASA, a empresa ganha um produto com potencial de demanda prolongada, inclusive para outras iniciativas privadas ligadas a estações espaciais.
No fim, a discussão volta ao essencial: a NASA tem pressa, carrega um histórico caro de fracassos e agora precisa que a solução privada funcione dentro do tempo.
Você acha que a NASA consegue escapar de mais um ciclo de atrasos com a Axiom, ou a história do xEMU indica que o cronograma vai escorregar de novo?


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