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O Quarterhorse da Hermeus virou símbolo da nova aviação hipersônica ao voar em apenas 19 meses de desenvolvimento e mirar velocidades acima de Mach 5 com um motor que muda de comportamento no ar

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 30/05/2026 às 16:52
Assista o vídeoQuatro vezes mais rápido que o Concorde, capaz de levar passageiros de Nova York a Londres em menos de uma hora a Mach 5,5
Quarterhorse Mk 1/Hermeus
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Quarterhorse Mk 1 faz primeiro voo, acelera programa hipersônico da Hermeus e aproxima o projeto do avião de passageiros Mach 5 Halcyon.

Segundo o The Aviationist, a startup americana Hermeus realizou o primeiro voo do protótipo não tripulado Quarterhorse Mk 1 em Edwards Air Force Base, na Califórnia, em data anunciada publicamente em 27 de maio de 2025. O protótipo levou apenas 19 meses entre o desenho e o voo inaugural, prazo que a empresa descreve como o mais rápido no desenvolvimento de um avião a jato nos últimos 80 anos.

O Quarterhorse Mk 1 é equipado com um motor General Electric J85, o mesmo usado no caça F-5 e no treinador T-38, e foi criado para demonstrar decolagem e pouso de alta velocidade em pistas convencionais. Esse ponto é tratado pela empresa como a capacidade mais crítica para qualquer futuro avião hipersônico comercial.

Hermeus quer criar avião hipersônico com ritmo de startup e meta de um protótipo por ano

A Hermeus foi fundada em Atlanta, por ex engenheiros da SpaceX, Generation Orbit e Blue Origin, com a proposta de aplicar à aviação hipersônica o mesmo modelo de iteração acelerada que a SpaceX usou no desenvolvimento de foguetes. A empresa já captou mais de US$ 100 milhões até maio de 2025.

Além do capital privado, a companhia recebeu apoio direto do governo dos Estados Unidos. O Air Force Research Laboratory investiu US$ 1,5 milhão em 2020 e mais US$ 60 milhões no ano seguinte, enquanto a Defense Innovation Unit selecionou o Quarterhorse para o programa HyCAT, voltado à ampliação da capacidade de testes de voo hipersônico do Departamento de Defesa.

Quatro vezes mais rápido que o Concorde, capaz de levar passageiros de Nova York a Londres em menos de uma hora a Mach 5,5
Quarterhorse Mk 1/Hermeus

O diferencial estratégico da Hermeus está no ritmo. A meta declarada é projetar, construir e voar um novo protótipo em menos de um ano, algo extremamente incomum na aviação de alta velocidade, setor em que programas tradicionais normalmente se arrastam por muitos anos.

Motor Chimera é a tecnologia central do Quarterhorse e o maior desafio do voo hipersônico

O centro tecnológico do programa não é apenas a aeronave, mas o motor Chimera, sistema de propulsão de ciclo combinado turbina ramjet que a Hermeus desenvolve em paralelo com os protótipos. Segundo o texto, esse é o elemento mais importante para superar o principal obstáculo técnico do voo hipersônico de decolagem horizontal.

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O Chimera combina pré resfriador, turbojet e ramjet. Em velocidades mais baixas, o sistema usa propulsão convencional para acelerar a aeronave até algo entre Mach 3 e Mach 3,5. A partir daí, entra o ramjet, que permite continuar a aceleração até Mach 5 e além.

A transição entre esses dois modos de propulsão é o ponto mais difícil da engenharia hipersônica. A Hermeus afirma ter demonstrado essa capacidade em túnel de vento em novembro de 2022, mas o passo decisivo será mostrar a mudança em voo real, o que está previsto para as próximas fases do programa Quarterhorse.

Sequência Quarterhorse foi desenhada para resolver etapa por etapa do voo hipersônico

A família Quarterhorse foi organizada para atacar cada obstáculo técnico separadamente. O Mk 0 foi um protótipo não voador, construído em seis meses, com objetivos de teste concluídos em 37 dias no complexo Arnold Engineering Development Complex, no Tennessee.

Quatro vezes mais rápido que o Concorde, capaz de levar passageiros de Nova York a Londres em menos de uma hora a Mach 5,5
Quarterhorse Mk 1 First Flight – Divulgação

O Mk 1, agora voado, valida as operações básicas de decolagem e pouso. O Mk 2, maior e equipado com um motor Pratt & Whitney F100, o mesmo do F-16, deve demonstrar voo supersônico autônomo até Mach 3. Já o Mk 3 será o primeiro a tentar a transição entre turbojet e ramjet em voo real e buscar quebrar o recorde de velocidade do SR-71 Blackbird, fixado em Mach 3,4 em 1976.

Na sequência, o Mk 4 deverá ser o primeiro da linha a atingir velocidades hipersônicas plenas. Essa arquitetura em etapas permite à empresa validar um problema de cada vez, reduzindo risco técnico e acelerando aprendizado entre protótipos.

Halcyon é o avião de passageiros hipersônico que a Hermeus quer colocar no ar antes do fim da década

O objetivo final do programa é o Halcyon, um avião de passageiros hipersônico com 20 assentos, velocidade de cruzeiro de Mach 5 e capacidade de usar pistas convencionais. Segundo o texto, a meta da empresa é colocá lo em voo antes do fim da década.

Em velocidade de cerca de Mach 5,5, a proposta permitiria ligar Nova York a Londres em menos de uma hora. A comparação usada no texto é com o Concorde, aposentado em 2003, que fazia o mesmo trajeto em cerca de 3,5 horas a Mach 2,04.

Além do mercado civil, a Hermeus também desenvolve o Darkhorse, sistema aéreo não tripulado hipersônico voltado à defesa e à segurança, aproveitando a mesma base tecnológica criada ao longo da evolução do Quarterhorse.

Investidores e governo americano apostam que a Hermeus pode mudar a aviação hipersônica

A composição do capital da Hermeus ajuda a explicar o peso do projeto. Entre os investidores estão Raytheon Technologies, Khosla Ventures e Sam Altman, além do financiamento do próprio governo americano por meio do Air Force Research Laboratory.

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O primeiro voo do Quarterhorse Mk 1 não resolve sozinho o problema do transporte hipersônico, mas representa uma validação concreta da abordagem da empresa. O que antes era apenas promessa de startup virou uma aeronave real capaz de sair do chão e avançar no cronograma do programa.

Com o Mk 2, o teste do Chimera, a tentativa de superar o recorde do SR-71 e a meta de chegar ao Halcyon, a Hermeus tenta transformar uma ideia que durante décadas ficou restrita a programas militares e laboratórios em uma rota concreta para o avião hipersônico comercial.

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Fabrício
Fabrício
30/05/2026 17:27

A **** ta + pra um drone que para um avião

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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