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Presidente da Shell desafia o discurso do fim dos combustíveis fósseis e afirma que o petróleo seguirá no centro da economia global por mais de uma década

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Escrito por Rannyson Moura Publicado em 30/01/2026 às 11:11
Assista o vídeoCristiano Pinto, presidente da Shell Brasil, afirma que o petróleo continuará sendo essencial por mais de uma década, enquanto o país vive o dilema entre lucro, empregos e transição energética.
Cristiano Pinto, presidente da Shell Brasil, afirma que o petróleo continuará sendo essencial por mais de uma década, enquanto o país vive o dilema entre lucro, empregos e transição energética.
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Cristiano Pinto, presidente da Shell Brasil, afirma que o petróleo continuará sendo essencial por mais de uma década, enquanto o país vive o dilema entre lucro, empregos e transição energética.

Enquanto governos, ambientalistas e organismos internacionais falam cada vez mais em transição energética, o executivo que comanda a Shell no Brasil segue um caminho oposto. Para Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell Brasil, o petróleo não apenas continuará relevante, como seguirá sendo a espinha dorsal do sistema energético global por muitos anos.

À frente da maior operação de óleo e gás da Shell no mundo fora da matriz britânica, ele sustenta que tentar abandonar os combustíveis fósseis de forma acelerada pode colocar em risco o crescimento econômico, a segurança energética e o preço da energia.

Cristiano Pinto vê o petróleo como base da segurança energética

Cristiano entrou na Shell em 1996. Desde então, acompanhou o Brasil sair da condição de importador para virar um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo. Hoje, sob sua liderança, a Shell Brasil produz cerca de 450 mil barris de óleo equivalente por dia, ficando atrás apenas da Petrobras.

Cristiano Pinto. Fonte: Shell Brasil

Na avaliação do executivo, o discurso de que o mundo pode abrir mão rapidamente do petróleo ignora a realidade do consumo e da infraestrutura global.

“O mundo enfrenta os desafios da demanda global crescente, da segurança energética e da transição justa, que se trata de garantir energia a preços acessíveis”

Para ele, esses três fatores tornam impossível simplesmente desligar o petróleo da equação.

Cristiano Pinto afirma que o consumo mundial de petróleo continuará subindo até a metade da próxima década. Somente depois disso é que o uso começaria a se estabilizar e, eventualmente, cair.

Além disso, há um fator técnico que pesa contra uma redução rápida da produção.

Campos de óleo e gás perdem entre 7% e 10% da produção por ano, de forma natural. Ou seja, mesmo que o consumo global não aumentasse, seriam necessários novos investimentos apenas para manter a oferta atual.

Segundo ele, isso explica por que o mundo seguirá precisando de petróleo por muitos anos.

Sem novos poços, o Brasil pode voltar a importar petróleo

Na visão da Shell, parar de explorar novas áreas é um risco econômico enorme para o Brasil.

“Sem novas descobertas, o Brasil pode voltar a importar petróleo nos próximos anos, revertendo um cenário altamente positivo para a balança comercial.”

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Dados da ANP mostram que o número de poços perfurados hoje é praticamente o mesmo de mais de dez anos atrás. Isso significa que o ritmo de descobertas não acompanha o crescimento da produção.

Em 2024, o petróleo foi o principal item da balança comercial brasileira, o que reforça seu peso na economia.

Para Cristiano, a transição energética não é apenas uma troca de fontes. Trata-se de um equilíbrio entre crescimento, estabilidade e custo da energia.

“A transição energética é algo muito mais complexo do que simplesmente substituir uma fonte por outra”

Segundo ele, conflitos internacionais recentes mostraram como a segurança energética é frágil. Além disso, países do hemisfério sul precisam de energia barata para crescer. E, nesse cenário, o petróleo ainda é decisivo.

Na sua opinião, o Brasil deveria seguir a visão de Cristiano Pinto e continuar explorando petróleo por décadas ou o país corre o risco de ficar preso a um modelo que pode se tornar obsoleto?

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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