Cristiano Pinto, presidente da Shell Brasil, afirma que o petróleo continuará sendo essencial por mais de uma década, enquanto o país vive o dilema entre lucro, empregos e transição energética.
Enquanto governos, ambientalistas e organismos internacionais falam cada vez mais em transição energética, o executivo que comanda a Shell no Brasil segue um caminho oposto. Para Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell Brasil, o petróleo não apenas continuará relevante, como seguirá sendo a espinha dorsal do sistema energético global por muitos anos.
À frente da maior operação de óleo e gás da Shell no mundo fora da matriz britânica, ele sustenta que tentar abandonar os combustíveis fósseis de forma acelerada pode colocar em risco o crescimento econômico, a segurança energética e o preço da energia.
Cristiano Pinto vê o petróleo como base da segurança energética
Cristiano entrou na Shell em 1996. Desde então, acompanhou o Brasil sair da condição de importador para virar um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo. Hoje, sob sua liderança, a Shell Brasil produz cerca de 450 mil barris de óleo equivalente por dia, ficando atrás apenas da Petrobras.
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Na avaliação do executivo, o discurso de que o mundo pode abrir mão rapidamente do petróleo ignora a realidade do consumo e da infraestrutura global.
“O mundo enfrenta os desafios da demanda global crescente, da segurança energética e da transição justa, que se trata de garantir energia a preços acessíveis”
Para ele, esses três fatores tornam impossível simplesmente desligar o petróleo da equação.
Cristiano Pinto afirma que o consumo mundial de petróleo continuará subindo até a metade da próxima década. Somente depois disso é que o uso começaria a se estabilizar e, eventualmente, cair.
Além disso, há um fator técnico que pesa contra uma redução rápida da produção.
Campos de óleo e gás perdem entre 7% e 10% da produção por ano, de forma natural. Ou seja, mesmo que o consumo global não aumentasse, seriam necessários novos investimentos apenas para manter a oferta atual.
Segundo ele, isso explica por que o mundo seguirá precisando de petróleo por muitos anos.
Sem novos poços, o Brasil pode voltar a importar petróleo
Na visão da Shell, parar de explorar novas áreas é um risco econômico enorme para o Brasil.
“Sem novas descobertas, o Brasil pode voltar a importar petróleo nos próximos anos, revertendo um cenário altamente positivo para a balança comercial.”
Dados da ANP mostram que o número de poços perfurados hoje é praticamente o mesmo de mais de dez anos atrás. Isso significa que o ritmo de descobertas não acompanha o crescimento da produção.
Em 2024, o petróleo foi o principal item da balança comercial brasileira, o que reforça seu peso na economia.
Para Cristiano, a transição energética não é apenas uma troca de fontes. Trata-se de um equilíbrio entre crescimento, estabilidade e custo da energia.
“A transição energética é algo muito mais complexo do que simplesmente substituir uma fonte por outra”
Segundo ele, conflitos internacionais recentes mostraram como a segurança energética é frágil. Além disso, países do hemisfério sul precisam de energia barata para crescer. E, nesse cenário, o petróleo ainda é decisivo.
Na sua opinião, o Brasil deveria seguir a visão de Cristiano Pinto e continuar explorando petróleo por décadas ou o país corre o risco de ficar preso a um modelo que pode se tornar obsoleto?

