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Leilão de R$ 44 bilhões contrata novas usinas térmicas para garantir que não falte energia no horário de pico

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 26/06/2026 às 21:44 Atualizado em 26/06/2026 às 21:46
Leilão de R$ 44 bilhões contrata novas usinas térmicas para garantir que não falte energia no horário de pico
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O Brasil contratou, em um leilão de reserva de capacidade, cerca de nove usinas termelétricas que somam aproximadamente 2,6 gigawatts de potência, com receita fixa estimada em torno de R$ 44 bilhões ao longo dos contratos. O objetivo é garantir energia firme para os momentos de maior demanda ou quando o sol e o vento não estão gerando, dando uma rede de segurança ao sistema elétrico do país.

Pode parecer contraditório contratar usinas térmicas, geralmente movidas a combustível fóssil, num país que se orgulha de uma das matrizes mais limpas do mundo. Mas há uma lógica por trás: justamente porque o Brasil aposta tanto em fontes intermitentes como a solar e a eólica, ele precisa de uma reserva confiável para quando essas fontes falham.

O que é o leilão de reserva de capacidade

O chamado leilão de reserva de capacidade não compra exatamente energia, e sim a garantia de que ela estará disponível quando for preciso. Na prática, o governo paga às usinas uma receita fixa para que fiquem prontas para entrar em operação nos momentos críticos, mesmo que passem boa parte do tempo desligadas. É como contratar um time reserva que só entra em campo na hora do aperto.

Essas usinas funcionam como um seguro. Em dias de pico de consumo, em ondas de calor com todos os ares-condicionados ligados, ou quando uma seca reduz os reservatórios e o vento amaina, as térmicas são acionadas para que não falte energia e o país não corra risco de apagão. A maioria delas é movida a gás natural, combustível mais flexível e menos poluente que o carvão ou o óleo.

Usina termelétrica iluminada ao entardecer
As térmicas funcionam como reserva, acionadas nos momentos de pico de demanda.

Por que o Brasil precisa dessa reserva

A explicação está na transformação da matriz elétrica. O país encheu o sistema de energia solar e eólica, que são baratas e limpas, mas têm um defeito: dependem do tempo. O painel só gera de dia, e a turbina só com vento. Quando essas fontes param ao mesmo tempo em que o consumo dispara, é preciso ter algo confiável pronto para cobrir o buraco.

O modelo é o chamado complemento. As renováveis fornecem a maior parte da energia barata no dia a dia, e as térmicas entram só nas horas críticas, garantindo a estabilidade. Sem essa retaguarda, o risco de apagão cresceria à medida que o país depende cada vez mais de fontes que não se pode ligar e desligar à vontade.

É um preço a pagar pela transição energética.

O custo e o impacto na conta de luz

Essa segurança, porém, não sai de graça. Os R$ 44 bilhões previstos nos contratos ao longo dos anos entram, de uma forma ou de outra, na conta de luz paga por todos os consumidores. Manter usinas de prontidão, mesmo sem gerar o tempo todo, é um custo embutido na fatura, e há sempre o debate sobre qual o tamanho ideal dessa reserva para não pagar caro demais por algo que se usa pouco.

Usina termelétrica a gás natural
A maioria das usinas contratadas é movida a gás natural, mais flexível e menos poluente.

Críticos questionam se não seria melhor investir mais em baterias e em outras formas de armazenamento, que guardam a energia limpa das renováveis em vez de queimar combustível fóssil nos picos. O próprio governo já prepara leilões de baterias, num sinal de que o futuro da reserva pode ser cada vez mais limpo. Por ora, porém, as térmicas a gás ainda são a forma mais barata e disponível de garantir energia firme.

O equilíbrio do sistema

No fim, o leilão reflete o desafio de operar um sistema elétrico moderno: combinar fontes limpas e baratas com uma retaguarda confiável, sem deixar faltar energia nem encarecer demais a conta. É um quebra-cabeça que todos os países enfrentam à medida que abraçam as renováveis.

Turbina a gás de uma usina termelétrica
O desafio é combinar fontes limpas com uma retaguarda firme sem encarecer a conta.

Para o gás natural, o resultado é uma boa notícia, já que reforça a demanda pelo combustível num momento em que a Petrobras amplia a oferta no país. Segundo a ANEEL e o Ministério de Minas e Energia, a reserva contratada é vista como essencial para sustentar o crescimento das renováveis sem comprometer a segurança do fornecimento nos próximos anos.

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Paulo Nogueira

Eletrotécnica formado em umas das instituições de ensino técnico do país, o Instituto Federal Fluminense - IFF ( Antigo CEFET), atuei diversos anos na áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção. Hoje com mais de 8 mil publicações em revistas e blogs online sobre o setor de energia, o foco é prover informações em tempo real do mercado de empregabilidade do Brasil, macro e micro economia e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões e correções, entre em contato no e-mail informe@clickpetroleoegas.com.br. Vale lembrar que não aceitamos currículos neste contato.

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