Aos 24 anos, Beatriz Gonçalves Szablewski virou a primeira eletricista de linha viva do Mato Grosso, na Energisa. Ela começou como leiturista em 2022 e hoje encara a função de maior risco do setor elétrico, reparando a rede energizada no alto do poste e abrindo espaço para mulheres na energia.
Trabalhar no alto de um poste já assusta muita gente, e fazer isso com a rede ligada eleva o desafio a outro patamar. É exatamente nesse cenário que Beatriz Gonçalves Szablewski, de 24 anos, se tornou a primeira mulher do Mato Grosso a atuar como eletricista de linha viva. A função consiste em reparar a rede sem desligar a energia, e até pouco tempo era um território exclusivamente masculino no estado.
Segundo a Notícias Interativa, Beatriz entrou na Energisa em 2022 como leiturista, função de quem registra o consumo nos medidores. Em menos de um ano, ela já havia virado eletricista de distribuição em Rondonópolis, e seguiu subindo até a linha viva. A trajetória rápida mostra uma escolha de carreira deliberada dentro do setor elétrico.
Quem é Beatriz e como chegou à eletricista de linha viva

Antes mesmo de entrar na Energisa, ela já tinha feito um curso de eletricista porque queria estar preparada.
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A porta de entrada foi a leitura de medidores, mas o objetivo sempre esteve nos fios lá em cima.
Em pouco tempo, passou de leiturista a eletricista de distribuição na unidade de Rondonópolis.
No caminho, integrou também equipes de combate ao furto de energia, outra frente dura do setor elétrico.
Cada etapa funcionou como degrau até a função mais técnica e arriscada de todas, a eletricista de linha viva.
Hoje ela é a prova de que dá para começar na base e chegar ao topo da operação de campo.
O que é uma eletricista de linha viva
O nome da função explica o perigo embutido nela.
Linha viva é o trabalho de manutenção e reparo feito com a rede elétrica energizada, ou seja, sem cortar a corrente.
Em vez de desligar tudo, a eletricista de linha viva opera os cabos ainda sob tensão, usando técnica e equipamento isolante.
A vantagem é não deixar bairros inteiros sem luz toda vez que um conserto é necessário.
Para isso, a profissional usa luvas, mangotes e ferramentas próprias, todos testados para suportar alta tensão.
Um único erro de procedimento pode ser fatal, por isso a eletricista de linha viva segue protocolos rígidos a cada movimento.
É a função em que a margem para improviso é praticamente zero.
Por que a linha viva é a função de maior risco do setor elétrico
Duas ameaças se somam no mesmo trabalho.
A primeira é a altura: boa parte do serviço acontece no alto do poste, com o corpo preso ao cinto de segurança.
A segunda é a eletricidade ligada, que não perdoa distração nem equipamento mal conferido.
Por isso, a formação para linha viva é longa e exige certificações específicas, como as normas de segurança em altura e em eletricidade.
Nem todo eletricista chega a essa função, e quem chega passa por treinamento intenso e reciclagens constantes.
No organograma do setor elétrico, a linha viva costuma ser vista como a elite técnica da operação de campo.
Chegar lá aos 24 anos, e como pioneira, dá a real dimensão da conquista de Beatriz.
Uma mulher numa função quase só de homens

Historicamente, as funções de campo da energia foram ocupadas quase só por homens, sobretudo as de maior risco.
Beatriz quebrou essa barreira ao se tornar a primeira mulher formada em linha viva no Mato Grosso.
Ela mesma já contou que torce para que esse número cresça, até virar comum ver mulheres na energia ocupando o espaço.
Ser pioneira tem peso duplo: além da técnica, há a pressão de abrir caminho para quem vem depois.
Cada mulher que entra nessas funções ajuda a normalizar a presença feminina num ramo que resistia a isso.
A imagem de uma eletricista no alto do poste é, por si só, uma mensagem para outras candidatas.
A Energisa e a abertura para mulheres na energia
O caso de Beatriz se conecta a um movimento maior dentro da empresa.
Segundo a Energisa, a companhia formou a primeira turma de mulheres eletricistas em Mato Grosso.
A iniciativa busca justamente ampliar a presença de mulheres na energia em funções técnicas, e não só administrativas.
A Energisa é o maior grupo privado do setor elétrico brasileiro, com mais de 16 mil empregados e mais de 20 milhões de clientes.
Programas de formação como esse abrem vagas e qualificam candidatas que antes não enxergavam espaço no campo.
Trazer mais mulheres na energia também responde a uma necessidade real de mão de obra qualificada no setor elétrico.
Para a empresa, diversidade e operação caminham juntas nessa estratégia.
Por que isso importa para o setor elétrico
A história tem efeito que vai além de uma conquista individual.
O setor elétrico enfrenta demanda crescente e precisa de gente preparada para manter a rede funcionando.
Abrir as funções técnicas para mulheres na energia dobra, na prática, o universo de talentos disponível.
Representatividade também importa: ver uma mulher na linha viva muda o que meninas imaginam ser possível.
Em regiões como o Mato Grosso, onde a rede é extensa, cada eletricista qualificado faz diferença no atendimento.
Quanto mais diverso o setor elétrico, mais ele consegue recrutar e reter quem realmente quer a carreira.
O pioneirismo de Beatriz, nesse sentido, é tanto símbolo quanto solução prática.
O que o caso de Beatriz mostra
A trajetória dela resume bem como barreiras caem quando preparo encontra oportunidade.
Beatriz mostra que a função mais arriscada da energia também pode ser ocupada por uma mulher de 24 anos.
Mas vale manter o pé no chão.
Ser a primeira da história do estado é um marco simbólico, mas ainda revela o quanto o setor era fechado.
Uma pioneira não resolve sozinha a desigualdade de gênero nas funções de campo, que segue grande.
E o risco do trabalho é real: linha viva exige treino contínuo e respeito absoluto às normas de segurança.
Ainda assim, poucos casos resumem tão bem o avanço das mulheres na energia dentro do setor elétrico brasileiro.
De leiturista a eletricista de linha viva, Beatriz transformou uma porta de entrada em uma carreira de ponta.
E você, imaginava que a função de maior risco da rede elétrica poderia ser feita por uma jovem de 24 anos? Comenta aqui se você acha que veremos cada vez mais mulheres na energia nas equipes de campo.
