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Terminal de GNL em São Paulo ganhou aval da ANP para se ligar à malha de gasodutos por duto de 55 metros, mas obra que pode injetar 7,5 milhões de m³/dia reacendeu controvérsia sobre alternativa quase duas vezes maior pelo Subida da Serra

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Escrito por Carla Teles Publicado em 28/06/2026 às 20:00 Atualizado em 28/06/2026 às 20:02
Terminal de GNL em São Paulo ganhou aval da ANP para se ligar à malha de gasodutos por duto de 55 metros, mas obra que pode injetar 7,5 milhões de m³dia reacendeu controvérsia (1)
Terminal de GNL da Edge tem aval da ANP para ligar TRSP à malha, mas Subida da Serra mantém disputa no gás.
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O terminal de GNL da Edge recebeu aval da ANP para conectar o TRSP à malha de gasodutos por duto de 55 metros. A ligação pode injetar 7,5 milhões de m³/dia no sistema da NTS, mas mantém controvérsia sobre o Subida da Serra, alternativa quase duas vezes maior no gás.

O terminal de GNL da Edge em São Paulo ganhou aval da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para se conectar à malha de gasodutos de transporte. A decisão foi aprovada pela diretoria da ANP nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, e envolve o Terminal de Regaseificação de São Paulo, conhecido como TRSP.

Segundo a eixos, a autorização permite uma interconexão física de 55 metros entre o TRSP e o gasoduto Gasan I, operado pela Nova Transportadora do Sudeste. A obra pode permitir a injeção de até 7,5 milhões de m³/dia de gás importado no sistema da NTS, mas não encerra a disputa em torno do Subida da Serra, gasoduto construído pela Comgás.

Aval da ANP coloca mais gás na malha de transporte

Terminal de GNL da Edge tem aval da ANP para ligar TRSP à malha, mas Subida da Serra mantém disputa no gás.
Terminal de Regaseificação de São Paulo, da Edge. Imagem: Divulgação.

A decisão da ANP autoriza a conexão do TRSP à infraestrutura de transporte, abrindo caminho para que o gás regaseificado no terminal seja entregue à malha de forma mais integrada. O ponto central é que o arranjo aprovado não cria uma rota exclusiva para um único agente, mas permite acesso aberto a múltiplos carregadores.

Na prática, o terminal de GNL deixa de ser apenas uma estrutura de recebimento e regaseificação e passa a ter um caminho físico para inserir gás no sistema de transporte. Esse detalhe é regulatório e logístico ao mesmo tempo, porque define como o insumo importado pode circular em uma rede que atende diferentes agentes do mercado.

Duto de 55 metros resolve parte do problema

A conexão aprovada é curta em extensão, mas relevante no efeito operacional. O trecho de 55 metros foi desenhado para ligar fisicamente o Terminal de Regaseificação de São Paulo ao Gasan I. A partir dessa ligação, o gás importado poderá ser injetado no sistema da NTS.

A capacidade prevista chega a 7,5 milhões de m³/dia. Esse volume ganhou importância porque a Edge tem planos de vender gás importado para térmicas vencedoras do 2º Leilão de Reserva de Capacidade, cujos primeiros contratos começam a valer a partir de agosto. A autorização, portanto, entra em um momento sensível para a oferta de gás ao setor elétrico.

Solução aprovada não foi considerada a mais eficiente

Apesar do aval, a própria análise regulatória reconheceu limitações na alternativa escolhida. A diretora Symone Araújo apontou que o projeto aprovado não representa a melhor solução logística, mas funciona como uma resposta possível no curto e no médio prazo diante das restrições regulatórias existentes.

Esse é o ponto mais delicado da decisão. A ANP autorizou o caminho pelo Gasan I, mas a controvérsia sobre o Subida da Serra continua impedindo uma integração considerada mais adequada por parte dos envolvidos. O resultado é uma solução viável, porém cercada de debate sobre eficiência.

Subida da Serra segue no centro da controvérsia

O gasoduto Subida da Serra foi construído pela Comgás e está no centro de uma disputa federativa entre a ANP e o Estado de São Paulo. A questão envolve sua classificação: se deve ser tratado como ativo de transporte ou permanecer em outra lógica regulatória.

Essa discussão está no Supremo Tribunal Federal. A autorização concedida ao terminal de GNL da Edge não altera o entendimento da ANP sobre o Subida da Serra. Ou seja, a conexão do TRSP avança, mas o conflito principal sobre a classificação do gasoduto permanece sem desfecho definitivo.

Alternativa pelo Gasan II poderia quase dobrar capacidade

A área técnica da ANP avaliou que, em um cenário alternativo, a conexão do TRSP ao Gasan II via Subida da Serra poderia alcançar 14 milhões de m³/dia. Esse volume é quase o dobro da capacidade prevista na conexão aprovada pelo Gasan I.

A diferença ajuda a explicar por que o tema ganhou força. Se o caminho alternativo entregaria uma capacidade maior, a escolha pelo duto de 55 metros aparece como uma solução pragmática, mas não necessariamente ideal. O debate não é apenas sobre fazer a conexão, mas sobre qual rota aproveita melhor a infraestrutura existente.

Restrições técnicas pesam na ligação com o Gasan I

A Superintendência de Infraestrutura e Movimentação da ANP apontou restrições técnicas no projeto aprovado. Um dos pontos citados envolve a movimentação de gás entre o Gasan I e o Gasan II, devido à diferença de pressões entre as malhas.

Esse tipo de limitação é relevante porque redes de gasodutos não funcionam apenas por proximidade física. Pressão, capacidade, direção do fluxo, pontos de entrega e integração entre sistemas influenciam o desempenho real da malha. Um duto curto pode destravar acesso, mas não elimina todos os gargalos da rede.

Sistema da NTS enfrenta pressão na oferta de gás

A decisão também foi justificada pelo contexto da malha da NTS. A rede convive com o declínio da oferta de gás nacional pela UTGCA, em Caraguatatuba, e com gargalos no eixo Rio-São Paulo. Parte desses problemas deve ser contornada apenas com a Estação de Compressão de Japeri, prevista para agosto de 2028.

Além disso, a malha é afetada pela entrada de gás boliviano na interconexão com o Gasbol. Nesse cenário, a interligação do TRSP pode aliviar parte da pressão sobre o sistema integrado. Mesmo sem ser a rota mais eficiente, a conexão cria uma fonte adicional de gás para uma rede pressionada.

Projeto ficou fora do plano nacional de infraestrutura

A conexão do terminal de GNL da Edge ficou fora da primeira edição do Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano, o PNIIGB. O plano foi colocado em consulta pública pela Empresa de Pesquisa Energética no fim de 2025, e sua versão final ainda não havia sido aprovada, segundo as informações da fonte.

Mesmo assim, a ANP entendeu que poderia outorgar o projeto, desde que houvesse compatibilidade com o planejamento setorial e não fosse prejudicado o uso eficiente e compartilhado das infraestruturas existentes. O decreto 12.153/2024 prevê essa possibilidade, mas o caso precisa passar por avaliação prévia da EPE.

Edge busca incluir conexão no PNIIGB

A Edge pediu a inclusão da conexão do TRSP no PNIIGB. A empresa também questionou, durante a consulta pública, a necessidade e a urgência do Corredor Pré-Sal Sul, da NTS, que na visão da comercializadora concorre com o TRSP como solução de infraestrutura para compensar o declínio do gás boliviano a longo prazo.

Esse ponto mostra que a disputa vai além de uma obra de 55 metros. O que está em jogo é o desenho futuro da infraestrutura de gás no Brasil, com diferentes agentes defendendo caminhos para ampliar oferta, reduzir gargalos e integrar terminais de importação à malha de transporte.

Mercado de gás observa efeito regulatório da decisão

A aprovação da conexão interessa ao mercado porque envolve três camadas ao mesmo tempo: oferta de gás importado, acesso aberto à malha de transporte e disputa regulatória sobre ativos estratégicos. Para térmicas, comercializadores e transportadoras, cada decisão da ANP pode alterar o ritmo de contratação e entrega.

O terminal de GNL também reforça o papel dos terminais de regaseificação no abastecimento do país. Em momentos de declínio de oferta nacional ou incerteza sobre suprimento externo, estruturas desse tipo podem funcionar como alternativa de segurança energética, desde que estejam bem conectadas ao sistema.

Decisão abre caminho, mas não encerra a disputa

A autorização da ANP permite que a Edge avance na conexão do TRSP ao Gasan I, mas não resolve a controvérsia do Subida da Serra nem elimina as limitações técnicas da rota aprovada. O caso segue como exemplo de como regulação, infraestrutura e estratégia energética se misturam no mercado de gás.

O ponto central é que a decisão destrava uma obra pequena em extensão, mas grande em consequências. Um duto de 55 metros pode permitir a entrada de milhões de metros cúbicos por dia na malha, ao mesmo tempo em que expõe a complexidade de planejar infraestrutura em um setor marcado por disputas federativas e gargalos logísticos.

O terminal de GNL de São Paulo agora tem aval para se conectar à malha de gasodutos, mas a discussão sobre eficiência segue aberta. A conexão pelo Gasan I pode atender demandas de curto prazo, enquanto a alternativa pelo Subida da Serra mantém no centro do debate a pergunta sobre qual caminho realmente entrega mais gás, mais integração e melhor uso da infraestrutura existente.

Você acha que o país deve priorizar soluções rápidas, mesmo que não sejam as mais eficientes, ou esperar por uma rota maior e mais integrada? Deixe sua opinião nos comentários sobre o impacto dessa decisão no mercado de gás brasileiro.

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Carla Teles

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