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Homem faz gambiarra genial com apenas um fio, troca rede elétrica cara por modelo rural barato e ajuda a levar luz a mais de 1 milhão de brasileiros; projeto começou com 400 famílias no RS e virou referência nacional

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 28/06/2026 às 20:09 Atualizado em 28/06/2026 às 20:23
Assista o vídeoProjeto de Fábio Rosa trocou rede elétrica cara por modelo rural barato e ajudou a levar luz a mais de 1 milhão no Brasil com custo menor.
Projeto de Fábio Rosa trocou rede elétrica cara por modelo rural barato e ajudou a levar luz a mais de 1 milhão no Brasil com custo menor.
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Solução criada no interior gaúcho mostra como uma adaptação técnica simples reduziu custos de eletrificação rural, mudou a rotina de pequenos produtores e se tornou referência para ampliar o acesso à energia em áreas afastadas, onde a rede convencional era cara demais.

O engenheiro agrônomo gaúcho Fábio Rosa ajudou a transformar uma solução simples de eletrificação rural em alternativa de baixo custo para comunidades afastadas, a partir de um projeto iniciado em Palmares do Sul, no Rio Grande do Sul, nos anos 1980.

Segundo reportagem do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, o modelo implantado por ele já havia levado energia a mais de 1 milhão de brasileiros, número que tornou a experiência uma referência nacional em acesso barato à luz.

A experiência começou quando 400 famílias rurais do município foram conectadas à rede elétrica por cerca de US$ 400 por casa, enquanto o padrão convencional chegava a US$ 7 mil por residência, conforme os dados publicados pelo Ipea.

Essa diferença de custo deu projeção ao sistema como tecnologia social de grande impacto, sobretudo em regiões onde a instalação tradicional ficava distante da realidade econômica de famílias de baixa renda e pequenos produtores rurais.

Eletrificação rural em Palmares do Sul

No início da década de 1980, Fábio Rosa atuava na Secretaria de Agricultura de Palmares do Sul, município recém-fundado no litoral gaúcho e marcado pela presença de pequenos produtores ligados principalmente ao cultivo de arroz.

De acordo com o Ipea, a falta de eletricidade criava um obstáculo direto para a irrigação, porque bombear água do subsolo dependia de alternativas caras ou inacessíveis para boa parte das propriedades rurais.

Naquele período, cerca de 70% da população local, estimada em 9 mil pessoas na reportagem, vivia sem acesso à energia elétrica, o que limitava a produção agrícola e reduzia as condições básicas de permanência no campo.

Projeto de Fábio Rosa trocou rede elétrica cara por modelo rural barato e ajudou a levar luz a mais de 1 milhão no Brasil com custo menor.
Projeto de Fábio Rosa trocou rede elétrica cara por modelo rural barato e ajudou a levar luz a mais de 1 milhão no Brasil com custo menor.

Sem luz, famílias tinham dificuldade para acionar bombas, conservar alimentos, usar equipamentos domésticos e organizar a rotina produtiva, em um cenário que também pressionava moradores a deixar áreas rurais em busca de estrutura nas cidades.

A solução adotada por Rosa não surgiu como improviso sem base técnica, embora tenha ficado conhecida pela simplicidade em comparação com os modelos convencionais usados na expansão da rede elétrica.

Desenvolvido pelo professor Ennio Amaral, da Escola Técnica Federal de Pelotas, o sistema monofásico usava uma estrutura mais enxuta do que as redes trifásicas tradicionais e se ajustava ao consumo modesto das propriedades atendidas.

Em vez de três fios, um único fio levava corrente de alta tensão do transformador até a residência, permitindo reduzir custos sem aplicar, em áreas de baixa demanda, o mesmo padrão caro usado em redes maiores.

Rede monofásica reduziu o custo da energia

A economia vinha da combinação entre rede monofásica, materiais mais baratos, menos postes, transformadores menores e participação de mão de obra local, fatores que diminuíam o valor da ligação em áreas rurais dispersas.

O Ipea informa que Amaral também substituiu fios de cobre por fios de ferro, condutores mais acessíveis, o que ajudou a baratear a expansão da eletrificação em comunidades afastadas dos centros urbanos.

Por isso, a expressão “com apenas um fio” resume a lógica técnica da solução, mas não significa ausência de engenharia, controle ou planejamento na implantação do sistema de eletrificação rural.

Na prática, tratava-se de uma adaptação pensada para comunidades de baixo consumo, onde o modelo tradicional exigia investimentos altos demais para famílias pobres e para programas locais com orçamento limitado.

A principal resistência não estava apenas no custo, mas também nas regras do setor elétrico, já que o sistema funcionava, porém não seguia a norma estadual vigente na época.

Para viabilizar a expansão, Rosa passou a defender a aceitação do novo padrão pela Companhia Estadual de Energia Elétrica, a CEEE, até que a alternativa foi incorporada pela empresa em 1988.

Com a adoção oficial durante o governo de Pedro Simon no Rio Grande do Sul, a iniciativa deixou de ser uma experiência localizada e passou a inspirar outras ações de eletrificação rural.

A reportagem do Ipea afirma que o padrão foi posteriormente copiado em iniciativas de alcance nacional, incluindo o programa Luz para Todos, criado para ampliar o acesso à energia elétrica no país.

Energia elétrica mudou renda e produção no campo

Nas propriedades atendidas em Palmares do Sul, a chegada da luz teve efeito direto na rotina doméstica e na produção agrícola, especialmente para famílias que dependiam de irrigação para manter as lavouras de arroz.

Com eletricidade mais barata, poços artesianos rasos e bombas monofásicas passaram a oferecer uma alternativa de menor custo à compra de água, que pesava de forma significativa no orçamento dos pequenos plantadores.

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O Ipea registra que esses agricultores gastavam quase um quarto dos custos de produção comprando água, proporção três vezes superior à média mundial citada na reportagem e considerada um entrave à viabilidade econômica das propriedades.

Nesse contexto, a eletrificação não significava apenas iluminação dentro de casa, mas também uma forma de reduzir despesas, ampliar a produtividade e melhorar as condições de permanência das famílias no campo.

Os resultados econômicos reforçaram a dimensão social do projeto, pois a renda dos agricultores atendidos passou de uma faixa de US$ 50 a US$ 80 por mês para US$ 200 a US$ 300 mensais.

Segundo o Ipea, essa mudança ocorreu após a implantação do modelo e de medidas associadas de irrigação e melhoria produtiva, que permitiram aproveitar melhor a terra e reduzir custos de operação.

A nova estrutura também ajudou a conter parte do êxodo rural, já que a energia elétrica tornou a vida no campo mais viável para moradores que antes viam poucas alternativas fora das cidades.

A Ashoka, organização que reconheceu Fábio Rosa como fellow em 1989, informa que o projeto-piloto realizado entre 1984 e 1988 beneficiou 400 famílias em Palmares do Sul.

Um estudo citado pela entidade apontou que um em cada três beneficiados havia retornado da cidade para retomar a vida rural, atraído pelas novas condições de trabalho e infraestrutura.

Projeto virou referência nacional

A Ashoka descreve Fábio Rosa como responsável por levar energia elétrica e desenvolvimento comunitário a áreas rurais pobres, com uma abordagem baseada em baixo custo, impacto prático e adaptação à realidade local.

Na avaliação da entidade, a primeira experiência do “Project Light” elevou o padrão de vida de famílias de baixa renda ao levar eletricidade barata para casas e propriedades rurais antes excluídas da rede.

Além dos ganhos agrícolas, a eletricidade permitiu ampliar o uso de equipamentos domésticos e produtivos, criando efeitos que iam além da instalação de postes, transformadores e cabos nas comunidades atendidas.

A Ashoka registra que, em até dois anos após o projeto, metade dos participantes tinha adquirido bombas d’água, enquanto 83% passaram a contar com geladeira e 80% com televisão.

O caso de Palmares do Sul mostra como uma solução de infraestrutura pode ser decisiva quando respeita a realidade econômica e territorial das famílias que precisam do serviço.

Em áreas rurais distantes, o custo de postes, cabos, transformadores e instalação por residência costuma crescer conforme as casas ficam mais espalhadas, o que torna a rede convencional difícil de financiar.

Ao reduzir o valor da ligação e adequar o sistema ao consumo das famílias, o modelo implantado por Fábio Rosa criou uma alternativa concreta para comunidades que estavam à margem da eletrificação.

Mais do que ampliar a complexidade da tecnologia, a inovação esteve em simplificar a engenharia para resolver um problema básico de acesso à energia, com impacto direto sobre renda, produção e permanência no campo.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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