Setor reúne cerca de 75 mil profissionais, muitos deles imigrantes, e tem piso definido por acordo coletivo desde 2004, mas rotina antes do amanhecer segue pouco reconhecida
A limpeza na Suíça emprega cerca de 75 mil pessoas e tem piso de 21,40 francos suíços por hora, valor que pode chegar a 171,20 francos por uma jornada de oito horas. Mesmo essencial para piscinas, hotéis, escritórios e casas, o trabalho ainda é pouco visto e enfrenta relatos de baixa valorização. Os dados são deste artigo do Correio 24 Horas.
Empregadas mantêm espaços prontos antes da chegada do público
A rotina de quem trabalha com limpeza na Suíça começa, muitas vezes, antes do amanhecer. Esses profissionais deixam ambientes prontos para uso antes da chegada de moradores, hóspedes, funcionários ou frequentadores.
Em Appenzell, Heidi Walter, responsável pela limpeza de um complexo de piscinas, resume a invisibilidade da função.
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À emissora pública suíça SRF, ela afirmou que as pessoas só percebem o trabalho quando alguma coisa não foi limpa.
Para Heidi, um elogio pela limpeza do ambiente representa o maior reconhecimento que a equipe pode receber. A fala mostra como a atividade, apesar de essencial, costuma ficar em segundo plano no dia a dia.
Piso da limpeza na Suíça é garantido por acordo coletivo
Desde 2004, o setor de limpeza na Suíça conta com um acordo coletivo de trabalho que estabelece salário mínimo para a categoria. Atualmente, o piso é de 21,40 francos suíços por hora.
Em uma jornada de oito horas, esse valor equivale a 171,20 francos suíços, cerca de R$ 1,1 mil. A comparação chama atenção diante dos valores cobrados por diaristas no Brasil, geralmente entre R$ 120 e R$ 300 por dia, dependendo da cidade.
O contraste, porém, precisa considerar o custo de vida suíço. Aluguel, alimentação, transporte e seguro-saúde consomem parte relevante da renda no país.
Imigrantes ocupam parte importante da mão de obra
Grande parte dos trabalhadores da limpeza na Suíça é formada por imigrantes. A portuguesa Catarina Sofia Bastos da Silva trabalhava como higienista dental em seu país e passou a atuar como empregada doméstica enquanto aprende alemão.
Ela vê a limpeza como uma etapa temporária para voltar à área de formação. Ainda assim, diz sentir satisfação quando os clientes reconhecem o resultado do serviço bem feito.
Trabalho indispensável, mas pouco percebido
A pesquisadora Reta Barfuss, da Universidade de Zurique, afirma que a limpeza é indispensável, mas pouco notada pela sociedade. Muitas equipes trabalham quando outras pessoas ainda dormem ou já saíram do expediente.
Segundo ela, a sociedade costuma ver o ambiente limpo, mas não o esforço nem quem realizou o serviço.
Além disso, pesquisadores ainda relatam baixos salários, discriminação, deslocamentos não remunerados e pouca valorização profissional no setor.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da emissora pública suíça SRF, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

