Treinamento na selva reuniu novos formandos, veteranos históricos e autoridades militares em Manaus, em cerimônia marcada pela entrega do distintivo de Guerreiro de Selva e pela celebração de seis décadas do curso operacional voltado à atuação militar na Amazônia.
O Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus, realizou a formatura de conclusão do Curso de Operações na Selva e entregou aos militares concludentes o distintivo de Guerreiro de Selva, etapa conhecida tradicionalmente como brevetação.
Marcada também pela celebração dos 60 anos do primeiro curso da especialidade, a cerimônia foi registrada em publicação do Exército Brasileiro no dia 16 de junho de 2026.
Autoridades militares, familiares e convidados acompanharam o encerramento de uma formação voltada ao preparo de tropas para atuar no ambiente amazônico, em áreas que exigem resistência física, domínio técnico e capacidade de adaptação.
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Entre os presentes estavam o General Vendramin, Comandante Militar da Amazônia Oriental, e o General Viana Filho, Comandante Militar da Amazônia, que destacou a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos pelos formandos.
Segundo Viana Filho, os militares recém-formados levarão esse aprendizado para suas unidades e atuarão na defesa dos interesses nacionais, especialmente na região de fronteira, considerada estratégica para a presença do Exército na Amazônia.
Curso de Operações na Selva prepara militares para a Amazônia

Apresentado pelo Exército como um dos cursos operacionais mais tradicionais e exigentes da Força, o Curso de Operações na Selva reúne instruções voltadas ao planejamento, comando e execução de missões em áreas de floresta.
Durante semanas de preparação técnica, física e psicológica, os alunos enfrentam atividades estruturadas para desenvolver resistência, disciplina e tomada de decisão em um ambiente marcado por deslocamentos difíceis, isolamento e condições naturais severas.
A formação é organizada em três fases principais: vida na selva, técnicas especiais e operações, etapas que concentram conhecimentos de sobrevivência, movimentação, emprego de tropa e condução de ações militares em território amazônico.
Em cada fase, os militares aprimoram habilidades necessárias para atuar em regiões de difícil acesso, onde o domínio do terreno, a adaptação ao ambiente e a coordenação entre equipes são fatores decisivos para a missão.
Com a entrega do brevê, o aluno passa a integrar o grupo de militares especializados em operações de selva, reconhecimento que simboliza a conclusão do ciclo de instrução no CIGS e a aptidão para atuar nesse ambiente operacional.
Dentro da tradição militar, o distintivo de Guerreiro de Selva representa a capacitação obtida no Centro e reforça o vínculo entre a formação técnica, a cultura operacional da unidade e a missão de defesa da Amazônia.
CIGS celebra 60 anos do primeiro curso na selva
Na mesma solenidade, integrantes da turma pioneira do Curso de Operações na Selva foram homenageados pelo legado deixado à doutrina militar brasileira, seis décadas após a primeira brevetação realizada em Manaus.

Brevetados em 1966 pelo então Major Jorge Teixeira de Oliveira, primeiro comandante do CIGS, esses veteranos participaram da fase inicial de validação de técnicas, procedimentos e conhecimentos voltados ao emprego de tropas na floresta.
Ao retornarem ao Centro, os militares da primeira turma receberam reconhecimento pela contribuição dada à construção da identidade do Guerreiro de Selva, hoje associada ao preparo especializado para missões no ambiente amazônico.
A experiência acumulada por esse grupo ajudou a orientar gerações posteriores de combatentes e consolidou práticas que seguem presentes na formação de militares preparados para operar em áreas de selva.
Com o passar das décadas, os cursos realizados no CIGS contribuíram para fortalecer a capacidade operacional do Exército Brasileiro na Amazônia e ampliaram o intercâmbio de conhecimento com militares de nações parceiras.
Essa trajetória transformou a unidade sediada em Manaus em referência nacional na instrução de tropas para o ambiente de selva, especialmente pela combinação entre preparo físico, doutrina operacional e conhecimento do território.
Guerreiros de Selva unem tradição e formação militar
Ao aproximar veteranos da turma pioneira e militares recém-formados, a formatura ganhou caráter histórico e reforçou a ideia de continuidade entre diferentes gerações preparadas sob a doutrina de guerra na selva.
A cerimônia valorizou a transmissão de valores entre turmas formadas no CIGS e destacou a permanência de uma tradição ligada à defesa da Amazônia, à atuação em fronteiras e ao conhecimento das particularidades do terreno.
Em mensagem dirigida aos formandos e aos homenageados, o Comandante do CIGS, Coronel Prazeres, afirmou: “Antes que a luz se apague, antes que o sol se ponha, haverá alguém de estar, haverá alguém de ficar, para que outros venham, para que outros fiquem.”

A declaração foi usada na solenidade para simbolizar a continuidade da missão entre os pioneiros de 1966 e os atuais Guerreiros de Selva, unidos pela formação militar voltada ao ambiente amazônico.
Sediado em Manaus, o CIGS concentra a preparação especializada de tropas que poderão ser empregadas em áreas de fronteira, rios, florestas e regiões de difícil acesso, onde o conhecimento do território tem papel central.
Após a brevetação, os novos Guerreiros de Selva passam a levar para suas organizações militares os conhecimentos adquiridos no curso, contribuindo para o preparo de unidades que atuam na Amazônia.
Ao encerrar o ciclo de instrução dos concludentes e resgatar a origem do curso criado na década de 1960, a cerimônia evidenciou a continuidade de uma tradição construída em torno da presença do Exército na região amazônica.

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