A queda de mais de 5% nas ações da Petrobras na manhã de hoje, 12 de Abril fez com que a estatal perdesse 14 bilhões de reais em valor de mercado em menos de duas horas de pregão. A estatal anunciou o reajuste do preço do diesel, mas voltou atrás por um pedido do presidente Jair Bolsonaro.
A bolsa da Petrobras operava em queda de 0,12% nesta manhã de sexta-feira, o principal indicador da bolsa marcava no indicador de 94mil pontos. As ações da Petrobras foram destaques negativos do pregão, por volta das 11h30 os papéis caiam cerca de 5%. Desde a abertura do pregão a Petrobras perdeu cerca de 14 bilhões de reais em valor de mercado. Ontem a Estatal valia 390 bilhões de reais e agora a pouco está avaliada em 376 bilhões de reais.
Ontem a noite a Petrobras anunciou o reauste de 5,7% do preço do diesel e horas depois voltou atrás, a decisão da empresa de rever o reajuste nas refinarias, foi a explicação desse grande prejuízo. O reajuste seria o primeiro em 20 dias, dentro da política da empresa de suavizar o impacto da alta dos preços do produto no exterior para evitar o impacto nos preços internos e evitar novo confronto com os caminhoneiros. Os motoristas voltaram a ameaçar parar as rodovias depois que os preços começaram a se recuperar no exterior.
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A Estatal emitiu um comunicado ao mercado explicando que avaliou e viu que tem margem para espaçar mais alguns dias do reajuste, mas a decisão foi vista como uma possível intervenção do governo Jair Bolsonaro na política de preços da empresa.
Nesta quinta-feira, 11, Bolsonaro conseguiu conter uma crise imediata que poderia ser explosiva. A greve dos caminhoneiros do ano passado fragilizou de forma irreversível o governo Michel Temer. O Governo alega temer que se repita a paralisação de duas semanas que houve no ano passado. A decisão foi de encontro a politica de preço da Petrobras, ou seja, dando um choque de autonomia nos preços da Estatal.
A expectativa é de que os preços das ações da estatal retomem os negócios na B3 hoje em queda forte, repercutindo o recuo no exterior, afirma Spyer. “Um alívio para o papel pode vir da alta dos preços do petróleo no exterior, de 1,4%”, observa.
Mas o cenário geral da bolsa também não é positivo, pelo clima pesado na área política e novos confrontos entre o governo e o centrão, que ameaça adiar a votação do projeto de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), prevista inicialmente para a semana que vem. “Atrasos na tramitação da reforma podem ocorrer, trazendo desconforto para o governo e instabilidade para os mercados, e isso deve levar a uma abertura do Índice Bovespa mais negativa, movimento acentuado pela Petrobras, e uma alta do risco-país no exterior, hoje”, afirma Spyer.
A suspensão do reajuste da Petrobras a pedido do governo impactará negativamente os mercados domésticos.
