Método inovador foi criado pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP) e usa fungos e melaço de cana no processo de extração do alumínio da bauxita
A extração do alumínio a partir da bauxita é um processo de mineração que traz muitos impactos ambientais e é um método caro. Pensando em alternativas, pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual de São Paulo desenvolveram um novo método para extrair o composto usando fungos e melaço de cana, menos agressivos que os produtos usados na mineração.
O método é inédito no mundo garantiu o registro de patente (quando a descoberta nunca foi feita por alguém no mundo). O processo que usa os fungos e o melaço de cana promete ser de custo muito inferior ao da mineração convencional e ainda otimizar a extração, além de ser sustentável. Confira mais sobre essa descoberta lendo a matéria até o final.
Saiba mais sobre os efeitos da extração do alumínio da bauxita para o meio ambiente com o vídeo abaixo.
Resultado inédito garantiu a patente da descoberta para ser usada em outros lugares do mundo
Embora ainda não tenha resultados totalmente conclusivos, os pesquisadores conseguiram o registro de patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O procedimento foi testado apenas em laboratório, mas já trouxe resultados impressionantes, o que culminou no registro.
-
Enquanto 50% dos brasileiros preferem pagar menos impostos e contratar serviços particulares de saúde e educação, 44% escolhem pagar mais tributos para receber esses atendimentos gratuitamente do Estado, revela pesquisa Datafolha
-
A Marinha dos Estados Unidos levou testes de submarinos para um lago no interior de Idaho, com mais de 350 metros de profundidade, porque o silêncio da água ajuda a revelar ruídos que o oceano pode esconder
-
O cartão Samsung Itaú será encerrado em 1º de agosto de 2026 e toda a base de clientes vai migrar automaticamente para o Itaú Platinum, confirmam as duas empresas
-
O pedágio mais caro do Brasil subiu para R$ 40,60 em julho e fica na descida da serra entre São Paulo e o litoral, onde a tarifa vale quase uma passagem de ônibus até Santos
As pesquisadoras apontam que o procedimento usado será mais acessível e sustentável, evitando danos ao meio ambiente. Além disso, ele poderá ser usado para extrair o alumínio de outras fontes além da bauxita.
“Mesmo em pequena escala, conseguimos obter um grande resultado com essa abordagem. É um passo importante”. O processo feito pelas indústrias é extremamente agressivo. Ele demanda grandes quantidades de energia e insumos, o que eleva o preço do produto e gera resíduos altamente tóxicos, como a chamada ‘lama vermelha’, composta por diferentes agentes químicos”.
Denise Bevilaqua, professora e vice-diretora do Instituto de Química, uma das autoras do estudo (2022).
O processo desenvolvido pela UNESP usa procedimentos simples, em condições normais de pressão e temperatura que não requerem a adição de reagentes e ácidos fortes contaminantes e caros. Dessa forma, a extração do alumínio é mais natural e reduz a formação de resíduos que impactam o meio ambiente.
Estudo é o primeiro a propor o uso de ácidos dos fungos ao invés de os convencionais para extrair o alumínio da bauxita
A pesquisa desenvolvida aqui no Brasil é ainda mais brilhante porque ninguém no mundo havia pensado em usar os ácidos produzidos pelos fungos do melaço de cana para extrair o alumínio. Além disso, o melaço como fonte para os fungos é genial porque é um resíduo da indústria sucroalcoleira e serve muito bem como alimento para o cultivo dos fungos, sem precisar gastar com sacarose e glicose artificiais.
“Os fungos normalmente já produzem ácidos, mas com o melaço foi possível tornar esse processo mais barato para ser aplicado na recuperação do alumínio presente na bauxita. Podemos usar a capacidade da natureza para algo de interesse da sociedade e incentivar a economia circular”.
Sandra Regina Pombeiro Sponchiado, professora do IQ, uma das autoras do trabalho (2022)
As pesquisadoras da UNESP buscam agora um financiamento em larga escala para aplicar isso no setor da mineração
A próxima etapa no estudo é a busca de financiamento em larga escala para produção industrial. O investimento é necessário para aprimorar a técnica e buscar aplicação imediata no setor de mineração.
“A mineração é uma atividade que seguirá presente na sociedade, mas que pode e deve ter seus impactos reduzidos. O que temos que fazer é propor alternativas mais sustentáveis e menos agressivas para esse processo”.
Denise Bevilaqua, professora e vice-diretora do Instituto de Química, uma das autoras do estudo (2022).

