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Família constrói piscina natural sem cloro e sem lama; a água fica tão cristalina que peixes e camarões limpam o fundo sozinhos e os hóspedes ganham uma “manicure de peixe” de graça

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 14/06/2026 às 22:15
Atualizado em 14/06/2026 às 22:17
Assista o vídeoPiscina natural sem cloro do Bali Eco Lodge usa cascatas, vetiver e peixes para manter a agua cristalina. Entenda como funciona a filtragem por raizes e cascalho.
Piscina natural sem cloro do Bali Eco Lodge usa cascatas, vetiver e peixes para manter a agua cristalina. Entenda como funciona a filtragem por raizes e cascalho.
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Sem cloro, sem filtro de areia e sem aquele cheiro de produto químico, a piscina natural de uma pousada ecológica em Bali funciona como um pequeno ecossistema. Cascatas de pedra, raízes de plantas e uma população de peixes e camarões fazem o trabalho que normalmente caberia a uma máquina.

A cena que abre a reportagem do canal Thriving with Nature parece a de um quintal moderno qualquer: uma piscina de água transparente, com bordas de pedra, à beira de um restaurante. O detalhe é que ali não entra cloro nenhum. Apresentado por Haley Weatherburn, o episódio mostra a piscina natural construída por Norm van Hoff no Bali Eco Lodge, uma pousada ecológica na ilha indonésia de Bali. Em vez de tratamento químico, a água é mantida limpa por plantas, cascatas e bichos que vivem dentro dela.

A proposta inverte a lógica da piscina comum. No lugar de produtos químicos, o sistema usa filtragem por cascalho e raízes, aeração pelas cascatas e circulação constante da água, segundo explica van Hoff na entrevista. Ele conta que sempre rejeitou a ideia de uma piscina com cloro e lembra que mesmo as de água salgada contêm o produto. A pousada já tinha um riacho limpo na propriedade, mas distante, e a piscina nasceu da vontade de ter um lugar próprio para nadar sem abrir mão do apelo natural.

Como funciona uma piscina sem cloro

Piscina natural sem cloro do Bali Eco Lodge usa cascatas, vetiver e peixes para manter a agua cristalina. Entenda como funciona a filtragem por raizes e cascalho.
O princípio é deixar a natureza fazer a manutenção.

Pela descrição do construtor, a água em movimento constante imita um riacho, o cascalho retém partículas e as raízes das plantas absorvem os nutrientes que alimentariam as algas. 

Manter os nutrientes baixos é o ponto central do sistema, porque é o excesso deles que turva a água e favorece o crescimento de algas. 

Van Hoff resume a filosofia dizendo que basta oferecer o básico para a vida e ela cuida do resto.

A montagem se apoia em dois sistemas de tratamento que rodam em paralelo.

Um deles é uma sequência de cinco cascatas, por onde a água sobe através de leitos de cascalho e é filtrada e oxigenada a cada queda.

O outro é uma zona úmida, espécie de pântano controlado, com jangadas onde crescem plantas de raízes longas que mergulham na água.

Os dois caminhos puxam partículas e nutrientes para fora, mantendo o conjunto transparente com pouca intervenção, de acordo com o que foi mostrado no vídeo.

O vetiver e as raízes que filtram a água

A estrela vegetal do projeto é o vetiver, capim de raízes profundas muito usado no tratamento de águas residuais.

Van Hoff afirma que a planta se adapta bem a ambientes pobres em nutrientes, justamente o caso de uma piscina limpa, e por isso prosperou ali onde espécies mais comuns de pântano, como papiro e juncos, não vingaram. 

As raízes do vetiver formam uma malha densa debaixo das jangadas, que funciona como um filtro vivo para partículas e nutrientes. Essas mesmas raízes ainda servem de abrigo para os camarões e peixes do sistema.

A fauna não está ali só de enfeite. Peixinhos, camarões e rãs habitam a piscina e participam do equilíbrio, conta o construtor.

As rãs, em especial, são tratadas como bioindicadores: a presença delas costuma sinalizar água de boa qualidade, já que esses animais são sensíveis à poluição.

É um arranjo em que cada elemento, da planta ao anfíbio, cumpre uma função dentro do ciclo de limpeza.

A tal da “manicure de peixe”

O detalhe mais curioso do sistema rendeu a piada que vira gancho da reportagem.

Os peixes pequenos mordiscam a pele de quem fica parado dentro da água, num efeito parecido com o dos spas de imersão em peixe populares no Sudeste Asiático. 

Van Hoff brinca que o hóspede ganha uma manicure de peixe de graça, bastando ficar imóvel por um tempo na piscina. 

A comparação é com aqueles tanques pagos onde as pessoas colocam os pés para os peixinhos limparem a pele.

Para quem torce o nariz com a ideia de dividir a água com cardumes, há uma logística a favor.

Segundo o construtor, a maior parte dos peixes se recolhe à zona úmida durante o dia e só circula mais à noite, quando ninguém está nadando.

À noite, aliás, com a iluminação ligada, a piscina lembra um grande aquário, descreve a apresentadora.

De dia, ela funciona como uma piscina convencional, com a diferença de não deixar ninguém com cheiro de cloro.

A inspiração polêmica de Viktor Schauberger

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Vídeo do YouTube

Boa parte das ideias de van Hoff vem de um nome controverso.

Ele cita Viktor Schauberger, naturalista austríaco que viveu entre 1885 e 1958 e estudou o movimento da água. 

Schauberger defendia que recipientes de água não deveriam ter cantos retos, porque a água se move em curvas e os ângulos vivos acumulam sedimento e bactérias. 

Por isso a piscina foi desenhada com bordas arredondadas, evitando zonas mortas onde a sujeira se depositaria.

Cabe um registro de cautela aqui. Embora a recomendação prática de arredondar cantos faça sentido no design de tanques e reservatórios, parte das teorias de Schauberger sobre “revitalização” e “implosão” da água é classificada como pseudociência e não tem respaldo científico estabelecido.

Da mesma forma, falas que aparecem no vídeo sobre a água “revitalizar células” ou ser tão pura a ponto de se beber não devem ser lidas como fato comprovado, e sim como impressões dos entrevistados sobre a própria experiência.

O ponto sensível do protetor solar

Viver de ecossistema tem suas exigências, e uma delas envolve os hóspedes.

Van Hoff reconhece que o protetor solar pode prejudicar a vida dentro da piscina, e diz preferir orientar as pessoas a evitar o produto antes de nadar. 

Ainda assim, ele pondera que o sistema precisa ser robusto o bastante para suportar pequenas perturbações, já que parte dos visitantes vai usar filtro solar ou outras substâncias na pele. 

A ideia é que a natureza absorve agressões pequenas, e o problema só aparece quando há sobrecarga.

Esse equilíbrio entre uso humano e preservação do ecossistema é o que torna o projeto mais delicado do que uma piscina comum.

Não se trata de um tanque inerte, e sim de um ecossistema vivo que reage ao que entra na água.

O próprio construtor admite que descobrir quais plantas funcionavam ali foi um processo de tentativa e erro ao longo do tempo, e que o vetiver acabou sendo um dos maiores acertos.

A piscina natural do Bali Eco Lodge, mostrada pelo canal Thriving with Nature, é um exemplo de como design e ecologia podem se combinar para dispensar o cloro.

Cascatas, cascalho, vetiver e uma fauna ativa mantêm a água transparente com baixa manutenção, segundo relata quem construiu o sistema.

Vale separar o que é técnica aplicável, como a filtragem por raízes e o desenho sem cantos vivos, das alegações mais entusiasmadas sobre os poderes da água, que seguem sem comprovação.

E você, nadaria numa piscina com peixes, rãs e camarões no lugar do cloro? Acha a ideia da piscina natural atraente ou prefere o tratamento convencional? Conta nos comentários a sua opinião e, se já conhece algum sistema parecido, divida a experiência. Queremos ler diferentes pontos de vista sobre o assunto.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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