Sem cloro, sem filtro de areia e sem aquele cheiro de produto químico, a piscina natural de uma pousada ecológica em Bali funciona como um pequeno ecossistema. Cascatas de pedra, raízes de plantas e uma população de peixes e camarões fazem o trabalho que normalmente caberia a uma máquina.
A cena que abre a reportagem do canal Thriving with Nature parece a de um quintal moderno qualquer: uma piscina de água transparente, com bordas de pedra, à beira de um restaurante. O detalhe é que ali não entra cloro nenhum. Apresentado por Haley Weatherburn, o episódio mostra a piscina natural construída por Norm van Hoff no Bali Eco Lodge, uma pousada ecológica na ilha indonésia de Bali. Em vez de tratamento químico, a água é mantida limpa por plantas, cascatas e bichos que vivem dentro dela.
A proposta inverte a lógica da piscina comum. No lugar de produtos químicos, o sistema usa filtragem por cascalho e raízes, aeração pelas cascatas e circulação constante da água, segundo explica van Hoff na entrevista. Ele conta que sempre rejeitou a ideia de uma piscina com cloro e lembra que mesmo as de água salgada contêm o produto. A pousada já tinha um riacho limpo na propriedade, mas distante, e a piscina nasceu da vontade de ter um lugar próprio para nadar sem abrir mão do apelo natural.
Como funciona uma piscina sem cloro

Pela descrição do construtor, a água em movimento constante imita um riacho, o cascalho retém partículas e as raízes das plantas absorvem os nutrientes que alimentariam as algas.
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Manter os nutrientes baixos é o ponto central do sistema, porque é o excesso deles que turva a água e favorece o crescimento de algas.
Van Hoff resume a filosofia dizendo que basta oferecer o básico para a vida e ela cuida do resto.
A montagem se apoia em dois sistemas de tratamento que rodam em paralelo.
Um deles é uma sequência de cinco cascatas, por onde a água sobe através de leitos de cascalho e é filtrada e oxigenada a cada queda.
O outro é uma zona úmida, espécie de pântano controlado, com jangadas onde crescem plantas de raízes longas que mergulham na água.
Os dois caminhos puxam partículas e nutrientes para fora, mantendo o conjunto transparente com pouca intervenção, de acordo com o que foi mostrado no vídeo.
O vetiver e as raízes que filtram a água
A estrela vegetal do projeto é o vetiver, capim de raízes profundas muito usado no tratamento de águas residuais.
Van Hoff afirma que a planta se adapta bem a ambientes pobres em nutrientes, justamente o caso de uma piscina limpa, e por isso prosperou ali onde espécies mais comuns de pântano, como papiro e juncos, não vingaram.
As raízes do vetiver formam uma malha densa debaixo das jangadas, que funciona como um filtro vivo para partículas e nutrientes. Essas mesmas raízes ainda servem de abrigo para os camarões e peixes do sistema.
A fauna não está ali só de enfeite. Peixinhos, camarões e rãs habitam a piscina e participam do equilíbrio, conta o construtor.
As rãs, em especial, são tratadas como bioindicadores: a presença delas costuma sinalizar água de boa qualidade, já que esses animais são sensíveis à poluição.
É um arranjo em que cada elemento, da planta ao anfíbio, cumpre uma função dentro do ciclo de limpeza.
A tal da “manicure de peixe”
O detalhe mais curioso do sistema rendeu a piada que vira gancho da reportagem.
Os peixes pequenos mordiscam a pele de quem fica parado dentro da água, num efeito parecido com o dos spas de imersão em peixe populares no Sudeste Asiático.
Van Hoff brinca que o hóspede ganha uma manicure de peixe de graça, bastando ficar imóvel por um tempo na piscina.
A comparação é com aqueles tanques pagos onde as pessoas colocam os pés para os peixinhos limparem a pele.
Para quem torce o nariz com a ideia de dividir a água com cardumes, há uma logística a favor.
Segundo o construtor, a maior parte dos peixes se recolhe à zona úmida durante o dia e só circula mais à noite, quando ninguém está nadando.
À noite, aliás, com a iluminação ligada, a piscina lembra um grande aquário, descreve a apresentadora.
De dia, ela funciona como uma piscina convencional, com a diferença de não deixar ninguém com cheiro de cloro.
A inspiração polêmica de Viktor Schauberger
Boa parte das ideias de van Hoff vem de um nome controverso.
Ele cita Viktor Schauberger, naturalista austríaco que viveu entre 1885 e 1958 e estudou o movimento da água.
Schauberger defendia que recipientes de água não deveriam ter cantos retos, porque a água se move em curvas e os ângulos vivos acumulam sedimento e bactérias.
Por isso a piscina foi desenhada com bordas arredondadas, evitando zonas mortas onde a sujeira se depositaria.
Cabe um registro de cautela aqui. Embora a recomendação prática de arredondar cantos faça sentido no design de tanques e reservatórios, parte das teorias de Schauberger sobre “revitalização” e “implosão” da água é classificada como pseudociência e não tem respaldo científico estabelecido.
Da mesma forma, falas que aparecem no vídeo sobre a água “revitalizar células” ou ser tão pura a ponto de se beber não devem ser lidas como fato comprovado, e sim como impressões dos entrevistados sobre a própria experiência.
O ponto sensível do protetor solar
Viver de ecossistema tem suas exigências, e uma delas envolve os hóspedes.
Van Hoff reconhece que o protetor solar pode prejudicar a vida dentro da piscina, e diz preferir orientar as pessoas a evitar o produto antes de nadar.
Ainda assim, ele pondera que o sistema precisa ser robusto o bastante para suportar pequenas perturbações, já que parte dos visitantes vai usar filtro solar ou outras substâncias na pele.
A ideia é que a natureza absorve agressões pequenas, e o problema só aparece quando há sobrecarga.
Esse equilíbrio entre uso humano e preservação do ecossistema é o que torna o projeto mais delicado do que uma piscina comum.
Não se trata de um tanque inerte, e sim de um ecossistema vivo que reage ao que entra na água.
O próprio construtor admite que descobrir quais plantas funcionavam ali foi um processo de tentativa e erro ao longo do tempo, e que o vetiver acabou sendo um dos maiores acertos.
A piscina natural do Bali Eco Lodge, mostrada pelo canal Thriving with Nature, é um exemplo de como design e ecologia podem se combinar para dispensar o cloro.
Cascatas, cascalho, vetiver e uma fauna ativa mantêm a água transparente com baixa manutenção, segundo relata quem construiu o sistema.
Vale separar o que é técnica aplicável, como a filtragem por raízes e o desenho sem cantos vivos, das alegações mais entusiasmadas sobre os poderes da água, que seguem sem comprovação.
E você, nadaria numa piscina com peixes, rãs e camarões no lugar do cloro? Acha a ideia da piscina natural atraente ou prefere o tratamento convencional? Conta nos comentários a sua opinião e, se já conhece algum sistema parecido, divida a experiência. Queremos ler diferentes pontos de vista sobre o assunto.


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