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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).

Escrito por Marcello Sigwalt
Publicado em 15/06/2026 às 09:29
Atualizado em 15/06/2026 às 09:31
Definição da Selic pelo Copom, na próxima quarta-feira (17), é cercada de expectativa por parte do mercado
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Caso isso se confirme, a perspectiva de corte dos juros básicos fica automaticamente adiada, ‘sine die’, além de não estar inteiramente descartado o início de um novo ciclo de alta, no curto prazo.  Isso porque a última projeção do boletim Focus (consulta do BC às 100 maiores instituições financeiras do país) aponta um IPCA de 5,11% para este ano (13ª alta consecutiva), estourando, até mesmo, o teto da meta de inflação, fixada em 4,5% pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Fatores internos e externos pesam na decisão do colegiado

Reforçam essa possibilidade fatores, tanto externos, quanto internos. No primeiro caso, os reflexos geopolíticos do conflito no Oriente Médio sobre a economia global – como a escalada de aperto monetário pelos bancos centrais, a reboque da alta do petróleo e do gás – e, no segundo, a resiliência da inflação, diretamente associada ao aprofundamento do desajuste fiscal do governo (despesas superam receitas), que prioriza sua reeleição, em outubro próximo. Mas há, também, o impacto, de magnitude ainda imprevisível sobre o Agro da região, a partir da chegada do super El Niño.

Mas a sombra da carestia não é somente tupiniquim, pois eis que surge a ‘inflação importada’, que é quando os preços sobem globalmente e o frete internacional, idem, em que esses custos são repassados aos produtos adquiridos do exterior. Dessa forma, a inflação global pode obrigar o BC a rever a trajetória de flexibilização monetária, ou seja, a queda dos juros.

Blue3 traça dois cenários distintos para a Selic

A respeito da perspectiva monetária para a economia brasileira, o economista-chefe da Blue3 Investimentos, Roberto Simioni traçou dois cenários básicos: o primeiro, se baseia na possibilidade de a crise energética durar não mais de dois trimestres, o que permitiria ao BC manter a Selic no patamar atual, até o final do ano. Já o segundo, em que a pressão inflacionária persistiria por mais de três trimestres, o que demandaria uma ‘correção mais enérgica da taxa básica’.

No front externo, Simioni percebe uma mudança estrutural por parte dos bancos centrais de diversos países, face à persistência das pressões inflacionárias das respectivas regiões. “Observa-se também que bancos centrais manifestam sinais de possíveis reversões de sua política monetária”, afirma o economista ao citar os casos do Banco da Coreia do Sul e do Banco do Japão.

Principais bancos centrais enfrentam desafio semelhante

Na sua avaliação, o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra (BoE), o Federal Reserve (Fed) e o próprio Banco Central do Brasil terão diante de si o mesmo desafio, no médio prazo. “Fica a expectativa de como tais bancos centrais agirão frente aos desafios inflacionários: se promoverão ajustes mais proativos em termos de magnitude ou se preferirão passos menores”.

Caso se confirme a previsão minoritária de um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.), a Selic baixaria de 14,50% para 14,25% ao ano, seguida da interrupção do ciclo de reduções da taxa, devido às pressões inflacionárias (interna e externa) e grau elevado de incerteza do exterior. Com um ‘afrouxamento’ mais curto, o indicador chegaria ao final de 2026 no patamar de 13,50% ao ano.

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Marcello Sigwalt

Sou um profissional de comunicação, especializado em Economia, Política, Meio Ambiente, Ciência & Tecnologia, Educação, Esporte e Polícia, nas quais exerci as funções de editor, repórter, consultor de comunicação e assessor de imprensa. Destaco as atividades de edição e reportagem, mediante o uso de linguagem informativa e fluente que estimule o debate, a reflexão e a consciência crítica. No período de 2003-2011, em Brasília, atuei como assessor de imprensa no Congresso Nacional (na Câmara dos Deputados e no Senado federal); consultor de comunicação do Projeto de Gestão Ambiental Rural (PGAR), do Ministério do Meio Ambiente e das Nações Unidas, em 2006; editor da Assessoria de Comunicação do Ministério de Ciência e Tecnologia (Ascom/MCTI), em 2012. Como repórter especial, assinei a capa das revistas: Veja (prisão do senador Luiz Estevão, 2000); Galileu (Peritos criminais, 2010) e Conjuntura Econômica-FGV (Comércio exterior do Brasil e Crise Argentina, 2002). Atuei como editor-assistente do Portal iG para as eleições de 2010. Em 2013, cobri a cobertura do seminário internacional sobre energia, para a Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham-Rio). De 2014 a 2015, atuei como repórter especial da revista Desafios do Desenvolvimento (Ipea); repórter da revista Brasil Energia Petróleo (RJ) e editor do site Janus Investimentos (SP), em 2018 e 2019, e redator e editor do site Capitalist. De 2022 a 2025, fui editor de Economia do jornal Correio da Manhã (RJ). Atualmente, produzo conteúdo para os sites Linkedin e Substack.

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