Paquistão Talebã trocam ataques após bombardeio Afeganistão e elevam tensão militar na fronteira, com risco de guerra aberta.
O conflito entre Paquistão Talebã atingiu um novo patamar nesta sexta-feira (27), quando forças paquistanesas bombardearam Cabul, Kandahar e Paktika após uma ofensiva talebã contra postos militares na fronteira.
O confronto ocorreu ao longo da linha de 2.600 km que separa os dois países, intensificando a tensão militar na região.
A escalada acontece meses após um cessar-fogo frágil e levanta temores de uma guerra aberta.
-
Euro digital ganha sinal verde no Parlamento Europeu, promete mexer no domínio de Visa e Mastercard e pode mudar de vez a forma como milhões de pessoas pagam contas, fazem compras e movimentam dinheiro na Europa até 2029
-
Israel encontra túnel militarizado do Hezbollah com mais de 200 metros sob vila, com 4 poços de lançamento de mísseis, 12 câmaras, mísseis antitanque, drones e depósitos de armamentos a 25 metros de profundidade
-
Ucrânia lança maior ataque de drones contra Moscou desde 2022, Rússia diz ter interceptado quase 200 aeronaves perto da capital, refinaria de Kapotnya volta a ser alvo e ofensiva reacende alerta sobre guerra atingindo coração energético russo a poucos quilômetros do Kremlin
-
Caminhoneiros, frete e multas de 2022 entram no centro da política: Câmara aprova MP com anistia, rastreamento obrigatório por CIOT, punições milionárias e novo piso salarial para quem passa mais de 24 horas na estrada
O motivo central é a troca de acusações sobre ataques transfronteiriços e apoio a grupos armados.
Segundo autoridades, a ofensiva começou na noite de quinta-feira (26), quando o Talebã afirmou ter atacado bases paquistanesas.
Em poucas horas, Islamabad respondeu com o bombardeio Afeganistão, classificando a ação como uma “resposta imediata e eficaz”.
Conflito fronteira se intensifica após ofensiva noturna
Os primeiros relatos indicam que combates ocorreram simultaneamente em várias províncias fronteiriças.
Autoridades talebãs disseram que a operação começou às 20h no horário local, atingindo áreas próximas a Nangarhar, Kunar, Khost e Paktika.
Por outro lado, o Paquistão afirmou que houve fogo “não provocado” contra posições em Khyber Pakhtunkhwa.
A resposta veio com ataques aéreos contra alvos dentro do território afegão, incluindo a capital.
Esse movimento marca o episódio mais grave do atual conflito fronteira desde os confrontos mortais de 2025.
Drones e bombardeios ampliam tensão militar
O Talebã declarou ter usado drones contra três locais no Paquistão, incluindo instalações militares em Nowshehra e áreas próximas a Abbottabad.
Um oficial paquistanês afirmou que todos os aparelhos foram interceptados.
Especialistas avaliam que esses drones são, em geral, modelos comerciais adaptados com explosivos.
Isso limita o alcance, mas demonstra capacidade inédita de ataque além da fronteira.
Enquanto isso, Islamabad informou ter atingido 22 alvos militares no bombardeio Afeganistão, alegando que houve “grande cuidado” para evitar vítimas civis.
Números divergentes de mortos e destruição
Cada lado apresentou dados diferentes sobre baixas.
O Paquistão afirmou que 274 combatentes talebãs foram mortos e 73 postos destruídos, além da perda de 12 soldados paquistaneses.
Já o Talebã disse que 13 combatentes morreram e acusou o Paquistão de atingir civis, incluindo a casa de um agricultor em Jalalabad e uma escola religiosa em Paktika.
O grupo também declarou ter matado 55 soldados paquistaneses e destruído 19 bases.
A divergência é comum em cenários de tensão militar, onde informações independentes são difíceis de confirmar.
Guerra aberta e reação internacional
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que seu país “esmagou” a agressão.
O ministro da Defesa foi além e declarou “guerra aberta” contra o Talebã.
Em resposta, um porta-voz talebã disse que o grupo “retaliará se formos atacados, mas não iniciaremos confrontos no momento”.
Posteriormente, o próprio Talebã afirmou que prefere resolver a crise por meio do diálogo.
A ONU pediu desescalada imediata. Irã se ofereceu para mediar, destacando que o conflito ocorre durante o Ramadã.
China e Arábia Saudita também pediram moderação.
Por que o conflito Paquistão Talebã voltou a escalar
O Paquistão Talebã vive meses de hostilidade.
Islamabad acusa Cabul de abrigar “terroristas anti-Paquistão”, responsabilizados por atentados no país, incluindo um ataque recente a uma mesquita.
O governo talebã nega e afirma que seu território não é usado contra vizinhos.
Também acusa o Paquistão de ataques aéreos que teriam matado civis.
No início da semana, bombardeios paquistaneses já haviam deixado pelo menos 18 mortos, segundo o Talebã.
Esse histórico alimentou o atual ciclo de retaliações.
O que muda nesta nova fase do bombardeio Afeganistão
Analistas avaliam que a principal diferença é o alvo.
Antes, o Paquistão dizia atacar apenas grupos insurgentes.
Agora, as operações teriam atingido instalações do próprio governo talebã.
“Agora, o alvo é o próprio regime”, afirmou Michael Kugelman, do Atlantic Council.
Isso eleva o risco de confronto direto entre forças estatais e o Talebã, algo considerado improvável até recentemente.
Risco de guerra aberta na fronteira
Apesar da superioridade militar paquistanesa — que inclui armas nucleares — especialistas acreditam que o Talebã deve evitar uma guerra convencional. No entanto, o grupo tem experiência em guerrilha e pode ampliar ataques pontuais.
O chefe militar talebã, Qari Muhammad Fasihuddin, declarou que o Paquistão pode esperar “uma resposta ainda mais decisiva”.
Além disso, ataques a cidades como Abbottabad indicam maior alcance operacional.
Esse cenário mantém a guerra aberta como risco real, principalmente se novos bombardeios Afeganistão ocorrerem.
Impacto regional do conflito fronteira
A crise preocupa países vizinhos e pode desestabilizar o Sul da Ásia.
A fronteira entre Afeganistão e Paquistão já é historicamente volátil, com disputas territoriais e presença de grupos armados.
Se a tensão militar continuar, há risco de deslocamento de civis, interrupção de rotas comerciais e aumento da insegurança regional.
Por enquanto, a comunidade internacional pressiona por diálogo.
No entanto, com a retórica endurecida dos dois lados, o conflito fronteira permanece sem solução imediata.
Veja mais em: Paquistão bombardeia Afeganistão: o que se sabe sobre novo foco de tensão – BBC News Brasil
