Caso de Fatmata Sessay expõe uma espera marcada por documentos pendentes, assistência social, decisão judicial e tentativa de reencontro familiar após meses no Aeroporto Internacional de Belém, onde a imigrante de Serra Leoa aguarda condições para seguir viagem ao Panamá.
Fatmata Sessay, cidadã de Serra Leoa, segue vivendo no Aeroporto Internacional de Belém, no Pará, enquanto aguarda a regularização de documentos para tentar viajar ao Panamá e reencontrar o filho de 15 anos.
Identificada pela Folha de S.Paulo como tendo 56 anos, a imigrante está no terminal há cerca de seis meses e teve a passagem remarcada para 15 de agosto, depois de não conseguir embarcar nesta segunda-feira (22) por pendências documentais.
Viagem ao Panamá depende de documentos
Prevista inicialmente para 22 de junho, a viagem seria feita com passagem fornecida pelo Ministério Público do Pará, mas precisou ser adiada por falta de documentos exigidos no deslocamento internacional.
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De acordo com o promotor Nadilson Portilho, que acompanha o caso, ainda havia pendências relacionadas à carteira internacional de vacinação contra febre amarela, ao visto e ao comprovante de renda.
Com a repercussão do caso, vieram à tona relatos de que Fatmata dorme no saguão do aeroporto e depende de atendimento municipal para alimentação e banho.
Durante o dia, ela frequenta o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, conhecido como Centro Pop, onde recebe apoio básico enquanto aguarda uma solução para deixar o país.
Trajeto teve assaltos e perda do passaporte
Segundo a Folha de S.Paulo, Fatmata afirmou que saiu de São Paulo, onde vivia havia 18 anos, no fim de 2025, com o objetivo de localizar o filho no Panamá.
No caminho, a imigrante diz ter enfrentado uma sequência de dificuldades, entre elas um assalto no Peru e a necessidade de seguir viagem com a ajuda de voluntários até chegar ao Suriname.

Depois de embarcar do Suriname para Belém, ela relatou ter perdido o passaporte em um roubo ocorrido na capital paraense, episódio que teria impedido a continuidade da viagem.
As circunstâncias do caso foram repassadas aos órgãos responsáveis e ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes, especialmente porque o documento era essencial para que ela pudesse seguir viagem.
Justiça Federal determinou assistência consular
A Justiça Federal no Pará entrou no caso após pedido do Ministério Público Federal e determinou, na sexta-feira (19), que o Governo do Pará e o Ministério das Relações Exteriores assegurassem assistência consular à imigrante.
Assinada pela juíza Maria Carolina Valente do Carmo, da 1ª Vara Federal Cível, a decisão previa providências para a regularização da documentação necessária à viagem.
Entre as medidas citadas pela ordem judicial estavam trâmites junto à representação diplomática de Serra Leoa, sediada em Washington, além da obtenção dos vistos exigidos para entrada na Colômbia e no Panamá.
Com essas providências, o objetivo era permitir que Fatmata prosseguisse com a rota planejada, desde que cumprisse as exigências migratórias definidas pelos países envolvidos no deslocamento.
Itamaraty e governo acompanham o caso
O Itamaraty informou à Folha que comunicou o Governo do Pará sobre a situação e encaminhou o tema ao Departamento de Migrações do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Ao mesmo tempo, a pasta afirmou que não realiza intermediação de vistos para terceiros países em favor de brasileiros ou estrangeiros, o que mantém parte da solução dependente de outros canais institucionais.
Em outra apuração, o UOL informou que Fatmata tem visto brasileiro de imigrante regular e que foi barrada ao tentar seguir para o Panamá, antes de ser encaminhada de volta à capital paraense.
Procurado pelo portal, o Governo do Pará declarou que prestou atendimento à imigrante em diferentes ocasiões e que segue atuando em ações integradas de apoio.
Aeroporto virou refúgio durante a espera
Mesmo diante de ofertas de acolhimento, Fatmata atribui a permanência no aeroporto à sensação de segurança que diz encontrar no terminal.
Nadilson Portilho afirmou à Folha que as autoridades tentam convencê-la a aceitar outro tipo de acolhimento, mas ela tem preferido continuar no local enquanto aguarda a liberação dos documentos.
Quando recebeu a notícia de que teria uma passagem comprada pelo Ministério Público, a imigrante se emocionou e agradeceu ao promotor que acompanha o caso.
“Ninguém me ajudou aqui. Só você que comprou a minha passagem. Muito obrigada”, disse ela, em declaração publicada pela imprensa.
Apoio social e mobilização em Belém
A Prefeitura de Belém informou, segundo relatos divulgados sobre o caso, que acompanha a situação da imigrante desde dezembro de 2025, oferece atendimento social e cadastrou Fatmata no Bolsa Família.
Apesar do apoio recebido, a rotina dela continua marcada pela espera no aeroporto, onde improvisa um lugar para dormir e mantém a expectativa de reunir os documentos necessários para seguir viagem.
A mobilização em torno do caso também chegou a moradores de Belém, que passaram a procurar a imigrante para oferecer ajuda durante o período de indefinição.
Entre as pessoas que se sensibilizaram com a situação está a dona de casa Carla Livramento, que se dispôs a recebê-la temporariamente até a conclusão dos trâmites para a viagem ao Panamá.
Além do atendimento municipal, o caso reúne atuação do Ministério Público Estadual, pedido do Ministério Público Federal, decisão da Justiça Federal e manifestação do Itamaraty.
Mesmo com a passagem remarcada, Fatmata ainda depende da conclusão das etapas burocráticas para tentar sair de Belém e retomar a busca pelo filho.

