1. Início
  2. Curiosidades
  3. Mulher vive há seis meses em aeroporto do Brasil após perder passaporte e passagem; aos 56 anos, imigrante enfrenta uma espera angustiante para tentar rever o filho de 15 anos.
PA
Faça um comentário 5 min de leitura

Mulher vive há seis meses em aeroporto do Brasil após perder passaporte e passagem; aos 56 anos, imigrante enfrenta uma espera angustiante para tentar rever o filho de 15 anos.

Foto de perfil do autor Alisson Ficher
Escrito por Alisson Ficher Publicado em 23/06/2026 às 17:41 Atualizado em 23/06/2026 às 17:46
Assista o vídeoFatmata Sessay vive há seis meses no aeroporto de Belém após perder passaporte e tenta viajar ao Panamá para rever o filho.
Fatmata Sessay vive há seis meses no aeroporto de Belém após perder passaporte e tenta viajar ao Panamá para rever o filho.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Caso de Fatmata Sessay expõe uma espera marcada por documentos pendentes, assistência social, decisão judicial e tentativa de reencontro familiar após meses no Aeroporto Internacional de Belém, onde a imigrante de Serra Leoa aguarda condições para seguir viagem ao Panamá.

Fatmata Sessay, cidadã de Serra Leoa, segue vivendo no Aeroporto Internacional de Belém, no Pará, enquanto aguarda a regularização de documentos para tentar viajar ao Panamá e reencontrar o filho de 15 anos.

Identificada pela Folha de S.Paulo como tendo 56 anos, a imigrante está no terminal há cerca de seis meses e teve a passagem remarcada para 15 de agosto, depois de não conseguir embarcar nesta segunda-feira (22) por pendências documentais.

Viagem ao Panamá depende de documentos

Prevista inicialmente para 22 de junho, a viagem seria feita com passagem fornecida pelo Ministério Público do Pará, mas precisou ser adiada por falta de documentos exigidos no deslocamento internacional.

De acordo com o promotor Nadilson Portilho, que acompanha o caso, ainda havia pendências relacionadas à carteira internacional de vacinação contra febre amarela, ao visto e ao comprovante de renda.

Com a repercussão do caso, vieram à tona relatos de que Fatmata dorme no saguão do aeroporto e depende de atendimento municipal para alimentação e banho.

Durante o dia, ela frequenta o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, conhecido como Centro Pop, onde recebe apoio básico enquanto aguarda uma solução para deixar o país.

Trajeto teve assaltos e perda do passaporte

Segundo a Folha de S.Paulo, Fatmata afirmou que saiu de São Paulo, onde vivia havia 18 anos, no fim de 2025, com o objetivo de localizar o filho no Panamá.

No caminho, a imigrante diz ter enfrentado uma sequência de dificuldades, entre elas um assalto no Peru e a necessidade de seguir viagem com a ajuda de voluntários até chegar ao Suriname.

Fatmata Sessay vive há seis meses no aeroporto de Belém após perder passaporte e tenta viajar ao Panamá para rever o filho.
Fatmata Sessay vive há seis meses no aeroporto de Belém após perder passaporte e tenta viajar ao Panamá para rever o filho.

Depois de embarcar do Suriname para Belém, ela relatou ter perdido o passaporte em um roubo ocorrido na capital paraense, episódio que teria impedido a continuidade da viagem.

As circunstâncias do caso foram repassadas aos órgãos responsáveis e ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes, especialmente porque o documento era essencial para que ela pudesse seguir viagem.

Justiça Federal determinou assistência consular

A Justiça Federal no Pará entrou no caso após pedido do Ministério Público Federal e determinou, na sexta-feira (19), que o Governo do Pará e o Ministério das Relações Exteriores assegurassem assistência consular à imigrante.

Assinada pela juíza Maria Carolina Valente do Carmo, da 1ª Vara Federal Cível, a decisão previa providências para a regularização da documentação necessária à viagem.

Entre as medidas citadas pela ordem judicial estavam trâmites junto à representação diplomática de Serra Leoa, sediada em Washington, além da obtenção dos vistos exigidos para entrada na Colômbia e no Panamá.

Com essas providências, o objetivo era permitir que Fatmata prosseguisse com a rota planejada, desde que cumprisse as exigências migratórias definidas pelos países envolvidos no deslocamento.

Itamaraty e governo acompanham o caso

O Itamaraty informou à Folha que comunicou o Governo do Pará sobre a situação e encaminhou o tema ao Departamento de Migrações do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ao mesmo tempo, a pasta afirmou que não realiza intermediação de vistos para terceiros países em favor de brasileiros ou estrangeiros, o que mantém parte da solução dependente de outros canais institucionais.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Em outra apuração, o UOL informou que Fatmata tem visto brasileiro de imigrante regular e que foi barrada ao tentar seguir para o Panamá, antes de ser encaminhada de volta à capital paraense.

Procurado pelo portal, o Governo do Pará declarou que prestou atendimento à imigrante em diferentes ocasiões e que segue atuando em ações integradas de apoio.

Aeroporto virou refúgio durante a espera

Mesmo diante de ofertas de acolhimento, Fatmata atribui a permanência no aeroporto à sensação de segurança que diz encontrar no terminal.

Nadilson Portilho afirmou à Folha que as autoridades tentam convencê-la a aceitar outro tipo de acolhimento, mas ela tem preferido continuar no local enquanto aguarda a liberação dos documentos.

Quando recebeu a notícia de que teria uma passagem comprada pelo Ministério Público, a imigrante se emocionou e agradeceu ao promotor que acompanha o caso.

“Ninguém me ajudou aqui. Só você que comprou a minha passagem. Muito obrigada”, disse ela, em declaração publicada pela imprensa.

Apoio social e mobilização em Belém

A Prefeitura de Belém informou, segundo relatos divulgados sobre o caso, que acompanha a situação da imigrante desde dezembro de 2025, oferece atendimento social e cadastrou Fatmata no Bolsa Família.

Apesar do apoio recebido, a rotina dela continua marcada pela espera no aeroporto, onde improvisa um lugar para dormir e mantém a expectativa de reunir os documentos necessários para seguir viagem.

A mobilização em torno do caso também chegou a moradores de Belém, que passaram a procurar a imigrante para oferecer ajuda durante o período de indefinição.

Entre as pessoas que se sensibilizaram com a situação está a dona de casa Carla Livramento, que se dispôs a recebê-la temporariamente até a conclusão dos trâmites para a viagem ao Panamá.

Além do atendimento municipal, o caso reúne atuação do Ministério Público Estadual, pedido do Ministério Público Federal, decisão da Justiça Federal e manifestação do Itamaraty.

Mesmo com a passagem remarcada, Fatmata ainda depende da conclusão das etapas burocráticas para tentar sair de Belém e retomar a busca pelo filho.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x