Estrutura prevista para Victoria faz parte da estratégia americana de pré-posicionar equipamentos e suprimentos no Indo-Pacífico, em meio ao avanço militar da China e à ampliação da presença dos Marines na Austrália
O Exército dos Estados Unidos pretende criar um depósito de armas permanente na costa sudeste da Austrália, com US$ 30 milhões destinados à construção de armazéns e escritórios em Victoria. Segundo documentos de licitação consultados pela AFP, a estrutura deve atingir capacidade total em 2028 e ampliar o pré-posicionamento militar americano no Indo-Pacífico.
Depósito de armas na Austrália terá estrutura em Victoria
O planejamento revelado em documentos publicados neste mês pela Marinha dos Estados Unidos prevê um depósito para “abastecimento antecipado crítico” no sudeste do estado de Victoria. A instalação ficará inicialmente em Melbourne.
No próximo ano, o depósito deve ser transferido para novas instalações americanas dentro de uma base militar australiana em Bandiana, na zona rural de Victoria. A previsão é que a estrutura alcance sua capacidade total em 2028.
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O projeto é tratado como parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para usar a posição geográfica da Austrália no Pacífico Sul.
Segundo analistas citados no material consultado, a localização ajuda Washington a manter suprimentos fora do alcance da maioria dos mísseis chineses.
Depósito de armas: estratégia americana já envolve Filipinas e Noruega
Os Marines dos Estados Unidos começaram a pré-posicionar suprimentos militares em outros países ainda durante a Guerra Fria, com estruturas em locais como a Noruega.
Na região Ásia-Pacífico, o primeiro depósito terrestre deve ser inaugurado neste ano nas Filipinas, perto de possíveis focos de tensão no Mar do Sul da China. A unidade australiana seria maior, conforme os documentos de licitação.
O Pentágono também solicitou ao Congresso US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,5 bilhões, para o próximo ano.
O objetivo é aprimorar o pré-posicionamento de equipamentos e combustível em toda a região Ásia-Pacífico para contrabalançar a China.
Austrália não autoriza bases estrangeiras, mas amplia presença rotativa
A Austrália não permite bases militares estrangeiras permanentes em seu território. Mesmo assim, mantém uma aliança de segurança com os Estados Unidos e recebe uma presença cada vez mais diversa de forças americanas em rodízio em bases australianas.
Quase 2.000 marines americanos realizam exercícios durante seis meses por ano em Darwin, no norte do país.
A Austrália também integra a aliança Cinco Olhos, ao lado de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Nova Zelândia.
Apoio logístico reforça operações no Indo-Pacífico
Um porta-voz das Forças do Corpo de Marines do Pacífico afirmou à AFP que as atividades dos fuzileiros navais na Austrália mantêm equipamentos e suprimentos prontos para operações e exercícios em todo o Indo-Pacífico.
O Departamento de Defesa australiano declarou que mantém uma estratégia para infraestrutura de bases no sul, voltada à geração de forças, manutenção, redes de saúde e nós logísticos. Segundo o órgão, isso permite projetar poder a partir do norte da Austrália.
Para Sam Roggeveen, diretor de Segurança Internacional do Lowy Institute, o aumento das forças e dos equipamentos americanos representa “uma mudança importante na política australiana”, ligando o país de forma mais estreita aos objetivos estratégicos dos Estados Unidos na região.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da AFP, documentos de licitação da Marinha dos Estados Unidos, declarações do Corpo de Marines do Pacífico, do Departamento de Defesa australiano e de Sam Roggeveen, do Lowy Institute, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.


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