A folha identificada como a página 123 do Palimpsesto de Arquimedes preserva partes das proposições 39 a 41 de “Sobre a Esfera e o Cilindro”. Encontrado em Blois, o documento poderá passar por exames multiespectrais e análises com raios X de síncrotron para recuperar conteúdos atualmente inacessíveis.
Arquimedes volta ao centro de uma investigação após pesquisadores identificarem, na França, uma folha desaparecida de seu palimpsesto. A página pode recuperar cálculos escondidos por séculos e ampliar a compreensão sobre uma obra importante da Antiguidade.
A descoberta ocorreu no Museu de Belas Artes de Blois. Análises preliminares confirmaram que o documento corresponde à página 123 do Palimpsesto de Arquimedes, considerada perdida durante a passagem do manuscrito por coleções particulares.
O estudo foi publicado em 6 de março de 2026 na revista Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik. A folha preserva trechos de Sobre a Esfera e o Cilindro, Livro I, nas proposições 39, 40 e 41.
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Arquimedes reaparece sob textos medievais
O Palimpsesto de Arquimedes é um manuscrito grego produzido no século X. Ele reúne obras atribuídas ao matemático de Siracusa, mas parte da escrita original foi apagada durante a Idade Média para reutilizar o pergaminho.
Naquele período, o suporte feito de pele animal tinha custo elevado. Era comum remover textos antigos e escrever novos conteúdos no mesmo material, criando camadas que hoje exigem técnicas especiais.
O manuscrito permaneceu inicialmente em Jerusalém e, depois, em Constantinopla. Em 1906, Johan Ludvig Heiberg providenciou sua fotografia antes que o volume entrasse em uma coleção particular na França.
Em 1996, o Ministério da Cultura francês autorizou a exportação e a venda do documento em leilão. O palimpsesto foi adquirido por um colecionador particular, que continua sendo seu proprietário.
Atualmente, a obra encontra-se no Walters Art Museum, em Baltimore, nos Estados Unidos. Durante décadas, pesquisadores dependeram das fotografias feitas por Heiberg para examinar páginas e comparar fragmentos conhecidos.

Comparação confirmou a página desaparecida
Victor Gysembergh, pesquisador do CNRS no Centro Léon Robin para Pesquisa do Pensamento Antigo, ligado ao CNRS e à Universidade Sorbonne, identificou a folha preservada em Blois.
A confirmação ocorreu após a comparação com as imagens de 1906, hoje guardadas na Biblioteca Real Dinamarquesa. Os registros permitiram reconhecer claramente a peça como a folha número 123 do conjunto.
Um dos lados apresenta uma oração parcialmente sobreposta a diagramas geométricos e ao trecho matemático de Arquimedes. Boa parte da escrita mais antiga permanece visível e pode ser examinada diretamente pelos especialistas.
No verso, uma iluminura acrescentada no século XX mostra o profeta Daniel cercado por dois leões. A pintura cobre a escrita antiga e impede sua leitura por métodos convencionais.
Novas imagens podem revelar cálculos ocultos
Caso as autorizações necessárias sejam concedidas, a expectativa é iniciar as primeiras campanhas de imageamento dentro de um ano. O trabalho deverá combinar imagem multiespectral e análises de fluorescência com raios X de síncrotron.
Essas técnicas podem revelar o conteúdo preservado sob a iluminura sem retirar a camada acrescentada. O objetivo é recuperar passagens atualmente inacessíveis e compreender melhor os cálculos registrados na página.
No início dos anos 2000, a imagem multiespectral já havia revelado textos importantes de Arquimedes, além de fragmentos desconhecidos de obras literárias e filosóficas antigas.
Antes de chegar ao atual proprietário, porém, o manuscrito passou por diversas mãos. Três folhas registradas nas fotografias de Heiberg desapareceram nesse percurso e permaneceram por muito tempo consideradas perdidas.
A localização de uma delas também renovou o interesse em examinar todo o palimpsesto com recursos mais avançados. Uma nova campanha poderá permitir a releitura de páginas que continuaram ilegíveis durante a primeira digitalização.
A descoberta mostra como acervos históricos e tecnologias modernas podem se complementar na recuperação de conhecimento antigo.
Para você, qual aspecto chama mais atenção: o reaparecimento da folha, a preservação dos cálculos de Arquimedes ou o uso de raios X para alcançar textos escondidos? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa.
Fonte: “A Rediscovered Leaf of the Archimedes Palimpsest in Blois”, de Victor Gysembergh, publicado em 6 de março de 2026 na revista Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik.
