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O ITER reuniu 10 milhões de componentes fabricados em 35 países para criar na França uma “estrela artificial” que vai aquecer plasma a 150 milhões de graus Celsius, temperatura dez vezes maior que a do núcleo do Sol, e tentar reproduzir pela primeira vez em laboratório a reação que alimenta as estrelas há bilhões de anos

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 19/05/2026 às 19:40 Atualizado em 19/05/2026 às 19:44
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Construção do ITER – International Thermonuclear Experimental Reactor – Sicentific american
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ITER terá plasma a 150 milhões de graus, usará ímãs supercondutores a -269°C e busca provar a fusão nuclear com Q=10 na França.

Segundo o ITER Organization, o International Thermonuclear Experimental Reactor, conhecido como ITER, é o maior projeto científico de fusão nuclear da história, em construção em Saint-Paul-lez-Durance, no sul da França. A iniciativa reúne sete parceiros que representam mais da metade da população mundial: China, União Europeia, Índia, Japão, Coreia do Sul, Rússia e Estados Unidos. O custo total estimado ultrapassa US$ 20 bilhões, tornando o ITER um dos projetos científicos mais caros já realizados fora do programa espacial. O reator é do tipo tokamak, em formato de rosquinha, com uma câmara de vácuo de 1.400 metros cúbicos onde o plasma de hidrogênio será aquecido a 150 milhões de graus Celsius.

Essa temperatura é cerca de dez vezes maior que a do núcleo do Sol, estimada em 15 milhões de graus. Nessa condição extrema, núcleos de deutério e trítio podem se fundir, formar hélio e liberar energia, reproduzindo em laboratório o processo que alimenta as estrelas.

ITER é o maior projeto de fusão nuclear já construído no mundo

O ITER foi criado para responder a uma das maiores perguntas da energia moderna: é possível produzir fusão nuclear controlada em escala grande o suficiente para abrir caminho a usinas comerciais? A proposta não é gerar eletricidade para a rede neste primeiro momento, mas provar que o processo físico pode funcionar de forma sustentada.

Futuristic reactor in an industrial hall
ITER – Ilustração

A fusão nuclear une núcleos leves, como deutério e trítio, liberando energia muito superior à de reações químicas convencionais. Diferentemente da fissão, que divide átomos pesados, a fusão tenta reproduzir o mecanismo energético do Sol em uma máquina construída por humanos.

O desafio é gigantesco porque os núcleos atômicos têm cargas positivas e se repelem. Para que eles se aproximem e se fundam, o plasma precisa atingir temperaturas extremas, impossíveis de conter com qualquer material sólido.

Tokamak do ITER usa campo magnético para confinar plasma a 150 milhões de graus

O tokamak resolve esse problema com confinamento magnético. Como o plasma é formado por partículas carregadas, campos magnéticos muito intensos podem mantê-lo preso em uma trajetória circular, sem contato direto com as paredes do reator.

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No ITER, os ímãs toroidais criam o campo principal ao redor da câmara em forma de rosquinha. Ímãs poloidais moldam a seção transversal do plasma, enquanto o solenoide central induz a corrente elétrica que ajuda a iniciar e sustentar a reação.

Esse arranjo cria uma espécie de gaiola invisível. O plasma chega a 150 milhões de graus, mas precisa permanecer suspenso magneticamente, sem tocar a estrutura interna do tokamak.

Solenoide central do ITER funciona como o coração elétrico do reator de fusão

Em abril de 2025, a General Atomics concluiu o sexto e último módulo do solenoide central, o eletroímã considerado o “coração pulsante” do ITER. O módulo chegou ao local do projeto, na França, em setembro de 2025.

O solenoide funciona como um transformador gigante. Quando sua corrente elétrica muda, ele induz uma corrente no plasma, iniciando e sustentando parte essencial da operação do tokamak.

Cinco dos seis módulos já estavam empilhados na sala de montagem em maio de 2026, e o último será adicionado antes da instalação final no poço do tokamak. Sem o solenoide central, o plasma não inicia corretamente e a máquina não cumpre sua função experimental.

Ímãs supercondutores do ITER operam a -269°C perto do zero absoluto

Os ímãs do ITER precisam ser supercondutores para gerar campos magnéticos potentes sem consumo elétrico inviável. Para isso, operam a cerca de -269°C, apenas alguns graus acima do zero absoluto.

A supercondutividade permite que correntes elétricas enormes circulem sem resistência significativa. Sem esse efeito, a energia perdida em calor tornaria impossível manter os campos magnéticos necessários ao confinamento do plasma.

O ITER reuniu 10 milhões de componentes fabricados em 35 países para criar na França uma “estrela artificial” que vai aquecer plasma a 150 milhões de graus Celsius, temperatura dez vezes maior que a do núcleo do Sol
ITER – International Thermonuclear Experimental Reactor/Divulgação

O contraste térmico dentro do ITER é um dos maiores já criados por humanos. A poucos metros de distância, a máquina combina plasma a 150 milhões de graus e ímãs resfriados a temperaturas próximas do limite físico do frio.

ITER reúne 10 milhões de componentes fabricados em 35 países

A escala logística do ITER é quase tão complexa quanto sua física. O reator tem cerca de 10 milhões de componentes distintos, fabricados em 35 países com especificações técnicas rigorosas.

A União Europeia fornece cinco dos nove setores do vaso de vácuo, enquanto a Coreia do Sul fornece os outros quatro. Os Estados Unidos entregam o solenoide central, o Japão participa com componentes supercondutores, a China fornece sistemas magnéticos, e a Índia contribui com criogenia e aquecimento.

Cada peça precisa chegar ao canteiro no momento certo da sequência de montagem. Um atraso em um único componente crítico pode paralisar etapas inteiras de instalação em uma estrutura que exige tolerâncias de décimos de milímetro.

Vaso de vácuo do ITER pesa muito mais que a Estação Espacial Internacional

O vaso de vácuo do ITER é formado por nove grandes setores que precisam ser instalados em sequência específica. Quando completo, o conjunto chegará a cerca de 5.200 toneladas.

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Para comparação, a Estação Espacial Internacional pesa aproximadamente 420 toneladas. Isso mostra que o ITER não é apenas um experimento de laboratório, mas uma infraestrutura científica de escala industrial.

A montagem precisa combinar peso extremo, precisão milimétrica e componentes vindos de diferentes continentes. A máquina é, ao mesmo tempo, um reator experimental, um projeto diplomático e um desafio logístico global.

Meta Q=10 do ITER busca produzir dez vezes mais energia de fusão do que consome no plasma

A métrica central do ITER é o fator Q, que mede a razão entre energia produzida pela fusão e energia usada para aquecer e confinar o plasma. O objetivo é atingir Q=10.

Isso significa produzir 500 megawatts de potência de fusão usando 50 megawatts de aquecimento externo. Nenhum tokamak anterior alcançou esse nível de desempenho sustentado.

O ITER não converterá essa energia em eletricidade para a rede. Sua função é provar que a fusão controlada pode gerar muito mais energia térmica do que a necessária para manter o plasma ativo.

Primeiro plasma do ITER está previsto para 2036 após atrasos acumulados

O cronograma atual prevê o primeiro plasma em 2036, após atrasos acumulados que somam quase duas décadas em relação às metas iniciais. A operação com deutério-trítio em energia plena está prevista para 2039.

Essas datas refletem a complexidade técnica do projeto. O ITER não é uma usina convencional, mas uma máquina inédita, montada por países diferentes e com componentes que precisam funcionar juntos em condições extremas.

Apesar dos atrasos, a montagem do solenoide central marca uma etapa decisiva. O projeto entra na fase em que décadas de engenharia começam a se materializar no centro do tokamak.

Deutério e trítio são os combustíveis da fusão nuclear testada no ITER

O combustível do ITER será baseado em deutério e trítio, dois isótopos do hidrogênio. O deutério pode ser extraído da água do mar em grande quantidade, o que torna sua disponibilidade um dos atrativos da fusão.

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O trítio é mais raro e precisa ser produzido em reatores ou em sistemas dedicados. Reatores futuros de fusão deverão usar módulos de cobertura com lítio para gerar trítio a partir dos nêutrons liberados pela reação.

Esse ponto é fundamental para a viabilidade comercial. A fusão só será uma solução energética completa se os reatores futuros conseguirem produzir parte relevante do próprio combustível.

ITER prepara caminho para o DEMO e para usinas comerciais de fusão nuclear

O ITER não é o destino final da fusão nuclear. Ele foi planejado como etapa anterior ao DEMO, o reator de demonstração que deverá gerar eletricidade para a rede em escala comercial.

O ITER reuniu 10 milhões de componentes fabricados em 35 países para criar na França uma “estrela artificial” que vai aquecer plasma a 150 milhões de graus Celsius, temperatura dez vezes maior que a do núcleo do Sol
Construção do ITER – International Thermonuclear Experimental Reactor – Sicentific american

Se o ITER provar que Q=10 é possível e sustentado, governos e empresas terão base técnica mais sólida para investir em reatores posteriores. O projeto funcionará como prova científica de que a fusão magnética pode sair do campo experimental e avançar para aplicação energética.

A comparação histórica é clara. Assim como o reator CP-1 de Enrico Fermi provou em 1942 que a fissão nuclear controlada era possível, o ITER tenta provar que a fusão controlada pode se tornar uma fonte real de energia limpa no século XXI.

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Ademir dos Santos
Ademir dos Santos
20/05/2026 13:44

Esses loucos estão brincando de Deus
Vão derreter o cérebro deles com essa **** ,
Aí os outros param de inventar ****

Nô Brito
Nô Brito
Em resposta a  Ademir dos Santos
20/05/2026 21:25

**** de Deus, ****! Veja o deus pátria e família. Onde deus mete o dedo só dá em guerra.

Nô Brito
Nô Brito
Em resposta a  Ademir dos Santos
20/05/2026 21:27

Pho rra de De us, seu ba bha ka! . Onde deus mete o dedo só dá em guerra.

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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