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Roterdã criou uma praça alagável que some debaixo da água de propósito, “engole” quase 2 milhões de litros da chuva em três bacias e vira quadra, teatro e área de lazer quando está seca para enfrentar alagamentos urbanos

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Escrito por Carla Teles Publicado em 23/06/2026 às 15:57 Atualizado em 23/06/2026 às 16:00
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Praça alagável Benthemplein em Roterdã usa drenagem contra alagamentos e armazena 1,7 milhão de litros de chuva. (Imagem: Ilustração)
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A praça alagável Benthemplein foi aberta em Roterdã em 4 de dezembro de 2013. Projetada pela De Urbanisten, ela reúne três bacias, calhas de aço inoxidável, quadra esportiva, arquibancada e áreas de lazer para armazenar 1,7 milhão de litros de chuva em temporais urbanos intensos de modo visível ao público.

A praça alagável Benthemplein, em Roterdã, na Holanda, foi criada para fazer algo que parece contraditório: desaparecer parcialmente sob a água de propósito. Quando chove forte, suas três bacias rebaixadas capturam a água da chuva; quando o tempo seca, o mesmo espaço funciona como quadra, teatro, área de permanência e ponto de encontro urbano.

Segundo a Resilient Cities Network, a praça consegue coletar 1,7 milhão de litros de água da área ao redor, marcada por concreto, pavimento e pouca drenagem natural. A obra foi concluída em 2013 e virou um exemplo internacional de como infraestrutura contra alagamentos pode ser visível, útil e integrada à vida cotidiana da cidade.

Roterdã transformou drenagem em espaço público

Praça alagável Benthemplein em Roterdã usa drenagem contra alagamentos e armazena 1,7 milhão de litros de chuva.
Imagem: Urbanisten

Roterdã fica em uma região vulnerável à água e parte da cidade está abaixo do nível do mar. Por isso, a gestão de chuva, canais, drenagem e enchentes não é apenas uma questão técnica: faz parte da própria sobrevivência urbana.

A praça alagável surgiu justamente dessa lógica. Em vez de esconder toda a água em reservatórios subterrâneos caros e invisíveis, a cidade decidiu criar uma infraestrutura aberta, onde moradores, estudantes e trabalhadores pudessem ver como a água é armazenada e direcionada.

Benthemplein foi aberta oficialmente em 2013

Segundo o escritório De Urbanisten, responsável pelo projeto, a Watersquare Benthemplein teve design desenvolvido entre 2011 e 2012 e foi concluída em 2013. A abertura oficial ocorreu em 4 de dezembro daquele ano.

O projeto teve como cliente a Rotterdam Climate Initiative e a cidade de Roterdã, com apoio do Waterboard Schieland & Krimpenerwaard. A obra também contou com colaboração do bureau de engenharia da cidade e de diferentes profissionais ligados à paisagem, construção, aço, cores e participação social.

Três bacias recebem a água da chuva

A praça tem três bacias de drenagem. Duas são mais rasas e recebem água das áreas próximas sempre que chove. A terceira, mais profunda, recebe água quando a chuva persiste por mais tempo e o volume captado é maior.

Essa terceira bacia é o espaço mais chamativo do projeto. Quando seca, funciona como quadra esportiva e teatro a céu aberto, com arquibancada ao redor. Quando chove forte, o mesmo desenho urbano muda de função e passa a trabalhar como reservatório temporário.

Água corre por calhas de aço inoxidável

Praça alagável Benthemplein em Roterdã usa drenagem contra alagamentos e armazena 1,7 milhão de litros de chuva.
Imagem: Urbanisten

A água que cai sobre a praça não desaparece de forma invisível. Ela percorre grandes calhas de aço inoxidável, que conduzem o fluxo até as bacias rebaixadas.

Esse detalhe é importante porque transforma a drenagem em parte da experiência urbana. O caminho da água fica aparente, quase como uma demonstração ao vivo de engenharia urbana. A praça alagável ensina, na prática, como a cidade lida com temporais.

Quase 2 milhões de litros ficam acima do solo

O Stormwater Report informou, em março de 2014, que Benthemplein pode reter quase 2 milhões de litros de água, equivalentes a 528.344 galões. A Resilient Cities Network detalha o volume em 1,7 milhão de litros coletados da área do entorno.

Esse volume é especialmente relevante porque a região era considerada de alto risco para alagamentos. As superfícies impermeáveis de Roterdã conduzem a água rapidamente para sistemas de drenagem, canais e esgotos, que podem ficar sobrecarregados em eventos de chuva intensa.

Espaço seco vira quadra, teatro e área de lazer

Praça alagável Benthemplein em Roterdã usa drenagem contra alagamentos e armazena 1,7 milhão de litros de chuva.
Imagem: Urbanisten

A grande diferença da Benthemplein é que ela não fica esperando a chuva para ter utilidade. Durante o tempo seco, o espaço funciona como área de convivência, lazer, esporte e permanência.

A maior bacia vira uma quadra cercada por assentos em formato de anfiteatro. Uma das bacias menores tem área elevada no meio, pensada para pequenas apresentações. A outra oferece trechos planos que podem ser usados por crianças e jovens sobre rodas.

Projeto teve participação de moradores e estudantes

De Urbanisten informa que o desenho foi construído em diálogo com pessoas que usariam o espaço. Participaram estudantes e professores do Zadkine College e do Graphic Lyceum, membros de uma igreja próxima, teatro juvenil, academia e moradores do bairro Agniese.

Em três oficinas, os participantes discutiram usos possíveis, atmosferas desejadas e a forma como a água poderia influenciar a praça. A decisão não foi apenas técnica: o projeto buscou combinar drenagem urbana com vida comunitária.

Azul marca tudo que pode alagar

Praça alagável Benthemplein em Roterdã usa drenagem contra alagamentos e armazena 1,7 milhão de litros de chuva.
Imagem: Resilient Cities Network

No projeto, tudo que pode receber água foi pintado em tons de azul. Já os elementos que transportam água receberam acabamento em aço inoxidável brilhante.

Essa escolha ajuda a ler a praça de forma intuitiva. O usuário entende quais áreas podem alagar e quais elementos conduzem a chuva. A praça alagável não esconde sua função hidráulica; pelo contrário, usa cor, forma e material para tornar o sistema compreensível.

Área antes sem graça virou referência urbana

A Resilient Cities Network descreve Benthemplein como uma transformação de um espaço antes pouco convidativo, entre edifícios educacionais e comerciais, em um ponto central da comunidade.

A praça trouxe cor, vegetação, áreas de permanência e funções públicas para um local que precisava lidar com risco de inundação. O resultado é uma infraestrutura que não serve apenas para evitar prejuízos, mas também para criar encontro, identidade e uso cotidiano.

Água é liberada lentamente depois da chuva

Praça alagável Benthemplein em Roterdã usa drenagem contra alagamentos e armazena 1,7 milhão de litros de chuva.
Imagem: Urbanistan

Depois de captar a água, o sistema não simplesmente a abandona na rede de drenagem. Segundo a Resilient Cities Network, o volume armazenado é liberado lentamente para um canal próximo e também para o lençol freático.

Esse processo reduz a pressão imediata sobre a infraestrutura urbana durante temporais. Em vez de toda a água correr ao mesmo tempo para ruas, porões e sistemas sobrecarregados, a praça alagável segura parte do impacto e distribui o escoamento em outro ritmo.

Ideia nasceu antes da obra final

De Urbanisten relata que a tipologia da water square foi inventada em 2005, durante a Bienal Internacional de Arquitetura de Roterdã, em uma pesquisa ligada ao tema das enchentes.

Depois disso, houve estudos entre 2006 e 2007, inclusão da ideia no Rotterdam Waterplan 2 em 2007, estudo piloto entre 2008 e 2009, desenho preliminar em 2011, desenho final em 2012 e construção concluída em 2013. A obra final foi resultado de anos de pesquisa, política urbana e testes de conceito.

Projeto virou exemplo internacional

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O Stormwater Report afirmou que Benthemplein foi a primeira praça d’água em escala completa aberta em Roterdã. A obra atraiu atenção internacional por combinar controle de enchentes com espaço público.

A abordagem também reforçou a imagem de Roterdã como cidade que experimenta soluções para adaptação climática. A própria Resilient Cities Network cita a praça como uma das intervenções mais populares da cidade na gestão resiliente da água.

Solução influenciou outras cidades

A experiência de Roterdã passou a ser observada por outras cidades. A Resilient Cities Network destaca que Surat, na Índia, estudou projetos de Roterdã, incluindo water plazas, telhados multifuncionais e armazenamento subterrâneo de água.

Surat passou a desenvolver sua própria praça d’água, adaptada ao contexto de monções, chuvas intensas, poluição do rio Tapi e necessidade de captar água pluvial. O caso mostra que a Benthemplein não ficou restrita à Holanda: virou referência para pensar drenagem urbana em outros países.

Praça mostra novo jeito de enfrentar alagamentos

A Benthemplein chama atenção porque troca a ideia de infraestrutura escondida por uma solução aberta e multifuncional. O reservatório não está enterrado e invisível: ele é uma praça usada por estudantes, moradores, crianças, atletas e visitantes.

Esse modelo ajuda a mudar a forma como cidades encaram a água. Em vez de tratar a chuva apenas como ameaça, Roterdã criou um espaço que aceita a água, organiza seu caminho e transforma o risco em parte do desenho urbano.

Quando a cidade aprende a conviver com a água

A praça alagável de Roterdã mostra que adaptação climática pode ir além de obras cinzentas, grades, tubos e tanques subterrâneos. Em Benthemplein, a água aparece, ocupa espaço, muda a paisagem e depois vai embora de forma controlada.

A pergunta que fica é direta: cidades brasileiras sujeitas a alagamentos deveriam apostar mais em praças alagáveis, parques drenantes e áreas públicas capazes de reter chuva, ou ainda faz mais sentido esconder tudo em obras subterrâneas? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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