Em Singapura, o governo implementou um bônus de S$ 400 a S$ 1.000 para incentivar trabalho e poupança, provocando impacto direto na aposentadoria e no mercado
A aposentadoria tradicional, aquela ideia de parar totalmente aos 60 e poucos anos, está deixando de ser regra em vários lugares do planeta. O envelhecimento acelerado da população e o custo de manter sistemas previdenciários está forçando países a repensarem o modelo.
Singapura avançou com uma estratégia que vem chamando atenção: pagar um bônus anual para quem continua trabalhando e reforça a poupança previdenciária.
As informações foram divulgadas por Ministry of Manpower, órgão do governo de Singapura.
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O que é o Majulah Package, Earn and Save Bonus e por que ele paga S$ 400 a S$ 1.000
O programa que sustenta essa mudança é o Majulah Package, Earn and Save Bonus. Ele prevê um bônus anual de S$ 400 a S$ 1.000, com crédito direto no CPF, o sistema previdenciário do país.
O objetivo é aumentar a segurança financeira de pessoas mais velhas e incentivar a permanência no trabalho por mais tempo, especialmente entre quem ainda está em fase produtiva.
Esse bônus não é um salário mensal. Ele funciona como um reforço anual, ligado a critérios de elegibilidade.
Quem pode receber o bônus e como o dinheiro é depositado no CPF
O benefício é voltado a cidadãos que seguem trabalhando e cumprem regras ligadas a renda e moradia. A verificação é feita de forma automática, sem necessidade de inscrição manual em muitos casos.
O dinheiro é depositado no CPF, que é o sistema de poupança e aposentadoria usado em Singapura.
Na prática, o bônus fortalece o saldo previdenciário e ajuda a construir uma aposentadoria mais estável, mesmo para quem ainda não pretende parar totalmente.
Aposentadoria em 63, reemprego até 68 e a mudança marcada para 1 de julho de 2026
O bônus faz parte de um pacote maior. Singapura já trabalha com idade mínima de aposentadoria em 63 e regra de reemprego até 68, quando as condições são atendidas.
A partir de 1 de julho de 2026, essas idades sobem para 64 e 69.
Esse tipo de medida empurra o mercado para um novo padrão, onde trabalhadores mais velhos seguem empregados por mais tempo e continuam gerando renda.
Por que Singapura está apostando nisso e o que está por trás do Bono de Longevidade
A decisão não tem apenas um lado cultural. Ela nasce de um problema real que afeta muitos países: a população envelhece, a base de trabalhadores diminui e os custos sociais aumentam.
Com mais gente vivendo mais tempo, governos precisam escolher entre aumentar impostos, cortar benefícios ou redesenhar o modelo.
A opção adotada foi criar incentivo para transformar a longevidade em uma vantagem econômica e reforçar a poupança previdenciária de quem segue no mercado.
Os números que mostram por que o mundo está olhando para esse modelo
A população global está envelhecendo em ritmo rápido. E alguns países estão lidando com esse desafio de forma mais intensa.
Em 2024, a parcela de pessoas com 65+ chega a 13,66% em Singapura. Japão e Itália já operam em patamares mais altos, com 29,78% e 24,62%.
Existe previsão de que a população idosa continue crescendo, com 2030 aparecendo como um ponto decisivo para várias economias.
The Straits Times, jornal de Singapura, trouxe os números e os prazos citados.
O que pode mudar no futuro do trabalho com bônus para pessoas mais velhas seguirem ativas
O ponto mais forte desse modelo é a mensagem que ele passa: trabalhar depois dos 60 pode deixar de ser exceção e virar normalidade.
Isso pode acelerar mudanças no jeito como empresas contratam, no formato de jornadas e na estrutura de funções para trabalhadores mais velhos.
Ao mesmo tempo, o tema levanta discussões sobre limites de saúde, desigualdade e até sobre o que significa se aposentar em uma sociedade onde viver até 80 ou 90 se torna cada vez mais comum.
Singapura está mostrando uma tendência que pode ser copiada ou adaptada por países que enfrentam o mesmo desafio.

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