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Trabalhadores migrantes largaram o maior parque de energia renovável do mundo na Índia após calor extremo, jornadas de 12 horas, salários atrasados e alojamentos precários em uma obra que ainda promete abastecer 18 milhões de casas

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 12/06/2026 às 18:18
Atualizado em 12/06/2026 às 18:20
Trabalhadores migrantes largaram o maior parque de energia renovável do mundo na Índia após calor extremo
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A obra de energia renovável em Gujarat promete 18 milhões de casas atendidas, mas relatos expõem calor extremo, salários atrasados, turnos longos e alojamentos precários

Trabalhadores migrantes deixaram o maior parque de energia renovável do mundo na Índia após enfrentar calor extremo, jornadas de 12 horas, salários atrasados e alojamentos precários no Rann de Kutch, em Gujarat.

A informação foi publicada por The Guardian, jornal britânico com cobertura internacional de desenvolvimento, em 11 de setembro de 2025. O projeto segue em construção e deve ficar pronto em 2028, com promessa de abastecer 18 milhões de casas.

O caso chama atenção porque mostra o outro lado da transição energética. A mesma obra que simboliza energia limpa também expõe relatos de trabalhadores que saíram de longe em busca de renda e acabaram voltando para casa sem o pagamento esperado.

Obra no Rann de Kutch promete energia limpa para milhões de casas

O parque fica no Rann de Kutch, uma região de Gujarat, na Índia, marcada por calor forte, terreno salgado e grande distância de áreas urbanas. Ali, trabalhadores migrantes atuam na construção de projetos solares e eólicos.

A obra é tratada como o maior parque de energia renovável do mundo. Quando concluída em 2028, a estrutura poderá abastecer cerca de 18 milhões de casas.

A obra de energia renovável em Gujarat promete 18 milhões de casas atendidas
A obra de energia renovável em Gujarat promete 18 milhões de casas atendidas

Na prática, energia renovável é a eletricidade gerada por fontes que se renovam na natureza, como sol e vento. O problema é que a construção dessa infraestrutura depende de milhares de pessoas em canteiros difíceis, longe de casa e sob pressão.

Trabalhadores migrantes relataram calor extremo, pouca estrutura e turnos de 12 horas

The Guardian, jornal britânico com cobertura internacional de desenvolvimento, registrou relatos de trabalhadores que chegaram ao local atraídos por promessa de salários, benefícios e emprego constante no setor solar.

Muitos vieram de regiões como Bihar, Jharkhand e Uttar Pradesh. Para esses trabalhadores, migrar significa deixar a família para trás e tentar ganhar mais dinheiro em outro estado.

Anawar Alam, trabalhador migrante de 22 anos, relatou que o serviço era pesado, os turnos tinham 12 horas e a moradia ficava em tendas improvisadas. Ele também afirmou que o problema maior era não receber no prazo nem o valor completo.

Salários atrasados pesaram mais que a promessa de emprego no setor solar

Atraso de salário muda tudo para quem sai de casa em busca de renda. O dinheiro esperado serve para sustentar família, pagar dívidas, comprar comida e cobrir a própria viagem.

No caso de Anawar Alam, a situação ficou tão difícil que ele precisou pedir 30.000 rúpias ao pai para conseguir deixar a área da obra. Depois, voltou para casa sem o ganho prometido.

Sikander Kumar, trabalhador de Jharkhand, também deixou o projeto depois de dois meses. Ele e o grupo caminharam 20km para conseguir transporte até a estação e pegar o trem de volta.

Alojamentos precários e falta de água limpa agravaram a rotina na obra

Os relatos também mostram problemas básicos de moradia. Trabalhadores falaram em tendas improvisadas, dificuldade para conseguir água potável e falta de energia elétrica no local onde ficavam alojados.

Para quem está em uma área quente e isolada, água limpa não é detalhe. Ela é essencial para beber, cozinhar, tomar banho e suportar jornadas longas.

Esse ponto torna o contraste ainda mais forte. A obra promete energia limpa em grande escala, mas parte dos trabalhadores relatou não ter acesso adequado a itens simples durante a construção.

Cadeia de contratados dificultou cobrança de direitos trabalhistas

A construção envolve empresas, recrutadores, contratados e equipes espalhadas pelo canteiro. Para o trabalhador comum, essa cadeia pode dificultar a cobrança quando há atraso de salário ou problema de alojamento.

Em obras grandes, uma empresa pode contratar outra, que chama trabalhadores por meio de intermediários. Isso cria distância entre quem executa o serviço e quem libera pagamento ou resolve problemas.

Migrantes também enfrentam dificuldade extra. Muitos não conhecem os caminhos para reclamar, não dominam o idioma local e, depois de voltar para casa, não conseguem retornar para acompanhar o caso.

Energia limpa não elimina a necessidade de trabalho digno

A energia renovável costuma aparecer como caminho para reduzir poluição e ampliar a oferta de eletricidade. Mesmo assim, o caso em Gujarat mostra que uma obra verde não pode ignorar quem levanta a estrutura.

A energia renovável costuma aparecer como caminho para reduzir poluição e ampliar a oferta de eletricidade.
A energia renovável costuma aparecer como caminho para reduzir poluição e ampliar a oferta de eletricidade.

Trabalho digno significa pagamento correto, local seguro, descanso, água limpa e moradia adequada. Sem isso, a promessa ambiental perde força para quem vive a realidade do canteiro.

O ponto central é simples. Energia limpa pode ajudar milhões de casas, mas a construção dessa energia também precisa respeitar trabalhadores que passam meses longe da família.

Projeto segue em construção e expõe um debate maior sobre a transição energética

O maior parque de energia renovável do mundo na Índia ainda está em construção e tem conclusão prevista para 2028. A promessa de abastecer 18 milhões de casas mostra o tamanho da aposta do país em energia limpa.

Ao mesmo tempo, os relatos de calor extremo, salários atrasados, jornadas de 12 horas e alojamentos precários revelam uma pergunta difícil. A transição energética pode crescer sem repetir velhos problemas do trabalho pesado?

A história mostra que grandes obras não são feitas apenas com painéis solares, turbinas e metas de energia. Elas também dependem de pessoas que precisam receber, descansar, beber água limpa e voltar para casa com dignidade.

Você acredita que uma obra de energia limpa também deveria ser cobrada pelas condições de trabalho de quem constrói tudo isso? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta pauta.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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