Segundo o próprio relato do velejador, ele passou horas na alfândega, teve o barco e os drones vistoriados e trabalhou com as organizações Give to Cuba e Cuban Adventure. A carga, equivalente a cerca de meia tonelada, inclui feijão, atum enlatado, remédios básicos e leite em pó para bebês.
Um velejador navegou sozinho do Panamá até Cuba levando pouco mais de US$ 7 mil em alimentos, remédios e leite em pó, passou horas na alfândega em Santiago de Cuba e entregou tudo à Cáritas, braço de caridade da Igreja Católica, para distribuir à população. A história é narrada pelo canal
Sampson Boat Co, divulgado em 16 de junho, que documentou a travessia e a entrega dos suprimentos humanitários no leste da ilha.
A operação envolveu mais de uma organização até a ajuda chegar às mãos certas. De acordo com o relato do velejador, ele se articulou com a instituição beneficente Give to Cuba, sediada nos Estados Unidos, e com a empresa australiana de turismo Cuban Adventure, mas os suprimentos foram fisicamente destinados à Cáritas, ligada à Igreja Católica em Cuba e reconhecida como organização independente tanto por autoridades americanas quanto cubanas. A carga, equivalente a cerca de meia tonelada, foi descrita por ele como uma gota no oceano, capaz de fazer pequena diferença para um pequeno grupo de pessoas.
A travessia do Panamá a Cuba com meia tonelada de suprimentos

O ponto de partida da viagem foi o Panamá, de onde o velejador cruzou o mar até a entrada de Santiago de Cuba. Pelo relato dele, o barco carregava cerca de meia tonelada de suprimentos, no valor de pouco mais de US$ 7 mil, em itens básicos de alimentação e de saúde.
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A lista de doações reunia produtos de primeira necessidade. Segundo o velejador, a carga incluía bastante feijão seco e grão de bico, atum e frango enlatados, escovas e pasta de dente, lenços umedecidos, absorventes, remédios básicos como multivitamínicos infantis, paracetamol e xarope para tosse, curativos e leite em pó para bebês. Ele faz questão de frisar que se trata de uma contribuição pequena diante do tamanho do problema.
As horas na alfândega cubana
A chegada a Cuba esteve longe de ser rápida. O velejador conta que passou horas na alfândega e na imigração, respondendo a muitas perguntas sobre quem eram e o que faziam, enquanto os agentes inspecionavam o barco e todos os suprimentos de ajuda.
A vistoria foi minuciosa, mas terminou sem impedimentos. De acordo com o relato dele, as autoridades também examinaram os equipamentos de comunicação e os drones, sem encontrar problemas, e ele passou a noite no local antes de trabalhar o dia seguinte inteiro para obter a permissão de descarregar. O navegador observa que não teve autorização para filmar os agentes e que a alfândega conferiu cada item colocado nas vans, comparando tudo com a lista que havia apresentado.
A entrega à Cáritas e à Igreja Católica
A logística da doação passou por uma articulação entre diferentes grupos. Para organizar a entrega, o velejador afirma ter trabalhado com a instituição americana Give to Cuba e com a empresa australiana de turismo Cuban Adventure, que mantém pessoas espalhadas pelo país para ajudar a distribuir a ajuda.
O destino final dos suprimentos, porém, foi a estrutura da Igreja Católica. Os itens foram fisicamente destinados à Cáritas, descrita pelo navegador como uma organização de base, presente no meio do povo cubano, e reconhecida como independente por autoridades americanas e cubanas. Segundo o relato dele, representantes da entidade acompanharam o carregamento e prometeram enviar fotos e vídeos quando a ajuda for distribuída a quem mais precisa.
As preocupações legais e as diretrizes dos EUA
A missão também levantou dúvidas sobre a legalidade da operação. O velejador reconhece que algumas pessoas temeram que a iniciativa contrariasse as diretrizes dos Estados Unidos, mas ele sustenta que esse não é o caso e que, no seu entendimento, as regras americanas são claras ao permitir a doação de ajuda ao povo cubano.
Ele diz ter compartilhado essas mesmas preocupações antes de zarpar. Por isso, conta que fez bastante planejamento e pesquisa e conversou com pessoas experientes antes de começar, definindo a viagem como um esforço para manter tudo dentro da lei. Vale registrar que essa é a avaliação do próprio velejador sobre as regras, e não uma decisão oficial sobre o tema.
O retrato de Cuba: salários baixos e crise de energia
Além da entrega, o velejador compartilha as impressões que teve ao conversar com moradores, ressaltando que a maioria preferiu não ser gravada. Segundo ele, um salário mensal comum na ilha fica entre US$ 6 e US$ 10, chegando a talvez US$ 20 para um profissional muito qualificado, como um médico.
O cenário descrito por ele é de carestia e de falta de energia. O navegador relata que os preços dispararam, com a comida custando hoje mais ou menos o mesmo que nos Estados Unidos ou na Europa, e a gasolina disponível quase só no mercado negro, a cerca de US$ 20 por litro. Como resultado, de acordo com o relato dele, muitas pessoas cozinham no carvão, a eletricidade dura apenas uma ou duas horas por dia e a situação é de grande dificuldade, ainda que os moradores sigam se virando.
A travessia do velejador, que saiu sozinho do Panamá com cerca de meia tonelada de suprimentos e os entregou à Cáritas em Santiago de Cuba, é, nas palavras dele, uma gota no oceano, mas uma gota simbólica, levando ajuda por mar a um lugar onde a maior parte do apoio chega de fora, por Havana.
O relato do navegador também desenha um retrato das dificuldades em Cuba, de salários mensais de poucos dólares a uma crise de combustível que empurra famílias a cozinhar no carvão e a viver com uma ou duas horas de eletricidade por dia. Com a entrega concluída, ele afirmou que pretendia seguir viagem, tendo as Bahamas como provável próxima parada.
E você, o que achou da missão do velejador de levar ajuda a Cuba de barco? Acredita que iniciativas individuais como essa fazem diferença diante de crises humanitárias? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores, com respeito às diferentes visões.


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