Projeto costeiro em Wellington combina engenharia holandesa, desenho Māori e proteção de infraestrutura em uma rota onde rodovia, ferrovia e caminho compartilhado dividem espaço com o mar.
A Nova Zelândia abriu ao público, em 16 de maio de 2026, um novo trecho do Te Ara Tupua, caminho compartilhado para pedestres e ciclistas entre Wellington e Lower Hutt.
A obra inclui uma barreira costeira formada por milhares de blocos de concreto em formato de X, encaixados como peças de quebra-cabeça para proteger a orla, a State Highway 2 e a rede ferroviária de Hutt Valley dos impactos do mar e de eventos extremos.
O projeto fica no trecho Ngā Ūranga ki Pito-One, faixa costeira usada por parte da infraestrutura de transporte da região de Wellington.
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No local passam rodovia, ferrovia e agora uma rota voltada a caminhadas e bicicletas.
Segundo a NZ Transport Agency Waka Kotahi, o Te Ara Tupua foi planejado para ampliar a resiliência do transporte, proteger a linha férrea contra tempestades, ressacas e elevação do nível do mar, além de melhorar a conexão entre Wellington e o Hutt Valley.
Blocos em X integram a proteção costeira em Wellington
A estrutura instalada na linha d’água usa unidades chamadas XBlocPlus, blocos de concreto moldados em X que se encaixam e se sobrepõem para formar um revestimento marítimo em inclinação mais acentuada.
De acordo com a NZTA, esse formato reduz a área ocupada pela barreira e diminui o volume de material necessário em comparação com um revestimento feito apenas com rochas.
A embaixada dos Países Baixos na Nova Zelândia informou que quase 7 mil unidades XBlocPlus foram instaladas ao longo da orla do Te Ara Tupua.
Já a página técnica da Xbloc registra 6.650 blocos de 1 metro cúbico, distribuídos em oito estruturas e em cerca de 2 quilômetros de revestimento costeiro.
Por isso, a formulação “quase 7 mil” aparece no texto como uma aproximação baseada na divulgação institucional.
A tecnologia foi desenvolvida pela Delta Marine Consultants, empresa holandesa que integra a Van Oord.
Segundo a representação do governo dos Países Baixos, os blocos foram usados inicialmente no projeto Afsluitdijk, na Holanda, e depois aplicados em outras obras costeiras pelo mundo.
No caso neozelandês, a escolha permitiu construir a proteção em uma inclinação mais íngreme, com economia de material, espaço e quase 12 meses no cronograma de construção, conforme a mesma fonte.
Te Ara Tupua protege rodovia, ferrovia e ciclovia
O Te Ara Tupua não se limita à função de rota para ciclistas e pedestres.
O corredor costeiro entre Wellington e Lower Hutt concentra deslocamentos diários e infraestrutura considerada estratégica para a região.
A State Highway 2 e a ferrovia de Hutt Valley ficam próximas ao mar, em uma área exposta a ressacas, tempestades e riscos associados à elevação do nível do mar.
No anúncio sobre a abertura, o ministro dos Transportes da Nova Zelândia, Chris Bishop, afirmou que o trecho final do projeto mais amplo vai proteger a State Highway 2 e a rede ferroviária de Hutt Valley dos impactos do tempo severo, ao mesmo tempo em que oferece uma conexão segura para caminhada e ciclismo.
O governo informou que o custo total do trecho Ngā Ūranga a Petone é de 348,7 milhões de dólares neozelandeses, com financiamento dividido entre a Coroa, a NZTA, o Conselho da Cidade de Wellington e o Conselho Regional da Grande Wellington.
A NZTA conduz o projeto em parceria com iwi mana whenua, incluindo Taranaki Whānui e Ngāti Toa, além dos conselhos locais de Wellington City, Greater Wellington e Hutt City.
A Te Ara Tupua Alliance, responsável pelo trecho Ngā Ūranga ki Pito-One, reúne a agência e as empresas Tonkin + Taylor, Downer NZ e HEB Construction.
Barreira costeira foi testada para terremotos
Um dos pontos técnicos do projeto é a adaptação da barreira para condições sísmicas.
A NZTA afirma que o Te Ara Tupua é o primeiro projeto em que o desempenho sísmico das unidades XBlocPlus foi considerado e testado no desenho da estrutura.
A medida se relaciona ao fato de o novo muro marítimo estar construído sobre uma grande falha ativa.
Esse aspecto coloca a obra em uma categoria que combina proteção costeira, mobilidade urbana, adaptação climática e risco geológico.
Em vez de tratar a estrutura apenas como uma barreira contra ondas, o projeto incorporou exigências ligadas ao mar, ao transporte e à instabilidade do terreno.
Na prática, os blocos em X foram projetados para dissipar a energia das ondas, ajudar na estabilização da faixa costeira e ocupar menos espaço do que alternativas convencionais.
Essa característica é relevante no trecho porque a ciclovia, a rodovia e a ferrovia dividem uma área estreita entre o relevo e o porto de Wellington.

Desenho Māori aparece na superfície dos blocos
A aparência dos blocos também foi incorporada ao planejamento do projeto.
Segundo a embaixada dos Países Baixos, o desenho das unidades foi desenvolvido em colaboração entre engenheiros e o líder de design iwi Len Hetet.
A proposta recebeu o nome de Te Ripowai, em referência ao movimento da água e à ideia de guardiões da linha costeira.
Hetet resumiu o conceito com a frase: “If we look after the land, the water will reciprocate”.
Em tradução livre, a mensagem afirma que, ao cuidar da terra, a água responde da mesma forma.
No contexto do projeto, a frase foi usada para explicar a integração entre a proteção costeira e os valores culturais Māori associados ao território.
Os blocos receberam texturas para reproduzir características de uma costa rochosa natural.
Segundo a NZTA, engenheiros e ecologistas trabalharam com Len Hetet para combinar desenho cultural e melhoria ambiental, com padrões de superfície voltados a estimular o crescimento de plantas marinhas.
A embaixada holandesa também informou que a textura busca favorecer a presença de vegetação e vida marinha.
Caminho compartilhado une transporte ativo e proteção costeira
A nova rota foi apresentada pelo governo neozelandês como uma alternativa de mobilidade para ciclistas e pedestres.
O Te Ara Tupua cria uma ligação contínua entre Wellington e Lower Hutt, amplia as opções de transporte ativo e acrescenta uso público a um trecho marcado pela presença de infraestrutura rodoviária e ferroviária.
A proteção costeira, porém, não ficou separada do espaço de circulação.
Os blocos permanecem visíveis ao longo da orla e integram a paisagem do caminho compartilhado.
Com isso, a estrutura técnica também aparece para quem passa pelo local a pé ou de bicicleta, sem ficar restrita à função de contenção.
Para os usuários da rota, a sequência de peças encaixadas pode parecer apenas parte do desenho da orla.
Para a infraestrutura da região, a barreira foi planejada para reduzir a exposição de uma faixa essencial de transporte a ondas, erosão, tempestades, avanço do mar e terremotos.


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