Avisos enviados em 19 de janeiro, válidos por um ano, informam cidadãos sobre possível requisição de casas, veículos, barcos e maquinário em cenário de guerra, em meio ao aumento das tensões militares e estratégicas no Ártico envolvendo OTAN, Rússia, China e disputas por rotas e recursos
A Noruega alertou seus cidadãos sobre a possibilidade de aquisição estatal de bens privados em caso de guerra, após enviar cerca de 13.500 cartas de requisição preparatórias em 19 de janeiro, válidas por um ano, em meio ao aumento das tensões estratégicas no Ártico.
Avisos oficiais e alcance das requisições
O governo norueguês informou que os avisos tratam da eventual aquisição de propriedades privadas, incluindo casas, veículos, barcos e maquinário, caso uma situação de guerra exija mobilização de recursos civis.
Segundo as autoridades, aproximadamente um terço das 13.500 cartas continha novas solicitações, enquanto os outros dois terços correspondiam a comunicações já enviadas no ano anterior, agora renovadas dentro do mesmo mecanismo legal.
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Em comunicado, os militares afirmaram que as requisições têm como objetivo assegurar que, em um cenário de conflito, as Forças Armadas tenham acesso rápido aos recursos necessários para a defesa do país.
Fronteira com a Rússia e papel na OTAN
A Noruega compartilha uma fronteira terrestre de 198 quilômetros com a Rússia, além de uma extensa fronteira marítima, e desempenha papel relevante nas operações de vigilância da OTAN na região ártica.
O aquecimento global e o consequente derretimento das calotas polares abriram novas rotas de navegação e acesso a recursos naturais, ampliando as disputas estratégcas entre potências globais interessadas na região.
Essas mudanças reforçam a importância geopolítica do Ártico, hoje visto como área-chave para projeção militar, logística e econômica por diferentes países.
Presença russa, China e avaliação da OTAN
A Rússia é o maior país do Ártico, com cerca de 2 milhões de habitantes na região e presença militar considerada massiva, além de controlar aproximadamente 53% do litoral ártico.
A China se define como um “Estado quase ártico” e participa da chamada Rota da Seda do Gelo, também conhecida como Rota da Seda Polar, vinculada ao megaprojeto russo de desenvolvimento regional.
Quatro especialistas em defesa da OTAN, incluindo o ex-chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, Glen Van Herck, avaliaram que os países da aliança levarão mais uma década para alcançar o nível de capacidade militar russa no Ártico.
Ogivas nucleares, declarações políticas e Groenlândia
A instalação russa de Kola, próxima à fronteira com a Noruega, abriga a maior concentração de ogivas nucleares do mundo, segundo autoridades norueguesas.
O ministro da Defesa da Noruega, Tore Sandvik, afirmou que essas armas não estão direcionadas apenas ao território norueguês, mas também ao Reino Unido, ao Canadá e aos Estados Unidos, através do Polo Norte.
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, manteve retórica consistente ao ameaçar anexar a Groenlândia, afirmando que o mundo não estará seguro sem controle total do território.
No sábado, o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, declarou que a posição da Noruega é firme e que o país apoia integralmente a soberania do Reino da Dinamarca sobre a Groenlândia, reforçando a postura oficial diante da crescente dominaçao geopolítica no Ártico.
