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NASA comprou Boeing 747 por US$ 16 milhões, retirou seu interior e colocou um Ônibus Espacial nas costas para lançar o Enterprise em testes sem motor, antes de usar dois jumbos em 87 missões de transporte durante três décadas do programa espacial americano

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Escrito por Carla Teles Publicado em 02/06/2026 às 20:47 Atualizado em 02/06/2026 às 20:51
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NASA usou Boeing 747 para levar Ônibus Espacial Enterprise a voos livres; depois, jumbos sustentaram 87 missões de transporte.
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Antes de o Ônibus Espacial Columbia chegar à órbita, a NASA converteu um Boeing 747 para transportar o Enterprise e liberá-lo em voos livres sem motor. Comprado por cerca de US$ 15,6 milhões, o jumbo abriu caminho para outra aeronave e 87 missões de transporte dos orbitadores do programa americano.

A imagem de um Ônibus Espacial montado sobre um Boeing 747 tornou-se um dos símbolos mais reconhecíveis do programa espacial dos Estados Unidos. Essa combinação começou a tomar forma em 1974, quando a NASA comprou um jumbo usado da American Airlines por aproximadamente US$ 15,6 milhões e iniciou sua conversão para transportar orbitadores.

Conforme explicado em vídeo publicado pelo canal Dobra Espacial, o avião modificado, identificado como NASA 905, teve papel decisivo antes mesmo da primeira missão orbital do programa. Em 1977, na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, ele levou o protótipo Enterprise a grandes altitudes e o liberou em testes planados sem propulsão, permitindo que astronautas e engenheiros avaliassem como o veículo pousaria após retornar do espaço.

NASA precisava mover um Ônibus Espacial que não podia cruzar o país sozinho

NASA usou Boeing 747 para levar Ônibus Espacial Enterprise a voos livres; depois, jumbos sustentaram 87 missões de transporte.
Imagem: Reprodução/YouTube/Dobra Espacial.

Quando o desenho do programa avançou, a NASA enfrentou um problema prático: como transportar um orbitador construído na Califórnia até centros de testes ou até o local de lançamento na Flórida. O Ônibus Espacial não havia sido projetado para fazer deslocamentos atmosféricos longos usando motores próprios.

Na volta de missões espaciais, a dificuldade também poderia reaparecer. Embora o Centro Espacial Kennedy fosse o local principal de pouso, condições meteorológicas ou operacionais poderiam levar uma nave a aterrissar na Base Aérea de Edwards, do outro lado dos Estados Unidos.

Transportar um veículo desse porte por terra ou por mar envolveria limitações logísticas expressivas. A NASA precisava de uma solução capaz de levar o orbitador pelo ar e, ao mesmo tempo, ajudar a provar que ele poderia planar e pousar com segurança.

O Boeing 747 surgiu como resposta para os dois desafios. Convertido em aeronave transportadora, ele poderia atravessar grandes distâncias com o orbitador nas costas e ainda funcionar como plataforma de lançamento atmosférico para os testes do Enterprise.

Boeing 747 venceu disputa contra alternativa militar de transporte

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Imagem: Reprodução/YouTube/Dobra Espacial.

Antes de escolher o jumbo, a NASA avaliou alternativas para carregar o orbitador. Entre os modelos estudados estava o Lockheed C-5A Galaxy, aeronave militar de grande capacidade, além do próprio Boeing 747, então ainda relativamente novo no mercado da aviação comercial.

Os estudos indicaram vantagens para o 747, como capacidade de realizar transporte transcontinental sem necessidade de reabastecimento, utilização de pistas menores e maior vida estrutural prevista. Também havia preocupações aerodinâmicas envolvendo a configuração do orbitador sobre o C-5A.

Com essa avaliação, a agência abandonou planos anteriores de instalar motores de transporte no próprio orbitador e decidiu adquirir um Boeing 747 para cumprir a função de Shuttle Carrier Aircraft, ou SCA, a aeronave carregadora do Ônibus Espacial.

A escolha evitava tornar a espaçonave mais pesada e complexa apenas para deslocamentos que ocorreriam fora das missões orbitais. Em vez disso, a NASA criaria um avião especializado para levar o orbitador onde fosse necessário.

Primeiro jumbo custou US$ 15,6 milhões e teve interior removido

NASA usou Boeing 747 para levar Ônibus Espacial Enterprise a voos livres; depois, jumbos sustentaram 87 missões de transporte.
Imagem: Reprodução/YouTube/Dobra Espacial.

Em 18 de julho de 1974, a NASA comprou da American Airlines um Boeing 747-123 usado por aproximadamente US$ 15,6 milhões. A aeronave, construída em 1970 e registrada posteriormente como N905NA, havia acumulado cerca de 9 mil horas de voo antes de passar para a agência espacial.

O jumbo não poderia simplesmente receber um orbitador sobre a fuselagem e decolar. A adaptação exigiu mudanças estruturais profundas. O acabamento, os assentos e boa parte dos equipamentos internos localizados atrás das portas dianteiras foram retirados para reduzir peso e permitir reforços necessários à nova missão.

Também foram instalados três suportes externos sobre a fuselagem: um na parte dianteira e dois na região traseira. Esses pontos fixariam o Ônibus Espacial ao avião transportador, reproduzindo em parte a lógica dos pontos de ligação usados no conjunto de lançamento.

O Boeing 747 deixou de ser um avião de passageiros e passou a funcionar como uma plataforma aérea construída para carregar uma espaçonave inteira sobre o dorso.

Cauda ganhou reforços para manter controle com orbitador nas costas

NASA usou Boeing 747 para levar Ônibus Espacial Enterprise a voos livres; depois, jumbos sustentaram 87 missões de transporte.
Imagem: Reprodução/YouTube/Dobra Espacial.

A presença de um orbitador sobre o 747 modificava radicalmente o comportamento aerodinâmico do avião. A estrutura montada sobre a fuselagem interferia no fluxo de ar e exigia alterações para preservar estabilidade e controle durante decolagem, cruzeiro e pouso.

Por isso, o NASA 905 recebeu dois estabilizadores verticais adicionais nas extremidades do estabilizador horizontal da cauda. As superfícies extras ajudavam a manter a estabilidade direcional quando o avião voava com o Ônibus Espacial acoplado.

A aeronave também recebeu instrumentos para que a tripulação e os engenheiros acompanhassem sistemas do orbitador durante os voos de transporte. No programa de testes do Enterprise, o 747 ainda contou com equipamentos especiais relacionados à segurança das operações experimentais.

As mudanças transformaram a aparência do jumbo. O conjunto parecia improvável aos olhos do público, mas cada suporte e cada modificação na cauda respondiam a necessidades reais de engenharia.

Enterprise foi construído para testar voo e pouso sem ir ao espaço

NASA usou Boeing 747 para levar Ônibus Espacial Enterprise a voos livres; depois, jumbos sustentaram 87 missões de transporte.
Imagem: Reprodução/YouTube/Dobra Espacial.

O primeiro orbitador usado nessa operação foi o Enterprise, identificado como OV-101. Diferentemente das naves que mais tarde viajariam à órbita, ele era um protótipo voltado aos testes atmosféricos e não dispunha de sistemas necessários para uma missão espacial operacional.

O Enterprise não tinha motores principais operacionais nem proteção térmica funcional para suportar uma reentrada orbital. Seu papel era permitir que engenheiros e astronautas verificassem o comportamento aerodinâmico do formato do Ônibus Espacial durante aproximações e pousos.

Esse ponto era decisivo porque o orbitador retornaria do espaço como um planador. Sem motores a jato para corrigir uma aproximação mal executada, a tripulação teria apenas uma oportunidade de conduzir a aeronave até a pista.

Antes de enviar astronautas ao espaço, a NASA precisava provar que aquele veículo pesado, de asas compactas e sem propulsão durante o pouso conseguiria chegar ao solo com controle.

Testes começaram com avião preso ao 747 antes dos voos livres

O programa Approach and Landing Tests, conhecido pela sigla ALT, começou em 1977 no então Centro de Pesquisa de Voo Dryden, na Base Aérea de Edwards. Em 15 de fevereiro daquele ano, o conjunto formado pelo NASA 905 e o Enterprise realizou três testes de taxiamento.

Depois dessa fase, a NASA conduziu cinco voos com o Enterprise preso ao Boeing 747 e sem tripulação dentro do protótipo. A intenção era medir o desempenho aerodinâmico da configuração completa durante decolagem, subida, voo e pouso.

Em seguida, ocorreram três voos cativos com astronautas dentro do Enterprise e sistemas ativados. Esses ensaios permitiram testar procedimentos, instrumentos e condições que seriam necessárias quando chegasse o momento de liberar o orbitador no ar.

A agência avançou em etapas porque qualquer falha poderia comprometer duas aeronaves ao mesmo tempo: o jumbo transportador e o protótipo do Ônibus Espacial montado sobre ele.

Boeing 747 liberou Enterprise no primeiro voo sem motor em agosto de 1977

NASA usou Boeing 747 para levar Ônibus Espacial Enterprise a voos livres; depois, jumbos sustentaram 87 missões de transporte.
Imagem: Reprodução/YouTube/Dobra Espacial.

Em 12 de agosto de 1977, o Enterprise realizou seu primeiro voo livre. Os astronautas Fred Haise e Gordon Fullerton estavam no cockpit do protótipo quando o Boeing 747 o levou ao céu sobre a região de Edwards e iniciou a sequência de separação.

No ponto planejado, o orbitador foi liberado do NASA 905 e começou a planar por conta própria. O voo durou pouco mais de cinco minutos e terminou com pouso na superfície seca do lago Rogers, área utilizada por sua grande extensão e margem de segurança.

Era a primeira vez que um Ônibus Espacial voava sozinho. A missão não buscava alcançar a órbita nem testar motores de lançamento, mas verificar se o formato definitivo do orbitador responderia adequadamente aos controles durante a aproximação e o pouso.

O 747 não apenas transportou o Enterprise: ele tornou possível o instante em que a NASA descobriu, em voo real, se sua nova espaçonave conseguiria voltar à Terra como um planador.

Cinco voos livres revelaram problema antes da primeira missão orbital

Ao todo, o Enterprise realizou cinco voos livres durante os testes de aproximação e pouso. As tripulações formadas por Fred Haise e Gordon Fullerton, além de Joe Engle e Richard Truly, alternaram-se nos comandos durante os ensaios.

Nos primeiros voos, o protótipo utilizou uma cobertura de cauda projetada para suavizar a turbulência na região traseira enquanto permanecia ligado ao Boeing 747. Nas duas últimas liberações, essa cobertura foi retirada para que a NASA avaliasse condições mais próximas da configuração real de retorno orbital.

O quinto voo terminou em uma pista de concreto, em vez da superfície extensa do lago seco. Durante o pouso, surgiram oscilações induzidas pelo piloto associadas ao sistema de controle do veículo, problema que exigiu investigação e correção antes da estreia orbital do Columbia.

O episódio mostrou por que testar o Enterprise era indispensável: uma falha identificada em um voo planado de desenvolvimento pôde ser tratada antes que um Ônibus Espacial retornasse de uma missão real.

Columbia abriu fase operacional e transformou 747 em transporte indispensável

Depois dos testes com o Enterprise, o Columbia realizou a primeira missão orbital do programa em abril de 1981. A partir dali, os orbitadores passaram a viajar ao espaço em missões científicas, militares, de manutenção de satélites e de construção da Estação Espacial Internacional.

Quando uma missão pousava na Califórnia, o orbitador precisava retornar ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida, para preparação de novos lançamentos. Nessas situações, o Boeing 747 modificado deixava de ser plataforma experimental e assumia sua função logística mais recorrente.

O transporte exigia que o orbitador fosse instalado sobre o avião por estruturas especiais de elevação. Uma vez acoplado, o conjunto seguia em voo de traslado, em altitudes e velocidades limitadas pela enorme carga montada sobre a fuselagem.

O sucesso operacional do Ônibus Espacial não dependia apenas dos foguetes e das plataformas de lançamento; dependia também de um jumbo capaz de trazer a nave de volta à base quando ela pousava longe da Flórida.

Segundo Boeing 747 reforçou frota após anos de programa

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Durante os primeiros anos, o NASA 905 foi a única aeronave transportadora desse tipo utilizada pelo programa. A situação mudou quando a NASA incorporou um segundo Boeing 747, adquirido anteriormente da Japan Air Lines e convertido para cumprir a mesma função.

O novo avião, identificado como NASA 911, entrou em serviço como Shuttle Carrier Aircraft em novembro de 1990. Assim como o primeiro, ele recebeu reforços estruturais, pontos de fixação, estabilizadores adicionais na cauda e adaptações necessárias para transportar um Ônibus Espacial sobre sua fuselagem.

A incorporação de uma segunda aeronave reduziu a dependência de um único avião para uma operação essencial ao calendário das missões. Caso um transportador estivesse indisponível, o programa teria outra unidade capaz de executar traslados.

A imagem do orbitador sobre o jumbo deixou de depender de um único avião e passou a representar uma pequena frota dedicada a sustentar a operação espacial americana.

Dois jumbos realizaram 87 missões na fase operacional do programa

Segundo os registros da NASA, os Shuttle Carrier Aircraft realizaram 87 missões de transporte durante a fase operacional do programa do Ônibus Espacial. O NASA 905 respondeu por 70 desses voos, enquanto o segundo jumbo ampliou a capacidade de atendimento após sua entrada em serviço.

Das 87 missões, 54 ocorreram após orbitadores pousarem na Base Aérea de Edwards e precisarem retornar ao Centro Espacial Kennedy. O dado mostra que o trabalho dos aviões cargueiros estava diretamente ligado à continuidade das operações após pousos fora da Flórida.

Os jumbos também transportaram orbitadores para outras necessidades do programa, incluindo deslocamentos relacionados a instalações e, após o encerramento da frota, entregas para exposição pública. O Enterprise, que nunca viajou ao espaço, também realizou deslocamentos sobre o NASA 905.

Durante três décadas, o conjunto que parecia uma imagem impossível tornou-se uma ferramenta de rotina para manter o programa americano funcionando entre pousos, testes e novos destinos.

Aviões que carregaram o Ônibus Espacial viraram peças históricas

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O programa do Ônibus Espacial terminou em 2011, após décadas de missões e 135 voos orbitais. Com o encerramento das operações, as próprias aeronaves que carregaram as naves também passaram a ocupar espaço na memória da exploração espacial americana.

O NASA 905 foi aposentado após realizar missões finais de entrega de orbitadores a museus. Ele passou a integrar uma exposição histórica no Space Center Houston, onde aparece associado a uma réplica de ônibus espacial montada sobre sua fuselagem.

O NASA 911 também foi aposentado e ficou exposto em Palmdale, na Califórnia. Embora nenhum dos dois jumbos tenha viajado ao espaço, ambos permitiram que as naves fossem testadas, deslocadas e apresentadas ao público em diferentes etapas do programa.

A NASA comprou um avião comercial usado para resolver um problema de transporte e acabou criando uma das imagens mais duradouras da era do Ônibus Espacial.

Jumbo com espaçonave nas costas mostrou que engenharia também depende de soluções improváveis

O Boeing 747 adquirido por cerca de US$ 15,6 milhões não foi escolhido para lançar astronautas à órbita nem para substituir foguetes. Sua função era menos espetacular no papel, mas decisiva na prática: transportar uma espaçonave que não conseguia cruzar sozinha o território americano e ajudá-la a provar que podia pousar.

O Enterprise demonstrou, em cinco voos livres, que o conceito do orbitador poderia funcionar na atmosfera. Décadas depois, os dois jumbos convertidos haviam cumprido 87 missões de transporte na fase operacional, sustentando uma rotina que levou o Ônibus Espacial a diferentes pistas, bases e destinos.

O que mais impressiona nessa história: a NASA ter colocado uma espaçonave inteira sobre um Boeing 747 ou o fato de esse arranjo ter se tornado indispensável para um dos programas espaciais mais famosos do mundo? Comente sua opinião.

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