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Cientistas transformam restos de comida em combustível de aviação, testam mistura de 50% com querosene convencional e apontam caminho capaz de reduzir emissões, reaproveitar resíduos urbanos e tornar os voos mais sustentáveis no futuro

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 23/06/2026 às 21:45
Cientistas criam combustível de aviação com restos de comida, testam mistura de 50% e apontam potencial para reduzir emissões de carbono.
Cientistas criam combustível de aviação com restos de comida, testam mistura de 50% e apontam potencial para reduzir emissões de carbono.
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Pesquisadores da Universidade de Illinois Urbana-Champaign utilizaram liquefação hidrotérmica para converter resíduos alimentares e efluentes tratados em combustível sustentável de aviação, avaliaram uma mistura de 50% com querosene comum e identificaram benefícios climáticos, embora a logística de coleta e o tratamento de um subproduto tóxico continuem sendo desafios importantes.

O combustível de aviação produzido a partir de resíduos alimentares ganhou novo caminho com método desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Illinois Urbana-Champaign. A proposta transforma restos de comida em combustível sustentável para aeronaves.

Publicado em 2026, o estudo, publicado na revista Nature Sustainability, analisa fatores técnicos, econômicos e ambientais. A equipe trabalha com combustível sustentável de aviação como alternativa parcial e renovável ao querosene convencional usado pela indústria aérea.

Combustível de aviação nasce de resíduos úmidos

O método utiliza liquefação hidrotérmica, ou HTL, para converter resíduos alimentares em biopetróleo. O processo reproduz a formação natural do petróleo e permite trabalhar inclusive com efluentes tratados.

Depois dessa conversão, o biopetróleo passa por refino com catalisador e destilação. Nesta pesquisa, os cientistas adotaram uma abordagem mais simples, com menor intensidade catalítica e maior uso da destilação.

Yuanhui Zhang, autor correspondente, explicou que o método é mais econômico e ambientalmente favorável. Entretanto, o combustível obtido ainda apresenta qualidade inferior à versão desenvolvida anteriormente.

Por isso, o produto precisa ser misturado ao combustível de aviação convencional. Zhang comparou a estratégia ao uso do etanol em automóveis, combinado com combustível fóssil para funcionar adequadamente nos motores.

Mistura de 50% passou por avaliações

Os testes foram realizados com uma mistura de 50% de SAF e 50% de combustível regular. A equipe avaliou parâmetros técnicos para verificar a compatibilidade com padrões da ASTM e da Administração Federal de Aviação.

Para Zhang, a produção disponível dificilmente atenderia toda a demanda do setor aéreo. Nesse cenário, misturas com 10% ou 20% de combustível sustentável poderiam ser viáveis, seguindo uma lógica semelhante à adotada com biodiesel.

A pesquisa ainda ocorre atualmente em pequena escala. O laboratório consegue produzir vários litros de combustível aprimorado, quantidade suficiente para testes em motores a diesel. A etapa posterior envolve avaliações em motores de aeronaves.

Logística e subproduto elevam os desafios

O principal gargalo está na coleta. Atualmente, grande parte dos restos de comida termina em aterros sanitários ou estações de tratamento de esgoto, onde o material é separado e transformado em lodo.

A recuperação desse conteúdo exige logística capaz de encaminhar os resíduos para reaproveitamento. A vantagem da liquefação hidrotérmica é permitir o uso de matérias-primas úmidas, reduzindo algumas limitações do processamento industrial.

O procedimento, porém, gera uma fase aquosa tóxica e rica em nutrientes, chamada HTL-AP. Os cientistas testaram um tratamento eletroquímico para recuperar ácidos e nutrientes desse subproduto.

Custos podem cair com avanços tecnológicos

A análise reuniu produção do combustível, tratamento do subproduto, custos operacionais e possíveis impactos climáticos.

A equipe comparou três cenários econômicos e ambientais. No primeiro, o HTL-AP seria enviado a uma estação centralizada de tratamento. No segundo, receberia tratamento eletroquímico. O terceiro considerou uma versão futura dessa tecnologia.

No cenário atual, o tratamento eletroquímico quase triplicou o custo por galão. Os pesquisadores estimam que avanços tecnológicos poderão reduzir esse valor até alcançar um patamar equivalente ao cenário básico.

As análises apontaram que tanto o cenário básico quanto o tratamento eletroquímico aprimorado poderiam alcançar emissões líquidas negativas de carbono. O resultado indica potencial para diminuir o impacto climático.

O trabalho descreve uma rota viável para transformar resíduos orgânicos urbanos em combustível sustentável de aviação.

A proposta conecta diretamente reaproveitamento de alimentos, recuperação de nutrientes e produção energética dentro de uma economia circular.

Você considera viável usar combustível de aviação feito de restos de comida em misturas com querosene convencional?

Deixe sua opinião e sua avaliação nos comentários e conte se os benefícios ambientais compensam os desafios de coleta, tratamento dos subprodutos e custos ainda elevados.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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