Agricultor de 75 anos voltou à sala de aula pela EJA, passou pela segunda vez em Ciências Biológicas na UFPI e transformou um sonho interrompido em exemplo para jovens, adultos e idosos
Aos 75 anos, João José de Carvalho, conhecido como seu Janjão, voltou a chamar atenção no Piauí ao conquistar pela segunda vez uma vaga no curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Piauí. A aprovação veio pelo Sisu 2026 e ganhou repercussão porque ele é egresso da Educação de Jovens e Adultos, a EJA.
O caso não é apenas uma história individual de superação. Ele mostra como a escola pública pode reabrir caminhos para quem precisou interromper os estudos e, anos depois, ainda enxerga na educação uma chance real de mudança.
Segundo informações da Secretaria da Educação do Piauí, divulgadas em 2 de março de 2026, João estudou no Centro Estadual de Tempo Integral Reunida de Patos, em Patos do Piauí. Foi por essa trajetória que ele retomou a formação básica e chegou novamente ao ensino superior.
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A primeira aprovação já havia sido uma conquista importante, mas o sonho precisou ser interrompido. A distância entre municípios e limitações físicas dificultaram a permanência na universidade, obrigando o estudante a se afastar antes de concluir o curso.
A segunda aprovação veio depois de uma primeira tentativa interrompida

A nova vaga em Ciências Biológicas representa uma segunda chance para seu Janjão. Ele já havia conseguido entrar na UFPI anteriormente, mas enfrentou obstáculos comuns a muitos estudantes do interior, como deslocamento, rotina pesada e dificuldade de acesso contínuo ao campus.
Desta vez, a aprovação ganhou outro peso. Além de celebrar a entrada na universidade, João quer transformar a própria caminhada em incentivo para filhos, netos e outros adultos que acreditam ter passado da idade de estudar.
A frase que resume a trajetória dele é simples e forte: “Nunca é tarde para estudar”. No caso de seu Janjão, ela não aparece como discurso pronto, mas como resultado de uma vida marcada por trabalho, retorno à escola e insistência em um sonho antigo.
A EJA aparece como ponte entre quem parou de estudar e a universidade
A história do estudante também coloca a Educação de Jovens e Adultos em destaque. A modalidade existe para atender pessoas que não concluíram a escolarização na idade regular, incluindo jovens, adultos e idosos que precisaram trocar a sala de aula pelo trabalho, pela família ou por outras urgências da vida.
Como informa o Ministério da Educação, políticas voltadas à EJA têm como objetivo combater o analfabetismo, elevar a escolaridade e ampliar matrículas para quem ficou fora da escola. Na prática, isso significa criar uma porta de retorno para pessoas que, muitas vezes, passaram décadas longe dos livros.
No Piauí, o resultado de 2026 reforça esse papel. A rede estadual registrou 311 aprovações de estudantes da EJA em universidades públicas, sendo 186 na primeira chamada do Sisu e 125 na segunda chamada.
Esses números mostram que o caso de seu Janjão é simbólico, mas não isolado. Por trás da aprovação dele, há uma política educacional que pode levar pessoas de diferentes idades até o ensino superior público.
O Sisu foi o caminho usado para chegar à vaga na UFPI
A aprovação de João José de Carvalho ocorreu pelo Sistema de Seleção Unificada, o Sisu. O programa usa as notas do Enem para selecionar candidatos a vagas em universidades e institutos públicos de ensino superior em todo o país.
Em 2026, as inscrições do Sisu ocorreram em janeiro, pelo Portal Acesso Único. Para milhares de estudantes, esse sistema funciona como uma das principais portas de entrada na universidade pública, especialmente para quem depende da nota do Enem para disputar vagas sem vestibulares separados.
No caso de seu Janjão, o resultado tem ainda mais impacto porque une três elementos importantes: EJA, Enem e universidade federal. Essa combinação mostra que a retomada dos estudos na educação básica pode, sim, abrir caminho para uma graduação.
A vaga em Ciências Biológicas também tem relação direta com o interesse pessoal do estudante. Ele já havia demonstrado afinidade com a área e agora tenta transformar essa curiosidade em formação acadêmica.
A idade não apagou o sonho, mas expôs um desafio maior do Brasil
A trajetória de João chama atenção justamente porque contrasta com um problema ainda forte no país. De acordo com dados do IBGE divulgados em 2026, a população com 60 anos ou mais representava mais da metade das pessoas analfabetas no Brasil em 2025.
O dado ajuda a entender por que histórias como essa têm tanta repercussão. Elas não devem ser vistas apenas como exceções emocionantes, mas como sinal de que muitos idosos ainda carregam marcas de um tempo em que estudar era mais difícil, especialmente no interior e entre famílias de baixa renda.
O Estatuto da Pessoa Idosa também reforça que a pessoa idosa tem direito à educação, cultura, lazer e serviços que respeitem sua condição de idade. Isso significa que estudar depois dos 60 não é favor, é direito.
Quando um estudante de 75 anos chega novamente à universidade, a mensagem vai além da motivação pessoal. O caso mostra que políticas públicas, acesso ao ensino e permanência estudantil precisam caminhar juntos para que a aprovação se transforme em diploma.
A história de seu Janjão faz pensar sobre quantas pessoas ainda poderiam voltar à escola se tivessem apoio, oportunidade e incentivo. Você acha que o Brasil deveria ampliar políticas para jovens, adultos e idosos concluírem os estudos e chegarem à universidade? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão.

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