Levantamento COSMOS-Web usou dados do James Webb para mapear a teia cósmica e conectar 164 mil galáxias ao longo da história do universo. Publicado no The Astrophysical Journal, o estudo relaciona ambientes densos ao crescimento galáctico e à redução posterior da formação de estrelas em diferentes épocas cósmicas já observadas.
O James Webb permitiu que astrônomos produzissem o mapa mais detalhado já apresentado da teia cósmica, a gigantesca estrutura formada por filamentos, aglomerados e vazios que organiza galáxias no universo. O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Riverside, foi publicado em maio de 2026 no The Astrophysical Journal.
Conforme explicado em vídeo publicado pelo canal SpaceToday, a equipe utilizou o levantamento COSMOS-Web para analisar 164 mil galáxias e reconstruir sua distribuição desde o universo relativamente próximo até épocas em que o cosmos tinha cerca de 1 bilhão de anos. O resultado mostra que o ambiente em que uma galáxia se forma e evolui pode influenciar seu tamanho, sua massa e sua capacidade de continuar produzindo estrelas.
James Webb transforma estrutura invisível em mapa do universo

A teia cósmica é descrita pelos astrônomos como a arquitetura de grande escala do universo. Em vez de galáxias espalhadas ao acaso pelo espaço, a matéria se organiza em filamentos e regiões densas, separados por enormes vazios onde há muito menos objetos visíveis.
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Essa rede é formada por gás, matéria escura e galáxias conectadas em estruturas que podem atravessar distâncias gigantescas. A matéria escura não emite luz diretamente, enquanto parte do gás entre as galáxias é extremamente difusa, o que torna o desenho completo da teia difícil de observar.
O avanço do James Webb está em enxergar galáxias fracas e distantes com nitidez suficiente para revelar o desenho da rede em que elas estão inseridas. Em vez de observar apenas objetos isolados, os pesquisadores conseguiram reconstruir os ambientes onde essas galáxias cresceram ao longo da história cósmica.
COSMOS-Web reuniu 164 mil galáxias em uma mesma reconstrução
O mapa foi elaborado com dados do COSMOS-Web, o maior programa de levantamento realizado pelo James Webb até agora. A pesquisa cobre uma área contínua do céu equivalente, aproximadamente, ao tamanho aparente de três luas cheias e foi planejada para estudar como galáxias se distribuem em diferentes épocas do universo.
A equipe aplicou métodos estatísticos para organizar 164 mil galáxias com estimativas confiáveis de distância. Como a luz de objetos muito distantes levou bilhões de anos para chegar até os telescópios, cada galáxia observada também funciona como uma janela para uma fase diferente da história cósmica.
A reconstrução acompanha estruturas desde períodos relativamente recentes até redshifts próximos de 7, intervalo associado às primeiras fases de evolução das galáxias. Com isso, o mapa não mostra apenas onde os objetos estão, mas como a rede cósmica foi mudando ao longo de quase toda a idade do universo.
Sensibilidade no infravermelho permitiu enxergar mais longe

O James Webb observa principalmente no infravermelho, faixa da luz essencial para detectar galáxias muito antigas. À medida que o universo se expande, a luz emitida por objetos distantes é deslocada para comprimentos de onda maiores, tornando esse tipo de observação decisivo para investigar épocas remotas.
Telescópios anteriores já haviam produzido mapas importantes da região COSMOS, incluindo o Hubble. No entanto, segundo os pesquisadores, o novo levantamento oferece profundidade e resolução suficientes para separar estruturas que antes apareciam suavizadas ou confundidas em conjuntos menos definidos.
Isso significa que regiões que pareciam formar uma única concentração de matéria podem ser examinadas agora como redes mais complexas, compostas por diferentes filamentos, aglomerados e vazios. O James Webb não apenas ampliou a distância observável: ele tornou mais nítida a organização interna do universo distante.
Teia cósmica funciona como rede que conecta galáxias
A ideia de uma teia surge porque o universo não se distribui de maneira uniforme. Existem regiões densas, onde galáxias e aglomerados se concentram, e regiões muito vazias, separadas por longas estruturas filamentosas que conduzem matéria ao longo do tempo.
Esses filamentos podem ser entendidos como caminhos cósmicos em que gás e matéria escura contribuem para formar e alimentar galáxias. Nos pontos onde vários filamentos se encontram, surgem ambientes mais densos, capazes de reunir aglomerados formados por numerosas galáxias.
A pesquisa com o James Webb mediu justamente como a densidade desses ambientes se relaciona às características das galáxias. O endereço cósmico de uma galáxia não aparece mais apenas como cenário: ele passa a ser um fator importante para compreender seu desenvolvimento.
Galáxias em regiões densas acumularam mais massa
Uma das conclusões do estudo é que a massa estelar das galáxias possui correlação positiva com a densidade do ambiente em diferentes épocas observadas. Em termos simples, galáxias situadas em regiões mais densas da teia cósmica tendem a apresentar maior massa formada por estrelas.
Essa associação é especialmente relevante porque ajuda a entender como as primeiras estruturas massivas surgiram. Nos períodos mais antigos investigados, ambientes extremamente densos já apareciam ligados à formação inicial de conjuntos que podem ter evoluído para aglomerados maiores.
A conclusão não significa que toda galáxia em região densa terá o mesmo destino. Massa, gás disponível, interações e atividade de buracos negros também exercem influência. Ainda assim, o mapa indica que a teia cósmica ofereceu ambientes favoráveis à montagem precoce de galáxias mais massivas.
Formação de estrelas muda conforme universo envelhece

O estudo também analisou a taxa de formação de estrelas, isto é, a velocidade com que novas estrelas surgem dentro das galáxias. Esse processo depende da disponibilidade de gás frio, material necessário para que novas regiões de formação se desenvolvam.
Nos períodos mais antigos observados, os processos ligados à própria massa das galáxias exerceram papel dominante no encerramento ou redução da produção de estrelas. Entre esses mecanismos estão fenômenos internos capazes de aquecer ou expulsar gás, tornando o nascimento de novas estrelas menos eficiente.
Em épocas mais recentes, a influência do ambiente se torna mais importante, sobretudo para galáxias de menor massa em regiões densas. A teia cósmica, que no universo jovem esteve associada ao crescimento acelerado, também pode participar do processo que mais tarde dificulta a continuidade da formação estelar.
Ambientes densos podem alimentar e depois limitar galáxias
A aparente contradição entre estimular crescimento e contribuir para o encerramento da formação de estrelas está relacionada à evolução do próprio universo. Em fases iniciais, regiões densas reuniam matéria e gás suficientes para favorecer a construção rápida de galáxias maiores.
Com o passar do tempo, esses mesmos ambientes passaram a reunir condições capazes de retirar gás, aquecer materiais disponíveis ou dificultar sua incorporação em novas estrelas. Galáxias menores podem ser especialmente vulneráveis a essas influências externas quando entram em regiões densas.
O mapa elaborado com o James Webb permite acompanhar essa transição em escalas temporais que antes não podiam ser examinadas com a mesma precisão. A teia cósmica aparece, assim, como uma rede que primeiro ajuda algumas galáxias a crescer e depois pode limitar sua capacidade de continuar brilhando com estrelas novas.
Pesquisa alcança período próximo ao início das primeiras estruturas
Ao chegar a épocas em que o universo tinha aproximadamente 1 bilhão de anos, o levantamento se aproxima de uma etapa decisiva da história cósmica. Naquele período, as primeiras galáxias já estavam em formação e começavam a construir estruturas maiores sob a influência da gravidade.
Observar esse passado exige detectar objetos muito tênues e distantes. A expansão do universo modifica a luz que chega até os instrumentos, enquanto a pequena luminosidade de muitas galáxias torna o levantamento especialmente difícil para observatórios menos sensíveis.
O James Webb foi desenvolvido justamente para acessar esse tipo de universo remoto. Ao identificar galáxias fracas em diferentes camadas de tempo cósmico, o telescópio oferece uma visão de como os primeiros fios da rede cresceram até formar a estrutura observada atualmente.
Dados públicos poderão ampliar estudos sobre evolução galáctica
Além de publicar as conclusões, a equipe disponibilizou o catálogo das 164 mil galáxias, informações sobre sua densidade cósmica e materiais associados ao mapa. Essa abertura permite que outros pesquisadores utilizem os dados para investigar questões relacionadas à formação e evolução das galáxias.
O conjunto pode apoiar estudos sobre aglomerados em formação, galáxias que deixaram de produzir estrelas, influência da matéria escura e diferenças entre ambientes densos e vazios. Também poderá ser comparado a novos levantamentos conduzidos por outros telescópios nos próximos anos.
A publicação do mapa transforma uma descoberta em plataforma de pesquisa. O desenho revelado pelo James Webb não encerra o estudo da teia cósmica; ele oferece uma base mais detalhada para que cientistas testem como o universo construiu suas estruturas ao longo de bilhões de anos.
Mapa não fotografa matéria escura diretamente
Embora a teia cósmica seja frequentemente chamada de “esqueleto invisível” do universo, o novo trabalho não representa uma fotografia direta de toda a matéria escura presente nos filamentos. A reconstrução foi realizada a partir da distribuição das galáxias observadas e da densidade dos ambientes em que elas aparecem.
A distinção é importante porque evita interpretar o mapa como uma imagem comum. Astrônomos usam as posições, distâncias e propriedades de milhares de objetos visíveis para revelar a estrutura maior na qual esses objetos estão organizados.
Mesmo assim, o resultado permite enxergar de forma inédita como as galáxias acompanham a rede cósmica. É como reconhecer o desenho de uma estrutura invisível observando cuidadosamente os pontos luminosos que ela reuniu e moldou ao longo do tempo.
James Webb revela que galáxias não evoluem sozinhas
Durante muito tempo, muitas explicações sobre a evolução galáctica concentraram atenção nos processos internos das galáxias: nascimento de estrelas, fusões, buracos negros e esgotamento de gás. O novo mapa fortalece a ideia de que o ambiente externo também precisa ser considerado.
Uma galáxia pode estar conectada a filamentos, localizada em um aglomerado denso ou isolada em uma região menos populosa. Essas diferenças influenciam a quantidade de matéria disponível, as interações sofridas e a chance de continuar formando estrelas ao longo do tempo.
Ao mapear 164 mil galáxias em diferentes eras, o James Webb mostra que a história do universo não foi escrita apenas por estrelas individuais ou sistemas isolados. O crescimento e o envelhecimento das galáxias também carregam a marca da imensa rede cósmica onde cada uma nasceu e evoluiu.
Esqueleto invisível do universo deixa de ser apenas teoria distante
O mapa mais detalhado da teia cósmica amplia a capacidade de investigar uma estrutura que, durante décadas, foi reconstruída principalmente por modelos, simulações e observações mais limitadas. Agora, uma amostra ampla de galáxias permite acompanhar essa rede em um intervalo que cobre quase toda a história observável do cosmos.
O estudo não resolve todas as perguntas sobre matéria escura, formação galáctica ou encerramento da produção de estrelas. No entanto, reforça que a teia cósmica tem papel ativo na evolução das galáxias, especialmente ao favorecer crescimento inicial em regiões densas e influenciar a redução posterior da formação de estrelas.
Você imaginava que galáxias poderiam ter seu crescimento e seu futuro condicionados pelo lugar que ocupam nessa rede invisível do universo? Comente o que mais surpreendeu nessa descoberta do James Webb.


O nosso frágil mundinho se extinguindo e os cientistas aribós preocupados em desvendar o universo infinito…
É o fim.