1. Início
  2. Agronegócio
  3. Carne bovina pede socorro: praga do México com 13.106 casos avança rumo ao Texas, força plano de US$ 750 milhões e ameaça disparar os preços nos EUA
Faça um comentário 5 min de leitura

Carne bovina pede socorro: praga do México com 13.106 casos avança rumo ao Texas, força plano de US$ 750 milhões e ameaça disparar os preços nos EUA

Imagem de perfil do autor Alisson Ficher
Escrito por Alisson Ficher Publicado em 18/02/2026 às 14:12
Assista o vídeoPraga no México avança rumo ao Texas, força plano de US$ 750 milhões e ameaça elevar preço da carne nos EUA com rebanho no menor nível desde 1951.
Praga no México avança rumo ao Texas, força plano de US$ 750 milhões e ameaça elevar preço da carne nos EUA com rebanho no menor nível desde 1951.
  • Reação
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Avanço da bicheira-do-Novo-Mundo no México pressiona fronteira dos Estados Unidos, mobiliza plano de US$ 750 milhões com produção de moscas estéreis no Texas e ocorre em meio ao menor rebanho bovino americano desde 1951 e alta acumulada nos preços da carne.

Os Estados Unidos aceleraram uma resposta sanitária e logística para tentar conter a bicheira-do-Novo-Mundo que se espalha no México e se aproxima do Texas, em um momento de oferta curta de gado e preços já pressionados no varejo americano.

O pacote em discussão envolve cerca de US$ 750 milhões e tem como eixo ampliar o uso de moscas estéreis, uma estratégia histórica de controle do parasita, com reforço de vigilância na fronteira e estruturas para dispersão e produção em território americano.

Plano de US$ 750 milhões prevê fábrica de moscas estéreis no Texas

O USDA informou em 9 de fevereiro de 2026 que concluiu, no sul do Texas, um centro de dispersão de moscas estéreis em Edinburg, e que trabalha para abrir até o fim de 2027 uma planta destinada à produção desses insetos, ampliando a capacidade hoje concentrada no Panamá.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A técnica consiste em soltar grandes quantidades de machos estéreis para interromper a reprodução da praga e criar uma barreira sanitária, enquanto equipes de campo intensificam armadilhas, inspeções e resposta rápida a suspeitas em rebanhos e animais domésticos.

Embora o USDA não tenha registrado detecções do parasita dentro dos Estados Unidos até as comunicações mais recentes sobre o tema, a preocupação aumentou com a aproximação dos focos mexicanos e com o risco de impactos econômicos em uma cadeia que já opera com menor margem.

O que é a bicheira-do-Novo-Mundo e como a praga afeta o gado

A bicheira-do-Novo-Mundo é causada por larvas de uma mosca-varejeira que deposita ovos em feridas abertas; quando eclodem, as larvas passam a consumir tecido vivo, podendo levar à morte do animal se não houver tratamento rápido.

Autoridades americanas e mexicanas tratam o problema como uma ameaça direta à pecuária porque infestações podem se espalhar por manejo, transporte e presença de ferimentos em animais, elevando custos com vigilância, medicamentos, mão de obra e perdas produtivas.

Além do gado, relatos oficiais e cobertura especializada apontam que outros animais podem ser afetados, e o risco a humanos é considerado raro, mas suficiente para justificar protocolos de notificação e contenção, sobretudo em áreas rurais com maior contato com animais.

México registra 13.106 casos desde 2024 e amplia vigilância sanitária

Dados do governo mexicano compilados até 31 de dezembro de 2025 indicam 13.106 casos desde novembro de 2024, com 671 ainda ativos, em um avanço que começou na América Central e, desde então, vem se deslocando para o norte.

O estado de Chiapas lidera o número de ocorrências, seguido por Oaxaca, Veracruz e Yucatán, e as autoridades têm atualizado relatórios conforme novos focos aparecem, ampliando o desafio de manter áreas de produção e trânsito de animais sob controle.

No fim de dezembro, a pasta de Agricultura do México informou um caso em um bezerro no estado de Tamaulipas e, em seguida, registrou um novo episódio em uma cabra no Estado do México, região que faz divisa com a área da capital, Cidade do México.

Segundo a mesma comunicação, o animal foi tratado e outros exemplares no local testaram negativo e receberam prevenção, um procedimento usado para reduzir a chance de propagação em propriedades onde há circulação de animais e presença de feridas que possam atrair as moscas.

Fronteira fechada reduz oferta de gado e pressiona frigoríficos

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Com o avanço dos focos, o USDA suspendeu em 11 de maio de 2025 as importações de bovinos vivos, cavalos e bisões por portos de entrada na fronteira sul, citando a rápida progressão da praga em território mexicano.

Pouco depois, em 9 de julho de 2025, o departamento anunciou o fechamento do comércio de animais por portos do sul, endurecendo a barreira sanitária e reduzindo um fluxo usado para engorda em confinamentos e abastecimento de frigoríficos nos Estados Unidos.

A restrição tem efeito direto na cadeia porque uma parcela do gado que entra pelo México costuma ser terminada em sistemas intensivos antes do abate, e a interrupção amplia a competição por animais domésticos em um mercado já marcado por escassez.

Preço da carne sobe enquanto rebanho atinge menor nível desde 1951

A alta no preço do boi e da carne nos Estados Unidos precede o novo esforço contra a bicheira, e dados do Bureau of Labor Statistics mostram que o preço médio do ground beef, 100% beef subiu cerca de 21,8% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.

Esse encarecimento está ligado a um conjunto de fatores, como custos maiores de alimentação e manejo, impactos de secas prolongadas sobre pastagens e um ciclo de retenção de matrizes que reduz a oferta no curto prazo, mesmo com demanda sustentada.

Em 30 de janeiro de 2026, o serviço estatístico do USDA informou que o total de bovinos e bezerros no país era de 86,2 milhões de cabeças em 1º de janeiro, e análises associadas ao relatório destacam que o inventário é o menor desde 1951.

No recorte do rebanho de corte, o número de vacas de corte caiu para 27,6 milhões em 1º de janeiro de 2026, o nível mais baixo desde 1961, um sinal de que a recomposição ainda é lenta após anos de clima adverso e custos elevados.

Tarifas comerciais ampliam incerteza no mercado de carne bovina

O cenário de preços também foi influenciado por mudanças comerciais, incluindo a decisão do governo Donald Trump de impor, em 30 de julho de 2025, uma tarifa de 50% sobre a maior parte de produtos brasileiros, medida que atingiu setores do agronegócio e adicionou incerteza.

Embora as dinâmicas de importação e substituição variem por corte e por origem, o aumento de custos no comércio tende a repercutir em cadeias que dependem de fluxo internacional para equilibrar oferta e demanda, especialmente quando o rebanho doméstico opera no piso.

O resultado é um quadro em que a política sanitária na fronteira, a biologia do parasita e a restrição estrutural de oferta convergem, tornando mais sensível qualquer choque adicional, como a eventual necessidade de novas restrições ou a expansão de focos.

Sem espaço para “folga” no rebanho, o risco de a bicheira avançar é acompanhado com atenção por produtores e frigoríficos, que já convivem com custos mais altos e ajustes operacionais, em um mercado onde a carne segue entre os itens mais visíveis no orçamento.

Com um plano bilionário em jogo, fronteira mais rígida e números crescendo do lado mexicano, até que ponto a resposta com moscas estéreis conseguirá preservar a oferta e evitar uma nova rodada de aumentos no preço da carne nos Estados Unidos?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x