DART AE completa primeiro voo hipersônico com scramjet impresso em 3D, motor movido a hidrogênio e apoio do Pentágono para ampliar testes de alta cadência.
Segundo a CompositesWorld, a startup australiana Hypersonix Launch Systems completou em 27 de fevereiro de 2026 o primeiro voo do DART AE, na missão chamada Cassowary Vex, lançada às 19h de Wallops Island, na Virgínia, a bordo do foguete HASTE, da Rocket Lab. O voo ocorreu dentro do programa HyCAT, da Defense Innovation Unit do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que selecionou a empresa em 2023 e destinou US$ 46 milhões para desenvolvimento e testes.
Segundo a CompositesWorld, o DART AE tem 3,5 metros de comprimento, pesa 300 kg, alcance de 1.000 km e usa o motor SPARTAN, um scramjet totalmente impresso em 3D, reutilizável, sem peças móveis e abastecido com hidrogênio gasoso. Nessa configuração, o sistema pode acelerar de Mach 5 a Mach 7, com versões futuras projetadas para chegar a Mach 12.
Scramjet impresso em 3D muda custo e velocidade de desenvolvimento hipersônico
Segundo a CompositesWorld, a grande contribuição da Hypersonix não está em descobrir a física do voo hipersônico, mas em atacar o gargalo industrial que limita esse setor há décadas. O problema central é o tempo e o custo necessários para projetar, fabricar e voar novos testes em sequência.
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Um scramjet convencional depende de usinagem de precisão em ligas metálicas exóticas, processos que levam meses, exigem ferramental complexo e tornam cada protótipo caro demais para campanhas frequentes de teste.
Segundo a publicação, esse modelo ajuda a explicar por que os Estados Unidos, apesar de pioneiros na física do scramjet, testaram hipersônicos em ritmo menor do que a China na última década.
A manufatura aditiva muda essa lógica. Segundo a CompositesWorld, o motor SPARTAN usa ligas de níquel cromo Inconel na estrutura e ceramic matrix composites, ou CMCs, nos bordos de ataque, justamente as áreas de maior temperatura. Isso reduz o ciclo de design até voo de meses para semanas e coloca a alta cadência de testes no centro da estratégia.
Motor SPARTAN usa combustão supersônica e funciona de forma diferente de um ramjet comum
Segundo a CompositesWorld, o SPARTAN é um scramjet, sigla para supersonic combustion ramjet. Isso significa que ele mantém o ar em velocidade supersônica dentro da câmara de combustão, em vez de desacelerá-lo para regime subsônico como faz um ramjet convencional.

Essa diferença é decisiva porque, em velocidades acima de Mach 5, desacelerar o ar para combustão subsônica gera calor demais e destrói o motor. O scramjet resolve isso queimando combustível com o fluxo ainda supersônico, o que reduz a penalidade térmica, mas torna a mistura e a ignição muito mais difíceis.
Segundo a CompositesWorld, é por isso que o scramjet não funciona parado nem em baixa velocidade. Ele precisa ser acelerado antes por outro sistema. No caso do DART AE, essa função foi cumprida pelo HASTE, que levou o veículo até a atmosfera superior antes da missão hipersônica propriamente dita.
SPARTAN pode ligar e desligar várias vezes no mesmo voo, algo raro em scramjets
Segundo a CompositesWorld, o que distingue o SPARTAN de outros scramjets é sua capacidade de ser ligado e desligado múltiplas vezes durante um único voo. Essa característica é relevante porque reiniciar combustão supersônica é uma das tarefas mais difíceis em propulsão hipersônica.
Scramjets tradicionais tendem a operar de forma mais limitada, com menos flexibilidade para reativação e controle ao longo do perfil de missão. No caso da Hypersonix, essa capacidade de throttle permite ao DART AE executar manobras planejadas de mudança de direção e altitude, em vez de seguir apenas uma trajetória balística fixa após a ignição.
Esse ponto amplia o valor militar e tecnológico do sistema, porque aproxima o veículo de um regime de voo mais controlável, com maior potencial para missões reais e não apenas demonstrações curtas de velocidade.
Hidrogênio dá mais alcance e melhor resfriamento ao motor hipersônico
Segundo a CompositesWorld, a escolha do hidrogênio gasoso não foi feita apenas por sustentabilidade. O combustível foi selecionado por propriedades físicas que o tornam superior ao querosene em aplicações hipersônicas de longa duração.

O hidrogênio tem densidade energética por massa três vezes maior que a do querosene, o que significa mais energia para o mesmo peso transportado. Em veículos hipersônicos, onde cada quilograma custa caro em aceleração e gestão térmica, essa diferença é decisiva para ampliar alcance e desempenho.
Segundo a CompositesWorld, o hidrogênio também oferece melhor resfriamento regenerativo, porque pode circular pelas paredes da câmara de combustão, absorver calor antes da queima e ajudar o motor a sobreviver em regime extremo. O voo de fevereiro de 2026 serviu justamente para validar esse conceito em condição real.
Programa HyCAT quer aumentar frequência dos voos hipersônicos dos Estados Unidos
Segundo a CompositesWorld, o programa HyCAT foi criado pela Defense Innovation Unit em 2022 com um objetivo muito específico: aumentar a cadência de testes hipersônicos dos Estados Unidos. A ideia não era desenvolver imediatamente uma arma única, mas criar infraestrutura industrial e tecnológica para voar mais, aprender mais rápido e reduzir o intervalo entre testes.
O Pentágono reconheceu que a China vinha voando hipersônicos com frequência maior, não necessariamente por dominar melhor a física, mas por operar uma cadeia industrial mais rápida e barata.
O HyCAT surgiu como resposta, buscando empresas comerciais não tradicionais capazes de acelerar esse ciclo de teste e aprendizado.
A Hypersonix recebeu o primeiro contrato do programa em 2023. Segundo a CompositesWorld, o voo de 27 de fevereiro de 2026 foi o segundo lançamento do HASTE dentro da lógica da DIU, reforçando o objetivo de criar uma plataforma mais frequente para experimentos hipersônicos.
Depois do DART AE, Hypersonix quer chegar a Mach 12 com novas aeronaves autônomas
Segundo a CompositesWorld, o DART AE é apenas o demonstrador de primeira geração. A empresa já trabalha em uma classe de aeronaves hipersônicas autônomas capazes de sustentar voo de até Mach 12, usando o mesmo SPARTAN como motor central, mas com estrutura redesenhada para suportar cargas térmicas ainda maiores.

A Kratos Defence & Security Solutions foi designada para adquirir e operar DART AEs para múltiplos clientes do Departamento de Defesa americano, usando sua família de motores Zeus como booster.
Esse arranjo combina inovação de startup com uma cadeia de distribuição militar já estabelecida.
Segundo a CompositesWorld, a proposta do programa é clara: voar mais rápido, por mais tempo e com cargas de missão reais, usando exatamente a base tecnológica validada no voo sobre a costa da Virgínia em 27 de fevereiro de 2026. É essa transição, do demonstrador ao sistema operacional, que agora define o próximo estágio da Hypersonix.

Parece o Thunderbird 1 pilotado pelo Adam Tracy do Salvamento Internacional
“Mais”de três vezes “mais” rápido?
Talvez pideria ser :
Três vezes “mais” rápido…