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Lula quer ressuscitar a BR-319, estrada de 885,9 km que liga Manaus a Porto Velho, enfrenta briga com ambientalistas, Justiça e risco de desmatamento para refazer única ligação do Amazonas com o restante do Brasil

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 27/12/2025 às 17:27
Lula promete ressuscitar a BR-319, fazer a BR-319 Manaus Porto Velho rodovia na Amazônia sem desmatamento na Amazônia, garantindo ligação terrestre do Amazonas.
Lula promete ressuscitar a BR-319, fazer a BR-319 Manaus Porto Velho rodovia na Amazônia sem desmatamento na Amazônia, garantindo ligação terrestre do Amazonas.
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Com o plano de ressuscitar a BR-319, o governo diz que a BR-319 Manaus Porto Velho precisa voltar a funcionar como rodovia na Amazônia sem ampliar desmatamento na Amazônia, garantindo ligação terrestre do Amazonas para moradores, cargas, saúde e integração econômica com o restante do país ao longo do ano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou publicamente que o governo quer ressuscitar a BR-319, rodovia de 885,9 quilômetros que liga Manaus, no Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia, e é hoje a única ligação terrestre direta do Estado com o restante do país. Ao defender a obra, o Planalto afirma buscar um projeto capaz de garantir transporte seguro, baratear o custo da logística e manter a floresta em pé ao longo do traçado.

Nos meses anteriores, em julho de 2025, a Justiça Federal havia suspendido a licença prévia do trecho central da rodovia, atendendo a recursos que apontavam risco de abertura de ramais ilegais, especulação imobiliária e avanço do desmatamento a partir da reativação total da estrada. É nesse cenário de decisões judiciais, pressões regionais e pactos ambientais ainda em construção que o governo tenta ressuscitar a BR-319 sem romper compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.

Uma rodovia isolada que é única saída terrestre do Amazonas

Lula promete ressuscitar a BR-319, fazer a BR-319 Manaus Porto Velho rodovia na Amazônia sem desmatamento na Amazônia, garantindo ligação terrestre do Amazonas.

A BR-319 foi construída para ligar Manaus a Porto Velho em um eixo de 885,9 quilômetros que atravessa a floresta e conecta o Amazonas a outras regiões do país por terra.

Na prática, é a única opção de ligação rodoviária direta do Estado com o restante do Brasil, atendendo cidades como Humaitá, Lábrea e Manicoré e servindo tanto ao transporte de passageiros quanto ao escoamento de mercadorias.

Ao ressuscitar a BR-319, o governo tenta responder a reclamações antigas de moradores, empresários e prefeitos que apontam trechos críticos, ainda não pavimentados ou em más condições, como obstáculos ao acesso a serviços, ao barateamento de fretes e à integração econômica com outros Estados.

A promessa é de uma estrada que funcione o ano inteiro, reduzindo a dependência de rotas fluviais e aéreas, historicamente mais caras e sujeitas a interrupções climáticas.

Ambientalistas, Justiça e o fantasma do desmatamento em larga escala

O plano de ressuscitar a BR-319, porém, esbarra no temor de que a recuperação plena da rodovia abra nova frente de desmatamento na Amazônia.

Organizações ambientalistas e pesquisadores alertam que toda estrada que corta floresta tende a atrair grileiros, madeireiros e ocupações irregulares, especialmente quando há baixa presença do Estado em áreas remotas.

Foi com base nesse tipo de argumento que a Justiça Federal suspendeu, em julho de 2025, a licença prévia do trecho central da BR-319, considerado o mais sensível do ponto de vista ambiental.

Os recursos mencionam risco de expansão de ramais clandestinos a partir da estrada principal, especulação imobiliária às margens do traçado e ocupação desordenada de áreas ainda preservadas.

Na avaliação dos críticos, ressuscitar a BR-319 sem um cinturão robusto de proteção pode repetir o padrão visto em outras fronteiras da Amazônia.

Avaliação Ambiental Estratégica e faixa de 100 quilômetros de influência

Para tentar destravar a obra, o governo federal anunciou a criação de uma Avaliação Ambiental Estratégica da BR-319, coordenada pela Casa Civil em parceria com os Ministérios do Meio Ambiente e dos Transportes.

A ideia é analisar de forma integrada não só o asfalto, mas toda a dinâmica de ocupação do território ligada à rodovia.

Esse estudo deve abranger toda a área de influência da estrada e prevê a implementação de um modelo de governança para uma faixa de 100 quilômetros ao redor do eixo principal.

Nessa faixa entram terras indígenas, unidades de conservação e áreas ainda sem destinação definida.

O objetivo declarado é minimizar impactos ambientais, evitar ocupações irregulares e manter a floresta preservada, mesmo em um cenário em que o governo insiste em ressuscitar a BR-319 para garantir o fluxo de pessoas e cargas.

AGU, Marina Silva e a disputa em torno da licença prévia

No campo jurídico, a Advocacia-Geral da União atua para reverter a suspensão da licença prévia do trecho central.

A AGU argumenta que cerca de 55 por cento da área no entorno da BR-319 já está coberta por unidades de conservação, que funcionariam como barreiras institucionais ao desmatamento, desde que os órgãos de fiscalização tenham estrutura para atuar.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tem adotado posição de equilíbrio.

Ela afirma não ser contra a obra em si, mas defende que qualquer tentativa de ressuscitar a BR-319 precisa ser acompanhada de planejamento detalhado, análise rigorosa de impactos sobre o ecossistema e medidas claras de proteção para as futuras gerações.

Essa postura reforça a ideia de que a negociação interna no governo envolve não apenas engenharia e orçamento, mas também compromissos climáticos e reputação internacional do Brasil.

O que está em jogo para moradores, economia e floresta

Para quem vive em Manaus e em cidades como Humaitá, Lábrea e Manicoré, a decisão de ressuscitar a BR-319 pode significar redução de isolamento, mais oferta de produtos e serviços e rotas mais baratas para o transporte de doentes, estudantes e trabalhadores.

Prefeituras e empresários argumentam que a retomada plena da rodovia ajudaria a diminuir custos logísticos, atrair investimentos e integrar o Amazonas à malha rodoviária nacional.

Do outro lado, ambientalistas e pesquisadores lembram que a floresta amazônica ainda é a principal barreira natural contra o avanço das mudanças climáticas e que cada novo corredor de acesso pode desencadear ciclos de desmatamento, queimadas e conflitos fundiários se não houver governança forte e presença efetiva do Estado.

A Avaliação Ambiental Estratégica e o modelo de governança de 100 quilômetros ao redor da estrada serão, portanto, decisivos para mostrar se o projeto consegue equilibrar desenvolvimento e preservação.

Diante de uma obra em que o governo promete ressuscitar a BR-319 para integrar o Amazonas e, ao mesmo tempo, jura proteger a floresta e evitar desmatamento em massa, na sua opinião o Brasil deve priorizar a reconstrução completa da rodovia agora ou só avançar depois de provar que consegue fiscalizar de fato tudo o que acontece ao redor da estrada?

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Afonso Braga
Afonso Braga
29/12/2025 12:00

Marina Silva é contraria à recuperação da BR-319 sim. Ela até fez piadinha de mau gosto com o povo amazonense.
Na verdade, ela faz parte de um grupo que defende interesses próprios e não quer o restabelecimento do tráfego pela BR-319.
Essa conversa de proteção ambiental é mais uma das narrativas para confundir os mal informados sobre a necessidade da rodovia funcionando normalmente para o bem do povo.

Jose Afonso alves
Jose Afonso alves
28/12/2025 22:20

Está confirmada o náo interesse do governo federal Estadual de isolar o Amazonas do resto do país então se fosse posso 174 dariaproblema isso jogo das ongns empresário que só pensam no bem está deles

Magno Silva
Magno Silva
28/12/2025 21:07

Eu fiz essa viagem de moto, PORTO VELHO -MANAUS, é msm muito difícil, passei lá no período da COVID 19, é lamentável dizer que o governo não atende às necessidades reais do povo amazônico, mas é verdade.
Essa estrada é necessária, o povo precisa sim dela.
A fiscalização ambiental é possível fazer com equipamentos em solo, via satélite, e outras formas presentes, basta querer e executar com a devida responsabilidade.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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