Uma caminhada comum pelas encostas secas de Dakota do Norte levou três meninos a um fóssil raro de Tyrannosaurus rex jovem, preservado há cerca de 67 milhões de anos na Formação Hell Creek. O osso que aparecia na rocha parecia apenas um fragmento isolado, mas a escavação revelou uma mandíbula com dentes, partes do crânio, perna, quadril e pelve.
Dois irmãos e um primo caminhavam por uma região de fósseis perto de Marmarth, em Dakota do Norte, quando notaram um osso saindo da rocha. A descoberta, feita em julho de 2022, só foi confirmada depois por paleontólogos como parte de um Tyrannosaurus rex jovem, apelidado de Teen Rex.
O fóssil estava na Formação Hell Creek, uma das áreas mais conhecidas do mundo para restos de dinossauros do fim do período Cretáceo. O material foi retirado em 2023, levado ao Denver Museum of Nature & Science e passou a ser preparado diante do público em uma exposição especial.
O achado chama atenção porque fósseis de T. rex adolescente são incomuns. Eles ajudam os cientistas a entender como esse predador crescia antes de atingir o tamanho adulto.
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Liam Fisher, Jessin Fisher e Kaiden Madsen não estavam em uma expedição profissional quando encontraram o osso. Eles caminhavam com Sam Fisher, pai de Liam e Jessin, em terras públicas administradas pelo Bureau of Land Management, nos arredores de Marmarth.

Na época, Liam tinha 7 anos, Jessin tinha 10 e Kaiden, primo dos dois, tinha 9. O grupo estava em uma região de colinas secas, encostas expostas e rochas sedimentares, onde fósseis podem aparecer após erosão natural.
De acordo com a Associated Press, Liam e o pai foram os primeiros a notar o osso preso na rocha. A primeira impressão não foi de uma descoberta histórica. Liam chegou a imaginar que se tratava de um “chunk-osaurus”, um nome inventado por ele para pedaços de fósseis sem identificação clara.
Mesmo sem saber do que se tratava, Sam Fisher fotografou o material e enviou a imagem a Tyler Lyson, paleontólogo do Denver Museum of Nature & Science e conhecido da família. A resposta inicial foi cautelosa. Lyson suspeitou que poderia ser um dinossauro bico-de-pato, muito mais comum na região.
A mandíbula com dentes mudou a investigação ainda no começo da escavação
A confirmação veio apenas no campo, durante uma escavação organizada no verão de 2023. Lyson voltou ao local com equipe técnica, autorização para escavar em terras públicas e participação dos próprios meninos no trabalho.

A expectativa inicial era encontrar ossos compatíveis com um herbívoro. Mas a equipe encontrou algo muito mais específico. Ao escavar uma área onde se esperava uma vértebra do pescoço, os pesquisadores expuseram uma mandíbula inferior com dentes grandes de tiranossauro.
Esse tipo de peça muda a leitura de um fóssil rapidamente. Dentes, mandíbula e proporções ósseas permitem uma identificação muito mais segura do que fragmentos isolados de costela, vértebra ou membros.
O fóssil recebeu o apelido de The Brothers, em referência aos meninos que participaram da descoberta. Uma equipe da Giant Screen Films acompanhava os trabalhos e registrou o momento para o documentário “T.REX”, narrado pelo ator Sam Neill, conhecido pelo filme Jurassic Park.
O T. rex jovem tinha entre 13 e 15 anos quando morreu
Segundo informações do Denver Museum of Nature & Science, o fóssil preserva cerca de 30% do esqueleto. O conjunto inclui partes do crânio, da perna, do quadril, da pelve e algumas vértebras da cauda.
As estimativas indicam que o animal tinha entre 13 e 15 anos quando morreu. Ainda não era um T. rex adulto, mas já era enorme para qualquer comparação moderna.
O museu calcula que o Teen Rex medisse cerca de 7,6 metros de comprimento e aproximadamente 3 metros de altura. O peso em vida foi estimado em torno de 1.600 quilos, pouco menos de dois terços do tamanho de um adulto completo.
A Reuters informou que o T. rex atingia a fase adulta por volta dos 18 a 21 anos. Isso torna o exemplar especialmente útil para estudar o período de crescimento acelerado da espécie, uma etapa menos representada nos fósseis já encontrados.
O bloco de rocha precisou ser retirado de helicóptero
A retirada do fóssil exigiu um processo pesado e cuidadoso. A equipe removeu camadas de rocha, isolou os ossos e envolveu o material em uma jaqueta de gesso e aniagem, método usado para impedir que o fóssil se quebre no transporte.
O bloco final pesava cerca de 2,7 toneladas. Por causa do terreno e do peso, um helicóptero Black Hawk foi usado para içar a peça até um caminhão, que levou o material da região de Badlands, em Dakota do Norte, ao museu em Denver.
Esse transporte explica por que grande parte da descoberta ainda não está totalmente visível. Muitos ossos continuam presos dentro da rocha original e precisam ser liberados aos poucos por preparadores, com ferramentas pequenas e controle constante para não danificar o material.
A preparação deve levar meses. O museu optou por mostrar parte desse processo ao público na exposição Discovering Teen Rex, permitindo que visitantes acompanhem a limpeza e o estudo do fóssil em tempo real.
A Formação Hell Creek ajuda a reconstruir os últimos dias dos dinossauros
O fóssil veio da Formação Hell Creek, uma área que se estende por partes de Montana, Wyoming, Dakota do Norte e Dakota do Sul. A região preserva rochas do fim do período Cretáceo, pouco antes da extinção dos dinossauros não aviários, há cerca de 66 milhões de anos.
Nessa mesma formação já foram encontrados alguns dos fósseis de T. rex mais conhecidos, incluindo exemplares adultos muito mais completos. A diferença, neste caso, está na idade do animal.
Fósseis juvenis podem revelar proporções corporais, ritmo de crescimento e mudanças na mordida antes da fase adulta. Também ajudam a responder como um T. rex jovem caçava, se movimentava e disputava espaço com outros predadores do mesmo ambiente.
O local onde o Teen Rex foi encontrado sugere que o corpo pode ter sido preservado em um antigo sistema de rios. A areia fina e os sedimentos ajudaram a cobrir os ossos, criando as condições para a fossilização ao longo de milhões de anos.
