Em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, o mecânico Vanderlei Becker, aos 50 anos e sem saber velejar, passou 5 anos erguendo no quintal o Lelei, um veleiro construído sozinho, de alumínio e 10 toneladas, no qual gastou R$ 1 milhão só de material e que hoje cruza o litoral do Brasil.
Tem gente que sonha em ter um barco e compra um pronto. Vanderlei Becker resolveu fazer o dele do zero, sozinho, no quintal de casa. Mecânico de profissão, o gaúcho de Santa Cruz do Sul tomou uma decisão e tanto aos 50 anos: sem nunca ter velejado e quase sem experiência na água, largou a ideia de comprar um veleiro pronto e foi construir o próprio. O resultado foi o Lelei, um veleiro de alumínio de 10 toneladas erguido com as próprias mãos ao longo de cinco anos.
A façanha foi contada pela revista Náutica, referência no mundo dos barcos. Vanderlei Becker gastou mais de R$ 1 milhão só em material para fazer o veleiro construído sozinho, sem contar a mão de obra, que foi inteira dele. E recusou qualquer atalho: queria construir um barco de verdade, não montar um Lego, como ele mesmo resumiu.
Aos 50 anos, sem saber velejar, decidiu construir um barco

A maioria aprende a velejar antes de pensar em ter um barco, mas Vanderlei Becker fez o caminho inverso: decidiu construir o veleiro primeiro, mesmo sem saber navegar.
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Aos 50 anos, com pouca ou quase nenhuma experiência na água, ele escolheu encarar o mar do jeito mais difícil e ambicioso possível.
A motivação era um sonho antigo.
Vanderlei Becker queria viver o mar, e enxergou na construção do próprio veleiro o caminho para realizar isso à sua maneira, sem depender de ninguém.
E havia uma lógica de mecânico ali.
Para ele, construir do zero parecia até mais fácil do que comprar um veleiro usado e ter que reformar problemas que não conhecia, então preferiu fazer tudo do seu jeito.
Era ousadia com método.
Em vez de se assustar com o tamanho do desafio, o gaúcho de Santa Cruz do Sul tratou o barco como o maior projeto de engenharia da vida dele.
Cinco anos e um estaleiro montado no quintal
O canteiro de obra não foi um estaleiro qualquer.
Vanderlei Becker montou a estrutura no quintal da própria casa, no bairro Cerro Alegre Alto, em Santa Cruz do Sul, transformando uma antiga marcenaria num galpão de construção naval.
Ali ele instalou ponte rolante, equipamento de solda e todas as ferramentas necessárias para erguer um casco de alumínio sozinho.
E foi tudo, literalmente, na mão dele.
Do casco ao piso, da marcenaria interna até a geladeira de bordo, quase cada peça do veleiro construído sozinho saiu do trabalho de uma pessoa só.
O tempo dá a medida do esforço.
Foram cinco anos de dedicação até o veleiro de alumínio ficar pronto, um prazo que muita gente levaria com uma equipe inteira, e que ele encarou em ritmo solitário.
Cada etapa virava aprendizado.
Sem time e sem pressa de patrão, Vanderlei Becker foi descobrindo na prática como se constrói um barco de verdade, peça por peça, no fundo do quintal.
“Queria construir um barco, não montar um Lego”
A frase virou a marca registrada do projeto.
Vanderlei Becker se recusou a comprar os kits de peças já cortadas por máquina CNC, que deixariam o trabalho mais rápido, mas tirariam a graça do desafio.
“Queria construir um barco, não montar um Lego”, resumiu ele, explicando por que fez questão de desenhar e cortar cada peça por conta própria.
A ideia era ter um barco 100% seu.
Para Vanderlei Becker, juntar peças prontas seria quase trapacear, e ele queria que o veleiro construído sozinho fosse, de fato, fruto inteiro das mãos dele.
Mas houve uma base técnica.
Ele escolheu e comprou o projeto Kiribati 36, uma planta de veleiro oceânico de 36 pés, e a partir dela cortou e montou cada parte, em vez de receber tudo pré-fabricado.
Foi rigor de artesão.
Recusar o atalho do Lego transformou o Lelei numa obra autoral, com a assinatura de quem fez questão de aprender tudo no caminho.
Dez toneladas de alumínio e R$ 1 milhão em material
Os números do barco impressionam por si.
O Lelei é um veleiro oceânico de 36 pés feito em alumínio, com nada menos que 10 toneladas de peso quando pronto.
Só de material, Vanderlei Becker gastou mais de R$ 1 milhão, valor que não inclui a mão de obra, que foi toda dele.
O alumínio foi uma escolha de resistência.
É um material valorizado em cascos de veleiros oceânicos justamente por aguentar o tranco do mar aberto, e dar conta dele exige solda e técnica que o mecânico foi dominando aos poucos.
A conta final assusta.
Erguer sozinho uma estrutura de alumínio desse porte, somando ferramentas, projeto e material, mostra que o sonho cobrou caro, em tempo e em dinheiro.
Mas o valor estava no processo.
Para Vanderlei Becker, cada real e cada hora investidos no veleiro de alumínio eram parte da realização, e não só um custo.
O dia em que um guindaste ergueu o Lelei

Depois de pronto, o Lelei precisou sair do quintal, e isso exigiu um guindaste para erguer as 10 toneladas do veleiro a quase 20 metros de altura.
A estrutura teve que ser içada por cima de mata e de fios de energia elétrica até finalmente alcançar a água.
Foi uma operação de cinema.
Ver um veleiro de alumínio inteiro voando sobre as árvores de Santa Cruz do Sul, suspenso por cabos, é o tipo de cena que resume o tamanho da empreitada.
E então veio o batismo.
O Lelei foi testado nas águas do rio Jacuí, no Rio Grande do Sul, no momento em que o trabalho de cinco anos finalmente encontrou o seu elemento.
A emoção era justificada.
Depois de tanto tempo seco no quintal, o barco enfim flutuou, provando que o veleiro construído sozinho não era só um sonho de bancada.
Do quintal gaúcho ao litoral do Brasil
Hoje o Lelei faz exatamente aquilo para o que foi feito.
Vanderlei Becker realizou o plano e passou a cruzar o litoral do Brasil a bordo do veleiro que construiu sozinho, vivendo o mar que um dia nem sabia navegar.
O barco que nasceu seco no interior gaúcho virou casa flutuante na costa brasileira.
E a história não ficou só com ele.
Vanderlei Becker documentou cada etapa da obra no canal de YouTube Veleiro Lelei, que hoje ajuda e inspira outras pessoas que sonham em construir o próprio barco.
A internet virou parte do projeto.
Acompanhado por um público fiel, o gaúcho de Santa Cruz do Sul mostrou na prática como se faz um veleiro construído sozinho, e segue tirando dúvidas de construtores pelo país.
De sonho pessoal a referência.
O que começou como um desafio íntimo num quintal virou uma espécie de manual vivo para quem quer fazer o mesmo.
O que o caso do veleiro Lelei mostra
A maior lição é sobre a teimosia boa de quem realiza.
Vanderlei Becker provou que dá para aprender fazendo, e que nem a idade nem a falta de experiência precisam matar um sonho grande como o de viver no mar.
Aos 50 anos, sem saber velejar, ele transformou um quintal em estaleiro e cinco anos de trabalho num veleiro de verdade.
Vale, claro, manter o pé no chão.
Construir um veleiro construído sozinho custou mais de R$ 1 milhão, cinco anos de vida e um nível de habilidade técnica que poucos têm, então não é um projeto que qualquer um consegue copiar da noite para o dia.
Ainda assim, o exemplo inspira.
Ver um mecânico do interior do Rio Grande do Sul erguer um veleiro de alumínio de 10 toneladas com as próprias mãos é o tipo de história que renova a vontade de tirar projetos do papel.
Do quintal de Santa Cruz do Sul ao mar aberto, o Lelei navega como prova de paciência.
E lembra que, às vezes, a forma mais difícil de realizar um sonho é também a mais bonita.
E você, teria coragem de, aos 50 anos e sem saber velejar, passar cinco anos construindo o próprio veleiro no quintal? Conta pra gente nos comentários o que você acha da escolha do Vanderlei de construir tudo sozinho, em vez de montar um Lego.
