Para o especialista Dmytro Rukin, tratar a região como um país só com um checkout compartilhado faz empresas globais perderem dinheiro. Enquanto cartões dominam mercados como Equador e México, no Brasil os métodos alternativos já empatam, e o Pix avança, num mapa de pagamentos que muda de país para país.
Não existe um mercado único de pagamentos na América Latina, e o que parece um mercado só no mapa são quinze realidades diferentes, segundo o especialista em infraestrutura de pagamentos Dmytro Rukin. Para ele, uma empresa que trata a região como um país só com um checkout compartilhado vai perder dinheiro na maior parte dela.
De acordo com Rukin, que trabalha com infraestrutura de pagamento, as empresas que dão certo na região partem do princípio de que ela é plural, enquanto as que tropeçam a tratam como uniforme. O contraste é mais amplo do que a maioria imagina, já que em alguns mercados quase nove de cada dez compras online ainda passam por cartão, enquanto em outros os métodos alternativos já respondem por metade, e, segundo dados da Statista de 2023 compilados no Guide to Accessing Latin America, a fatia de cartões no comércio eletrônico vai de 89% no Equador a 50% na Colômbia.
América Latina, um mercado de pagamentos plural
Para o especialista Dmytro Rukin, não existe um mercado único de pagamentos na América Latina, e o que parece um mercado só são quinze realidades diferentes, cada uma com seus métodos dominantes, seus hábitos de consumo e suas regras. Segundo ele, uma empresa que trata a região como um país só com um checkout compartilhado perde dinheiro na maior parte dela.
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Na análise dele, as empresas que dão certo na região partem do princípio de que ela é plural, enquanto as que tropeçam a tratam como uniforme. O contraste é maior do que a maioria imagina, já que em alguns mercados quase nove de cada dez compras online ainda passam por cartão, enquanto em outros as carteiras digitais e as transferências bancárias já respondem por metade do comércio eletrônico, num mapa de pagamentos sem média possível.
Onde os cartões ainda dominam os pagamentos
Segundo dados da Statista de 2023, compilados no Guide to Accessing Latin America, os cartões continuam sendo a espinha dorsal dos pagamentos online em boa parte da região. O Equador lidera, com cartões respondendo por 89% do comércio eletrônico, seguido pelo Panamá com 87%, pela República Dominicana com 86% e pela Guatemala com 84%, com a Costa Rica na faixa dos 80%.
O México também pertence a esse grupo, o que surpreende muita gente, já que, apesar de toda a atenção sobre inovação fintech, os cartões ainda carregam 66% das transações de comércio eletrônico do país. Para quem entra nesses mercados, a aceitação de cartão não é opcional, e a adquirência local, o suporte a parcelamento e as altas taxas de aprovação em cartões domésticos determinam se a venda fecha, motivo pelo qual a infraestrutura precisa tratar os trilhos de cartão como o caminho principal.
Onde os métodos alternativos já empatam
Em alguns mercados, o equilíbrio dos pagamentos já pendeu para perto do empate. Segundo o mesmo levantamento da Statista, o Brasil opera com 51% de cartões contra 49% de métodos alternativos, a Colômbia chegou a um split limpo de 50 para 50, e El Salvador não fica longe, com 54 contra 46, e, nesses países, ignorar carteiras e métodos de conta a conta significa ignorar metade dos compradores potenciais.
O Brasil é o exemplo mais claro, já que o seu sistema de pagamento instantâneo, o Pix, detém 16% de participação no comércio eletrônico e, segundo a mesma fonte, deve crescer a uma taxa anual de 26% entre 2023 e 2026. A Colômbia conta uma história parecida a partir de um ponto diferente, com os métodos digitais alternativos já empatando com os cartões um a um, o que mostra que uma integração só de cartão deixa metade do checkout na mesa.
O que a fragmentação significa para empresas globais
Para Rukin, uma solução universal de pagamentos não funciona na América Latina, e qualquer fornecedor que prometa uma está vendendo uma simplificação que vai custar caro depois, de modo que a infraestrutura precisa ser ajustada país por país e método por método.
Na prática, a prescrição dele exige adquirência local onde os cartões dominam e suporte nativo para carteiras e trilhos de conta a conta onde eles alcançaram a paridade.
“Está otimizando para um país que não existe”, afirma Rukin sobre quem mira a média regional.
Segundo ele, também é preciso entender que o mesmo comprador se comporta de forma diferente em Lima e em Bogotá, além de um parceiro que já tenha feito a integração em cada mercado. Como profissional de infraestrutura de pagamentos, Rukin tem interesse comercial nessa leitura, que posiciona empresas como a dele como as que absorvem a fragmentação, um ponto que o leitor pode pesar ao avaliar a recomendação.
O mapa de pagamentos da América Latina é fragmentado em quinze realidades diferentes, com a fatia de cartões no comércio eletrônico variando de 89% no Equador a 50% na Colômbia, segundo dados da Statista de 2023.
Os cartões ainda dominam boa parte da região, do México ao Panamá, mas no Brasil, na Colômbia e em El Salvador os métodos alternativos já rivalizam com eles, com o Pix subindo rápido no caso brasileiro. Para Dmytro Rukin, especialista em infraestrutura de pagamentos, não existe solução universal, e empresas globais que querem converter precisam construir país por país, uma leitura que, vinda de quem vende exatamente esse tipo de integração, o leitor pondera ao lado dos números.
E você, o que achou do mapa fragmentado de pagamentos da América Latina, com os cartões dominando em alguns países e o Pix subindo no Brasil? Acredita que existe uma solução universal, ou cada mercado exige a sua própria estratégia? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre fintech e meios de pagamento.
