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A China acaba de ligar o primeiro mini-reator nuclear comercial do mundo — ele tem apenas 14 metros de altura, gera energia para 526 mil casas e evita 880 mil toneladas de CO₂ por ano

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 20/04/2026 às 12:00
Instalação do reator modular Linglong One na Ilha de Hainan, China
Linglong One na Usina de Changjiang, Hainan — primeiro reator modular comercial do mundo, com 125 MW e capacidade para 526 mil residências
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A China acaba de ligar o primeiro mini-reator nuclear comercial do mundo — ele tem apenas 14 metros de altura, cabe dentro de um prédio de 4 andares, gera energia para 526 mil residências e evita 880 mil toneladas de CO₂ por ano

Enquanto o mundo debate se a energia nuclear tem futuro, a China já ligou o seu. O Linglong One, também conhecido como ACP100, entrou em operação comercial no primeiro semestre de 2026 na Ilha de Hainan, no sul da China. É o primeiro reator nuclear modular pequeno (SMR) do planeta a funcionar comercialmente.

Desenvolvido pela China National Nuclear Corporation (CNNC), o reator tem apenas 14 metros de altura e 4 metros de diâmetro — dimensões que caberiam dentro de um prédio de 4 andares.

Mesmo assim, ele produz 1 bilhão de quilowatts-hora de eletricidade por ano. Energia suficiente para abastecer 526 mil residências na província de Hainan.

O que é o Linglong One e por que ele é diferente de um reator convencional

Reatores nucleares tradicionais são gigantes. Uma usina como Angra 2, no Brasil, tem um reator com capacidade de mais de 1.000 megawatts e ocupa uma área enorme.

O Linglong One gera 125 megawatts elétricos. É muito menor — mas essa é exatamente a ideia.

O conceito de reator modular pequeno parte de uma premissa simples: em vez de construir um gigante, construa vários pequenos.

Se uma região precisa de mais energia, basta adicionar mais unidades. Dez Linglong Ones juntos produzem 1,2 gigawatt — equivalente a uma usina nuclear de grande porte.

As vantagens são múltiplas:

  • Construção mais rápida do que reatores tradicionais
  • Custo inicial menor por unidade (US$ 1,8 a 2 bilhões cada)
  • Pode ser instalado em regiões remotas ou ilhas
  • Sistemas de segurança passiva que não dependem de ação humana
  • Vida útil projetada de 60 anos
Vaso do reator nuclear sendo içado

O reator que se desliga sozinho em caso de emergência

Um dos principais argumentos contra a energia nuclear é o risco de acidentes como Fukushima, em 2011.

O Linglong One foi projetado especificamente para eliminar esse tipo de cenário.

Seus sistemas de segurança são passivos — usam forças naturais como gravidade e convecção para resfriar o reator em caso de falha, sem necessidade de bombas elétricas ou intervenção humana.

O reator é parcialmente enterrado no solo, o que reduz a exposição a eventos externos. E a instrumentação digital automatizada minimiza erros humanos.

Em 2016, o ACP100 se tornou o primeiro SMR do mundo a passar na revisão de segurança da Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA.

O combustível é dióxido de urânio enriquecido a menos de 5%, recarregado a cada 2 a 3 anos.

De 2010 ao primeiro quilowatt: 16 anos de desenvolvimento

O desenvolvimento do ACP100 começou em 2010. O design preliminar ficou pronto em 2014.

A construção na Usina Nuclear de Changjiang, em Hainan, começou oficialmente em julho de 2021. O período planejado era de 58 meses.

Em outubro de 2025, os testes funcionais do circuito primário em estado frio foram concluídos. Em dezembro de 2025, o gerador de turbina completou seu teste de partida a vapor.

A usina de Changjiang já abriga dois reatores convencionais em operação e dois reatores Hualong One em construção, além do Linglong One.

Sala de controle nuclear com displays digitais

880 mil toneladas de CO₂ a menos por ano — o equivalente a 7,5 milhões de árvores

Cada ano de operação do Linglong One evita a emissão de aproximadamente 880 mil toneladas de dióxido de carbono.

Para colocar em perspectiva, isso equivale ao efeito de plantar 7,5 milhões de árvores por ano.

Em uma ilha tropical como Hainan, onde turismo e preservação ambiental são prioridades, um reator compacto que não emite gases de efeito estufa tem apelo especial.

Além de gerar eletricidade, o ACP100 foi projetado para outras aplicações: aquecimento distrital, dessalinização de água do mar e fornecimento de calor para processos industriais.

Em uma ilha como Hainan, a dessalinização pode ser tão importante quanto a eletricidade. Com um reator que opera 24 horas por dia, sem depender de sol ou vento, a produção de água potável a partir do mar se torna contínua e previsível.

A China saiu na frente — mas EUA e Reino Unido estão na fila

Ao colocar o Linglong One em operação comercial, a China ultrapassou concorrentes que trabalham em projetos semelhantes há anos.

A CNNC agora lidera a corrida global dos SMRs.

Nos Estados Unidos, a NuScale Power desenvolveu o primeiro SMR aprovado pela autoridade regulatória americana, mas enfrentou cancelamento de projetos por custos elevados.

No Reino Unido, a Rolls-Royce trabalha em um SMR de 470 megawatts, mas ainda não iniciou a construção.

No Canadá, a Ontario Power Generation aplicou em março de 2026 a licença para operar o primeiro SMR da América do Norte, na usina de Darlington.

Por enquanto, o Linglong One é o único SMR comercial funcionando no mundo.

Vista aérea da Ilha de Hainan com usina nuclear

O que o primeiro reator modular muda no futuro da energia

Se o Linglong One provar que SMRs podem operar com segurança, eficiência e custo competitivo ao longo dos próximos anos, o impacto será enorme.

Dezenas de países que não podem bancar usinas nucleares de grande porte poderiam adotar reatores modulares como complemento a fontes renováveis.

Ilhas, regiões remotas e países em desenvolvimento teriam acesso a energia limpa e estável que não depende de sol nem de vento.

O peso do Linglong One — 300 toneladas métricas — é uma fração do de um reator convencional. Ele pode ser fabricado em fábrica e transportado até o local de instalação, como um módulo industrial.

Porém, desafios permanecem. O custo de US$ 1,8 a 2 bilhões por unidade ainda é alto para muitos países. A aceitação pública da energia nuclear varia enormemente entre culturas. E a gestão de resíduos radioativos, mesmo em menor escala, continua sendo um problema sem solução definitiva.

Ainda assim, a China fez o que ninguém havia feito antes: colocou um mini-reator nuclear para funcionar comercialmente. E isso pode mudar a forma como o mundo gera energia nos próximos 60 anos — que é, por coincidência, exatamente quanto tempo o Linglong One foi projetado para durar.

Se um reator de 14 metros de altura pode abastecer 526 mil casas, por que o Brasil — com 8.500 km de costa e sol abundante — ainda não considera reatores modulares como complemento à sua matriz?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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