1. Início
  2. / Legislação e Direito
  3. / Lei 14.661/2023 muda sucessões no Brasil, permite exclusão automática do herdeiro após condenação penal definitiva
Tempo de leitura 3 min de leitura Comentários 0 comentários

Lei 14.661/2023 muda sucessões no Brasil, permite exclusão automática do herdeiro após condenação penal definitiva

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 23/12/2025 às 13:55
Condenação penal transitada em julgado passa a produzir efeito direto na herança, elimina necessidade de ação cível e aplica exclusão automática prevista em lei
Mudança no Código Civil permite exclusão automática da herança após condenação penal, mesmo quando a ação cível foi aberta antes da nova lei
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo

Regra da Lei 14.661/2023 dispensa processo civil quando há condenação penal definitiva e afeta diretamente a participação na herança

A condenação penal transitada em julgado por homicídio doloso, incluindo feminicídio, passou a gerar exclusão automática do herdeiro por indignidade no Código Civil, após a Lei 14.661/2023.

Na prática, isso elimina a necessidade de uma ação cível para discutir a indignidade quando a Justiça criminal já encerrou o julgamento com decisão definitiva.

O que aconteceu e por que isso chamou atenção

A Vara de Família e Sucessões de Guarapuava (PR) extinguiu um processo civil que buscava declarar a indignidade de um homem condenado por feminicídio da própria esposa.

A juíza Aneíza Vanêssa Costa do Nascimento não analisou o mérito do pedido cível, porque a condenação penal já havia se tornado definitiva.

O caso envolve a morte da advogada Tatiane Spitzner, ocorrida em 2018, atribuída ao marido.

Quem pode ser excluído da herança e o que diz a lei quando aplicável

A mudança incorporada ao Código Civil prevê exclusão automática por indignidade quando existe sentença penal condenatória transitada em julgado por homicídio doloso contra a pessoa cuja herança está em discussão.

Feminicídio entra nesse enquadramento por se tratar de homicídio doloso, dentro das circunstâncias do crime.

Mesmo quando a morte ocorreu antes da norma, a regra pode ser aplicada se o trânsito em julgado acontecer já durante a vigência da Lei 14.661/2023.

Como funciona o trânsito em julgado e por que ele pesa no processo

Trânsito em julgado significa que a condenação se tornou definitiva, sem possibilidade de novos recursos que mudem o resultado.

Com a condenação definitiva na esfera penal, a discussão sobre culpa deixa de ser o ponto central na esfera cível, porque a responsabilidade criminal já foi reconhecida.

Nessa situação, a lei passa a operar com efeito direto sobre a sucessão, levando à exclusão automática do herdeiro.

Por que a ação civil foi encerrada mesmo tendo sido aberta antes

A ação cível foi ajuizada em 2021 pelos pais da vítima, quando a ação penal ainda estava em andamento.

O trânsito em julgado da condenação por feminicídio ocorreu no último mês de junho, e o próprio réu pediu o reconhecimento da perda do interesse processual com base na Lei 14.661/2023.

Os pais defenderam a aplicação da legislação vigente na época do assassinato, mas a decisão aplicou a regra de 2023 e reconheceu a exclusão automática da herança.

Custas e honorários: o que foi decidido apesar do fim do processo

Mesmo com o processo extinto, o homem foi condenado a pagar custas processuais e honorários de sucumbência.

A justificativa foi que ele deu causa ao ajuizamento da ação cível, já que o processo foi iniciado antes da norma que tornou a exclusão automática.

O processo tramita sob segredo de Justiça, e atuaram no caso as advogadas Rogéria Dotti e Diana Geara.

A decisão reforça que a condenação definitiva por feminicídio pode impactar diretamente o direito de herdar, com aplicação automática da regra de indignidade.

Também sinaliza que processos cíveis iniciados antes da mudança legal podem ser encerrados após o trânsito em julgado, mantendo, quando cabível, a cobrança de custas e honorários de quem motivou a ação.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fonte
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x