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Lasers atravessam a floresta densa do Chocó Andino e revelam mais de 200 montes, 100 terraços e estradas antigas em apenas 600 hectares, sugerindo uma paisagem pré-hispânica muito maior escondida perto de Quito

Escrito por Ana Alice
Publicado em 18/06/2026 às 23:36
Atualizado em 18/06/2026 às 23:38
LiDAR revela montes, terraços e estradas antigas sob a floresta do Chocó Andino, perto de Quito, no Equador. (Imagem: Ilustrativa)
LiDAR revela montes, terraços e estradas antigas sob a floresta do Chocó Andino, perto de Quito, no Equador. (Imagem: Ilustrativa)
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Tecnologia LiDAR expõe vestígios pré-hispânicos sob a floresta do Chocó Andino e amplia o registro arqueológico em uma região de difícil acesso, marcada por biodiversidade, relevo acidentado e ocupações antigas ainda pouco documentadas.

Uma investigação arqueológica realizada com tecnologia LiDAR identificou mais de 200 montes, mais de 100 terraços e antigas estradas sob a vegetação densa do Chocó Andino, no noroeste de Quito, no Equador.

O levantamento foi conduzido em dezembro de 2025 pelo Instituto Metropolitano de Patrimônio (IMP), na comuna de San Francisco de Pachijal, na paróquia de Pacto.

Os dados ampliam o registro conhecido de estruturas pré-hispânicas em uma área de aproximadamente 600 hectares.

Antes do uso da tecnologia, a zona era descrita como um conjunto menor, formado por cerca de 40 montes e 10 terraços.

A leitura do terreno por sensoriamento remoto, no entanto, revelou uma distribuição mais ampla de construções encobertas pela floresta.

A pesquisa foi desenvolvida para documentar e proteger o patrimônio cultural do Chocó Andino, região marcada por relevo acidentado, vegetação fechada e alta biodiversidade.

Essas características dificultam levantamentos arqueológicos tradicionais e ajudam a explicar por que parte das estruturas permaneceu sem registro detalhado por tanto tempo.

Tecnologia LiDAR revelou estruturas sob a floresta

O LiDAR, sigla em inglês para Light Detection and Ranging, usa pulsos de laser para atravessar a copa das árvores e gerar mapas precisos da superfície do solo.

A técnica permite identificar alterações no relevo mesmo em áreas cobertas por mata fechada, sem depender apenas da observação direta em campo.

No caso de San Francisco de Pachijal, a tecnologia registrou montes, terraços e caminhos antigos distribuídos pela área analisada.

Também foram identificadas estruturas circulares e retangulares, além de conexões entre diferentes pontos da paisagem.

Segundo o arqueólogo Juan Jijón, consultor do IMP, essas marcas indicam modificação humana deliberada do ambiente.

A presença de formas geométricas e de vias de ligação sugere uma organização territorial associada a atividades produtivas, sociais e cerimoniais.

A análise ainda depende da continuidade dos estudos, mas os dados já permitem ao IMP tratar a região como uma paisagem cultural pré-hispânica.

Essa interpretação se baseia na quantidade de estruturas encontradas, na relação entre elas e na forma como aparecem integradas ao terreno.

Área estudada é pequena diante do Chocó Andino

A área mapeada corresponde a cerca de 600 hectares.

O Chocó Andino, por sua vez, ocupa mais de 280 mil hectares, segundo os dados citados no levantamento.

Por isso, os pesquisadores consideram que novas estruturas podem ser identificadas caso a investigação seja ampliada para outras zonas da região.

Essa proporção é relevante para dimensionar o alcance do achado sem transformar a hipótese em conclusão definitiva.

O levantamento confirma a existência de uma área arqueológica extensa dentro do setor analisado, mas não permite afirmar, por enquanto, qual é o tamanho total da ocupação pré-hispânica ainda não documentada.

A formulação adotada pelos pesquisadores é de cautela.

O material encontrado indica uma paisagem mais complexa do que se conhecia anteriormente, mas a extensão real, a cronologia precisa e os limites dessa ocupação ainda precisam ser definidos por novas etapas de pesquisa.

Mesmo assim, a quantidade de montes e terraços localizada em uma fração do território reforça a necessidade de proteção patrimonial.

Segundo o IMP, um dos objetivos do projeto é fortalecer a gestão do patrimônio de Quito e evitar a perda de evidências arqueológicas em áreas de difícil acesso.

Abaixo da selva do Chocó A tecnologia andina revela uma paisagem pré-hispânica oculta (Imagem: Reprodução/Eldiario)
Abaixo da selva do Chocó A tecnologia andina revela uma paisagem pré-hispânica oculta (Imagem: Reprodução/Eldiario)

Estrutura próxima ao rio San Francisco foi comparada a Tulipe

Durante o trabalho de campo, os arqueólogos também registraram uma estrutura retangular afundada próxima ao rio San Francisco.

De acordo com a descrição do projeto, a construção apresenta semelhanças com elementos arquitetônicos encontrados no Complexo Arqueológico Tulipe, localizado nas regiões de Gualea e Nanegalito.

A comparação com Tulipe foi citada pelos pesquisadores por causa das características formais da estrutura e da relação com conhecimentos hidráulicos.

O texto original aponta que esse tipo de vestígio pode indicar domínio técnico no manejo da água pelas populações que ocuparam a área.

Sem uma datação absoluta publicada, não é possível definir com precisão o período de construção da estrutura.

A associação com a cultura Yumbo foi feita com base na cultura material relacionada ao sítio e no conhecimento já existente sobre a ocupação pré-hispânica do noroeste andino.

Os Yumbos são mencionados pelos especialistas como uma sociedade pré-hispânica associada a essa região do Equador.

No texto original, os vestígios são atribuídos a esse grupo, mas a confirmação detalhada sobre cronologia, função das estruturas e fases de ocupação depende de análises arqueológicas complementares.

Patrimônio arqueológico de Quito entra no foco da pesquisa

Para o IMP, a investigação tem finalidade científica e patrimonial.

A arqueóloga Dayuma Guayasamín afirmou que o objetivo é proteger os sítios, compreender como as paisagens culturais foram formadas e fortalecer o patrimônio de Quito.

A declaração situa o levantamento dentro de uma política de preservação.

Em áreas como o Chocó Andino, onde a floresta dificulta o acesso e a visualização das estruturas, o uso de tecnologia de mapeamento pode ajudar a orientar medidas de registro, pesquisa e conservação.

A proteção desses vestígios também depende de informações mais detalhadas sobre localização, estado de conservação e risco de impacto.

Por esse motivo, a identificação das estruturas é apenas uma etapa do processo, que ainda exige interpretação técnica e ações de gestão territorial.

O levantamento mostra que a floresta do Chocó Andino preserva marcas de ocupação humana anteriores à colonização espanhola.

A leitura dessas marcas, segundo os arqueólogos envolvidos, pode ajudar a compreender como sociedades pré-hispânicas organizaram o espaço, circularam pela região e utilizaram áreas próximas a rios e encostas.

Datação e extensão total ainda dependem de novas análises

A investigação divulgada pelo IMP apresenta números sobre a área mapeada e os principais tipos de estruturas identificadas, mas não informa todos os dados necessários para uma interpretação completa do sítio.

A data exata das construções, o tempo de ocupação e a extensão total da paisagem arqueológica ainda não foram confirmados com segurança no material disponível.

Também não há, no texto original, detalhes suficientes sobre a metodologia completa de análise, os materiais encontrados em campo ou os critérios técnicos usados para vincular todos os vestígios à cultura Yumbo.

Por isso, a atribuição cultural deve ser tratada como a interpretação apresentada pelos especialistas, e não como conclusão fechada sobre cada estrutura.

A partir dos dados disponíveis, o ponto central é que a tecnologia LiDAR ampliou de maneira expressiva o conhecimento sobre a presença pré-hispânica em San Francisco de Pachijal.

O que antes aparecia como um conjunto menor de montes e terraços passou a ser registrado como uma área com centenas de modificações humanas no terreno.

Para o leitor, a principal questão deixada pela pesquisa não está apenas na quantidade de estruturas já identificadas, mas no que futuras etapas de mapeamento poderão revelar em outras partes do Chocó Andino.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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